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Economia

‘Leilão de 5G não vetará nenhuma das tecnologias’, diz Marcos Pontes

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O governo brasileiro não vai impor nenhum tipo de restrição à tecnologia chinesa nem a nenhuma outra no leilão de frequências de 5G, garantiu ao jornal O Estado de S. Paulo o ministro da Ciência, Tecnologia e Comunicações, Marcos Pontes. Em meio a pressões e disputas entre os Estados Unidos e a China em torno da tecnologia, o presidente Jair Bolsonaro disse, nesta semana, que a palavra final sobre o assunto é de Pontes. “As empresas de telecom ficarão livres para contratar a tecnologia de quem elas quiserem”, afirmou o ministro.

A tecnologia 5G é a quinta geração das redes de comunicação móveis. Ela promete velocidades até 20 vezes superiores ao do 4G. Em ambiente controlado, as redes 5G podem ter velocidades de até 1 gigabit por segundo (Gbps). Assim, permitem um consumo maior de vídeos, jogos e ambientes em realidade virtual. Além disso, o 5G promete reduzir para menos da metade a latência, tempo entre dar um comando em um site ou app e a sua execução – dos atuais 10 milissegundos para 4 ms. Em algumas situações, a latência poderá ser de 1 ms, importante, por exemplo, para o desenvolvimento de carros autônomos.

Há uma disputa em torno da tecnologia 5G que envolve os Estados Unidos e a China. O presidente Bolsonaro disse que a palavra final sobre o leilão de frequência 5G no Brasil será do sr. Qual será sua decisão?
Qualquer tipo de ação com relação ao mercado tem de ser feito baseado em dados. Nós não interferimos no mercado, nós fazemos regulação e fiscalização. (Excluir uma empresa) seria a mesma coisa de o Ministério da Infraestrutura resolver tirar a Volkswagen do Brasil. Tem de ter uma razão muito forte para um tipo de ação dese tipo. Estamos lançando um edital para a construção de oito laboratórios de inteligência artificial, um deles se conecta diretamente à segurança cibernética, junto com o Exército.

Esse laboratório vai blindar o País contra eventuais riscos cibernéticos, como os EUA alegam que há na tecnologia chinesa?
Blindar, eu não diria essa palavra. Eu diria que a gente vai fiscalizar tudo isso. Empresas como Cisco (americana), Huawei (chinesa) e Qualcomm (americana) já têm uma infraestrutura grande dentro das nossas telecomunicações. O 5G é só uma outra tecnologia, não vai modificar o fato de que elas já estão no sistema.

Então, não vai haver no edital do leilão de 5G nenhuma restrição a nenhum tipo de tecnologia? Nem à chinesa?
Não. A nenhuma delas. As empresas de telecom, que são as que participarão da disputa, vão ficar livres para contratar a tecnologia de quem elas quiserem.

O governo dos Estados Unidos procurou o governo brasileiro com o pedido de que a Huawei seja excluída do 5G no Brasil? Houve algum tipo de pressão?
Não tivemos nenhum tipo de pressão, mesmo porque não cabe. Cada país tem sua soberania e dever de tomar decisões que forem melhor para aquele país. Existem alguns “approaches” diferentes. Tem países que seguem mais o princípio preconizado pelos EUA e outros preferem um “approach” mais científico. Nós trabalhamos aqui com ciência.

O sr. acha que tem algum tipo de vulnerabilidade na tecnologia chinesa?
Em todas as tecnologias, não só a chinesa. É igual segurança de vôo, existem riscos envolvidos. Se você não quer risco, deixa o avião no hangar. Mas todas as empresas têm standards, certificações, tem fiscalização. Não necessariamente a Huawei, a Ericsson (sueca), todas as empresas estarão nessa mesma situação.

Quando será o leilão? Quando lança o edital?
Inicialmente, seria em março, mas no processo de análise, houve preocupação de interferência com antenas parabólicas. A Anatel fez um trabalho junto com as TVs para achar a solução. Ainda não recebi oficialmente o resultado, mas me falaram que o risco é muito menor do que se imaginava e há soluções técnicas para isso. Com isso, adiamos o leilão para o segundo semestre de 2020, mas vai ser muito mais seguro. O edital tem de sair no primeiro semestre.

Com a promulgação do acordo com os Estados Unidos na semana passada, quando serão lançados os primeiros foguetes norte-americanos na Base de Alcântara? Qual o volume de negócios?
Ano que vem é ano de planejamento. Em 2021, fazemos testes e, em 2022, os primeiros lançamentos. Não só lançamentos americanos, pode ser empresa japonesa, italiana, inclusive brasileira. Tem muitas empresas interessadas. Se você pensar em 1% do mercado atual, estamos falando em algo em torno de R$ 200 milhões a R$ 300 milhões por ano. À medida que os anos passam, vamos para a casa de bilhões por ano.

Quando o Brasil mandará o segundo astronauta para o espaço? (O ministro foi o primeiro)
Precisamos formar alguns. Podemos ter algumas parcerias, estou conversando com a Nasa sobre possibilidade de participação de brasileiros em programas ligados à lua, como o Gateway (futura estação espacial em órbita lunar).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


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