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UE amplia pressão e apura se vacinas do bloco foram para o Reino Unido

A blitz na fábrica foi feita após a empresa britânica divulgar, na semana passada, que não conseguiria cumprir seus contratos de entrega – 80 milhões de...

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Por Agência Estado

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A União Europeia (UE) começou a investigar se as vacinas produzidas no bloco foram destinadas ao Reino Unido em meio à escassez nos países europeus. Na quarta-feira, 27, inspetores da agência de medicamentos da Bélgica, a pedido da Comissão Europeia, foram vistoriar uma fábrica da AstraZeneca, em Seneffe, a 40 quilômetros de Bruxelas. Eles recolheram documentos e agora vão apurar se as doses da UE teriam sido desviadas.

A blitz na fábrica foi feita após a empresa britânica divulgar, na semana passada, que não conseguiria cumprir seus contratos de entrega – 80 milhões de doses no primeiro trimestre. A AstraZenca alegou problemas na produção, mas a explicação não convenceu a UE. A campanha de imunização do Reino Unido está hoje bem mais adiantada do que a da União Europeia, o que tem pressionado os governos locais.

Durante a inspeção, foram recolhidas amostras de doses e registros de produção e os investigadores prometeram uma nova visita nos próximos dias. A ideia é usar o material para rastrear as doses.

Segundo a UE, a fábrica belga é uma das quatro unidades da AstraZeneca incluídas no contrato entre o bloco e a empresa para produzir vacinas para o mercado europeu. Desde o início da semana, o bloco tem aumentado a pressão sobre a empresa.

A comissária europeia para saúde, Stella Kyriakides, disse na quarta-feira que a AstraZeneca deverá fornecer vacinas de suas instalações no Reino Unido se não for capaz de cumprir os compromissos com as doses produzidas na UE. Segundo Stella, é possível descobrir se doses europeias foram desviadas.

“Rejeitamos a lógica do primeiro a chegar, primeiro a ser servido. Isso pode funcionar em um açougue, mas não em contratos e não em nossos acordos de compra antecipada”, disse. “Nenhuma empresa deve ter a ilusão de que não temos os meios para saber o que está acontecendo. Temos conhecimento da produção das doses, onde foram produzidas e se foram enviadas para algum lugar, onde for.”

Agora, o bloco pode impedir que doses de vacinas sejam enviadas ao Reino Unido, segundo o jornal britânico The Guardian. A Comissão Europeia estuda a criação de bloqueios de exportações, por meio de mecanismos que permitirão ao governos locais vetarem a saída de imunizantes do bloco.

A resposta europeia à escassez de vacinas traz incômodo especialmente os britânicos – fora do bloco desde 1.º de janeiro. Nesta semana, durante o Fórum Econômico Mundial, o país ficou ao lado das nações emergentes quando a UE se queixou da falta dos imunizantes para países do bloco. As duas fornecedoras que firmaram contrato com Londres – Pfizer-BioNTech e AstraZeneca – têm indústrias em território belga.

O Guardian afirmou que se os britânicos dependerem apenas de vacinas produzidas no país, a meta de imunizar 75% da população e atingir a imunidade coletiva pode ter de ser adiada em dois meses.

A AstraZeneca disse que conseguirá produzir 2 milhões de doses por semana para o Reino Unido e atingir as 100 milhões de doses prometidas.

O diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Hans Kluge, afirmou que a solidariedade internacional na luta contra o vírus é “chave” no momento em que aumentam as tensões entre os países. Ele admitiu, porém, que “realmente há falta de vacinas” e a situação é “crítica”. Apesar das dificuldades, a comissão executiva da UE disse que continua confiante que o atraso da AstraZeneca não afetará seus planos para garantir que 70% dos cidadãos do bloco, com população estimada em 450 milhões, sejam vacinados até setembro.

A meta é amparada na disponibilidade de doses fabricadas pela Pfizer-BioNTech e Moderna. “O que temos discutido com a AstraZeneca é como eles podem nos entregar o mais rápido possível as doses necessárias para vacinar a população do bloco”, disse o porta-voz da Comissão Europeia, Eric Mamer. “É do interesse dos cidadãos europeus.” (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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