CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!
Imagem referente a Por sonho de F-1, garotos saem mais cedo do Brasil para competir no exterior
Foto: Flickr

Por sonho de F-1, garotos saem mais cedo do Brasil para competir no exterior

Décadas atrás os grandes pilotos brasileiros só foram se aventurar no exterior bem mais tarde. Ayrton Senna começou a competir na Inglaterra aos 21 anos e...

Publicado em

Por Agência Estado

Publicidade
Imagem referente a Por sonho de F-1, garotos saem mais cedo do Brasil para competir no exterior
Foto: Flickr

O curitibano Augustus Toniolo tem planos detalhados para os próximos anos. Competir pelo Brasil, viajar para disputas nos Estados Unidos e depois se mudar de vez para a Europa. O cronograma digno de um esportista experiente pertence na verdade a um piloto de kart de apenas nove anos e ajuda a entender um fenômeno recente do automobilismo nacional. Pelo sonho de chegar à Fórmula 1, crianças e famílias se mobilizam cada vez mais cedo para deixar o Brasil. A aposta é que a saída precoce ajuda a abrir portas.

Décadas atrás os grandes pilotos brasileiros só foram se aventurar no exterior bem mais tarde. Ayrton Senna começou a competir na Inglaterra aos 21 anos e Nelson Piquet só iniciou a carreira europeia só aos 26. Rubens Barrichello e Felipe Massa só deixaram o País pouco antes de completar 20 anos. Hoje em dia o plano é sair o quanto antes, até para já competir no kart e acelerar a adaptação.

“É importante ir o quanto antes para a Europa. Pode ajudar também fazer o último ano de kart na Europa para se adaptar à cultura”, explicou ao Estadão o piloto Sérgio Sette Câmara, piloto da Fórmula E e reserva da Red Bull. Aos 22 anos, ele já acumula seis anos de Europa. “Deixar o Brasil foi difícil. Tive de terminar a escola na Espanha. Minha família continuou no Brasil e tivemos de achar um tutor de confiança. Foi preciso vencer uma série de barreiras”, relembrou.

O longo caminho até a Fórmula 1 e a necessidade de deixar o Brasil cedo não desanimam a família Toniolo. Para o ano que vem, se o calendário das competições for normalizado, o plano é correr uma temporada de kart nos Estados Unidos. O custo para se correr por lá é alto, em uma média de R$ 250 mil. Se tudo der certo, daqui dois anos o menino terá de morar na Europa e a mãe vai precisar acompanhar.

“O Brasil tem um nível altíssimo de pilotos, mas o que agrega correr no exterior é o equipamento. O kart é mais potente. Para quem almeja correr fora do Brasil, tem de sair cedo. É um esporte cada vez mais precoce”, explicou o pai do kartista, Augustus da Silva Toniolo. Na preparação para a carreira, além de estudar inglês, o menino de nove anos já tem acompanhamento de uma psicóloga.

Matheus Ferreira tem 13 anos e desde 2018 compete na Itália, embora continue morando em Brasília. O pai dele, o empresário Victor Carvalho, viajou à Europa com o menino cerca de dez vezes no ano passado para acompanhá-lo em competições. A cansativa rotina de aeroportos e as longas horas de viagem se tornaram uma rotina que futuramente pode ser trocada pela residência fixa no exterior.

“O esporte na Europa é diferenciado na formação de pilotos. São quatro corridas por mês nos campeonatos, enquanto no Brasil às vezes é uma só. Hoje temos uns cinco meninos brasileiros que fazem a temporada toda no kart italiano, mas isso deve aumentar”, explicou o pai do piloto. A rotina do menino inclui atualmente aulas de inglês e treinos físicos acompanhados por um personal trainer.

A barreira de deixar o Brasil e fixar no exterior para seguir a carreira foi vencida há um bom tempo por Gabriel Bortoleto, de 16 anos. Atualmente na Fórmula 4 Italiana, o piloto deixou o Brasil com apenas 11 anos. Em vez de morar com os pais, agora ele vive com o treinador. “Deixar o filho de 11 anos morar sem a família por perto foi um sacrifício para os meus pais. Ainda tem a saudade e a confiança”, contou.

Pelo menos agora o garoto se diz mais independente. Ele já se vira na cozinha com alguns pratos mais fáceis, entre eles o macarrão, aprendeu a falar outros idiomas e está mais maduro. “Se você quer seguir a carreira rumo a Fórmula 1 sair cedo do Brasil é 120% importante. Não tem como seguir uma carreira internacional e ficar muito tempo no Brasil”, explicou.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN