
Violência obstétrica: mulher que passou mais de 18 horas em trabalho de parto será indenizada em R$ 30 mil
Segundo o que consta no processo, o Médico insistiu no parto normal e só fez a cesariana, quando ela não estava mais suportando......
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Por Ricardo Oliveira

Um Hospital particular de Cascavel, o Estado do Paraná e também um Médico Ginecologista foram alvos de um processo movido por uma mulher que alega violência obstétrica.
A vítima relatou na ação que estava grávida de 40 semanas e procurou o hospital ao perder líquidos no dia 26 de julho de 2017, sendo que precisou retornar à unidade outras três vezes, pois foi atendida e liberada pelo mesmo médico.
No dia 06 de agosto a bolsa da mulher estourou durante a madrugada e o parto só foi feito a 00h20 do dia seguinte, causando a ela grande sofrimento durante todo o período.
A gestante e o marido optaram que a criança nascesse por meio de uma cesariana, mas o Médico, de acordo com os autos, não quis realizar o procedimento e forçou até o fim a realização do parto normal.
Em depoimento, a mãe relatou a angústia durante as quase 19 horas em trabalho de parto e disse que sentiu que iria morrer.
“A gente pediu para ser encaminhado para outro atendimento. A gente pediu para o médico fazer uma cesárea, que a gente ia pagar, se era pela SUS que não ‘tava’ podendo fazer. A gente ia pagar a cesária, porque eu já tive um filho de parto normal. Eu sei qual é o trabalho, sei qual é a evolução. E eu sabia que eu não ia conseguir aquele momento eu já sabia que meu filho não ia nascer de parto normal, porque ele era muito grande. O meu esposo se retirou, eu pedi para ele ir embora. Porque chegou num momento que eu sabia que eu ou meu bebe ia morrer, se não fosse os dois. Porque eu sabia que não era normal aquela dor que eu estava sentindo. (…) Eles podiam ter reduzido a minha dor, o tempo de espera e não foi feito nada nesse sentido”, declarou a mãe.
O Pai da criança contou que chegou a pedir ao Médico para realizar a transferência da esposa para outra unidade, mas profissional não aceitou.
“Eu implorei para o médico que era para fazer alguma coisa, porque eu estava vendo que minha esposa ou o bebê ia morrer. Eu pedi para ele, falei: Dr. faça uma cesariana ou libera a gente para ir para outro hospital. Ele falou que não podia fazer, e não podia liberar para outro hospital. Meia hora antes de ser feita [cesariana]”, informou o pai.
O casal tinha planos de ter mais um filho, mas a mãe ficou traumatizada e com medo de passar pelos mesmos transtornos novamente. A criança nasceu saudável e felizmente não teve nenhuma sequela por conta de tantas horas do trabalho de parto.
A juíza arbitrou que o casal deve receber R$ 30 mil de indenização por danos morais, valor que deve ser dividido entre os três réus.
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