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Com pressão sobre siderurgia, Bolsa fecha em baixa de 0,50%

“A preocupação fiscal não irá embora até que se tenha, ao menos, a definição para a presidência da Câmara, no início de fevereiro. Também no começo...

Publicado em

Por Agência Estado

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Apesar do dia positivo em Nova York após o feriado de segunda-feira, 18, por Luther King, o Ibovespa, assim como dólar e juros, refletiu hoje a cautela dos investidores em relação ao cenário doméstico, ainda afligido por incertezas sobre a situação fiscal e o encaminhamento da vacinação, em meio a dúvidas quanto à disponibilidade de insumos para a imunização em massa por aqui – dificuldades que podem atrasar o cronograma da vacina e, por consequência, a retomada da economia. Assim, o índice da B3 fechou nesta terça-feira em baixa de 0,50%, a 120.636,39 pontos, com mínima a 119.257,03 e máxima a 122.120,24 pontos. O giro financeiro totalizou R$ 29,8 bilhões. No ano, o índice tem ganho de 1,36%, com avanço de 0,24% nesta semana.

“A preocupação fiscal não irá embora até que se tenha, ao menos, a definição para a presidência da Câmara, no início de fevereiro. Também no começo do mês teremos o início da temporada de balanços, com os resultados de bancos, que serão sinais importantes sobre a economia. Há a preocupação sobre a efetividade da vacinação: ainda há calafrios em relação a isso, ao cronograma, se conseguiremos ser tão efetivos como outros países para começar a virar a página da pandemia e iniciar a recuperação econômica”, diz Leonardo Milane, economista e sócio da VLG Investimentos.

“Assim como na semana passada, tivemos hoje uma realização normal. Eventual extensão do auxílio emergencial causa estresse especialmente nos juros, com o receio de piora fiscal, em situação que já é bem delicada. Não ajudaram também rumores de que a China venha a buscar uma diversificação maior no fornecimento de minério de ferro, o que afeta diretamente a Vale (ON -0,27%)”, aponta Pedro Lang, head de renda variável da Valor Investimentos, acrescentando que o setor de siderurgia responde por 15% a 16% do Ibovespa.

Maior perda do Ibovespa na sessão, CSN fechou em queda de 5,71%, seguida por Usiminas (-4,71%) e Hapvida (-3,12%). Gerdau PN (-2,95%) e Gerdau Metalúrgica PN (-2,52%) também tiveram ajuste negativo nesta terça-feira. No lado oposto, BTG subiu 3,12%, à frente de Suzano (+3,03%) e Totvs (+2,50%). Entre as blue chips, destaque para Petrobras (PN +2,21% e ON +1,25%), enquanto os grandes bancos, segmento de maior peso no índice, registraram perdas em bloco, entre 1,19% (Itaú PN) e 2,16% (Santander) na sessão.

“A queda do minério do ferro (-1,57% em Qingdao, China) provocada pela pressão das margens nas siderúrgicas, que devem reduzir o consumo da commodity, ajuda a explicar o movimento de queda do Ibovespa, que retornou exatamente para a faixa de 120 mil pontos”, diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. “Em vista da tendência de alta principal, o retorno para o patamar, que foi o último topo rompido e por onde passa a média móvel exponencial de 21 dias, deve abrir caminho para uma recuperação no curtíssimo prazo (do Ibovespa).”

Nesta terça-feira, como pano de fundo para a cautela do mercado, não agradou a retomada do auxílio emergencial na retórica dos candidatos à presidência da Câmara, apesar da promessa de que eventual solução para a continuidade do benefício respeitará o teto de gastos – uma ressalva que ainda não se sabe, na prática, como seria viabilizada. Dessa forma, o dia foi de bolsa em baixa, dólar em alta e juros longos para cima, na véspera da decisão de política monetária do Copom, que pode retirar o forward guidance de seu comunicado, na quarta-feira.

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