CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!

Sistema com falha foi desenhado pelo Ministério da Saúde, diz empresa

É a primeira vez que a empresa se manifesta após o Estadão revelar, no último dia 2, a exposição na internet da base cadastral do SUS...

Publicado em

Por Agência Estado

Publicidade

A empresa Zello Tecnologia, contratada pelo Ministério da Saúde para ajudar a desenvolver o sistema que deixou dados de milhões de brasileiros expostos, afirmou ao Estadão que a responsabilidade pela concepção e desenho do sistema era do ministério e que o processo de desenvolvimento do código não apresentou nenhum erro.

É a primeira vez que a empresa se manifesta após o Estadão revelar, no último dia 2, a exposição na internet da base cadastral do SUS com mais de 200 milhões de brasileiros.

De acordo com a companhia, o serviço prestado pela Zello limitava-se ao desenvolvimento do chamado código front-end do sistema, que tem a função de definir como será a interface com o usuário. Esse código fica aberto para visualização por qualquer usuário e era nele em que ficaram expostas indevidamente login e senha para acesso ao banco de dados com informações de milhões de brasileiros.

Embora a empresa seja quem executa o desenvolvimento desse código, a definição sobre como ele deve estar estruturado é do ministério, de acordo com a companhia. “A Zello Tecnologia é contratada pelo Ministério da Saúde para desenvolver o front-end de sistemas. A construção da camada front-end do e-SUS-Notifica (sistema de notificações de casos de covid onde a falha foi identificada) não apresentou nenhum erro de codificação. As vulnerabilidades encontradas foram originadas na arquitetura de serviços definida pelo Ministério da Saúde”, disse a Zello, em nota encaminhada ao Estadão ontem.

A empresa disse ainda que trabalhou com a equipe técnica do Ministério da Saúde para encontrar a falha, mas que, como não é responsável pela implementação da estrutura do sistema (camada back-end do código), o ministério foi o responsável pela correção.

Questionado sobre a afirmação da Zello, a pasta não foi clara. Disse que a empresa contratada “foi responsável por criar o código do sistema e atuou em conjunto com o Ministério da Saúde durante todo o processo de revisão”, mas não informou quem foi o responsável pela decisão técnica de manter login e senha da base de dados no código front-end.

A pasta afirmou que segue investigando o que causou o incidente e “solicitou auditoria no código dos demais serviços desenvolvidos”.

Outros contratos

A Zello já prestou serviço para ao menos outros 15 órgãos federais e, atualmente, tem contrato de desenvolvimento de sites e aplicativos com dez deles.

Entre os serviços prestados estão o desenvolvimento do aplicativo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e do Sistema de Seleção Unificada (Sisu, plataforma do governo em que estudantes podem disputar vagas no ensino superior público com a nota do Enem) para o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação, e também do app e-título para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Desde 2015, quando a empresa firmou o primeiro contrato com o governo federal, ela já recebeu R$ 151 milhões. O órgão com o maior repasse é o Ministério da Saúde (R$ 43 milhões), seguido do Inep, que já repassou à Zello R$ 27 milhões. Os dados são do Portal da Transparência. A empresa diz que atua no mercado de transformação digital desde 2009 e que, nos últimos cinco anos, entregou mais de 400 projetos para diversos clientes públicos e privados. Diz ainda que “adota sempre as melhores práticas de segurança de dados”.

Congresso

A comissão da Câmara que acompanha as ações de enfrentamento à covid-19 convocou uma audiência pública para que o Ministério da Saúde explique os recentes casos de exposição indevida de dados de milhões de brasileiros revelados pelo Estadão. A reunião foi marcada para a próxima terça-feira, às 17 horas.

O requerimento da audiência foi feito pelo deputado federal Alexandre Padilha (PT), que classificou as falhas de segurança nos sistemas do ministério como “alarmantes”. “Colocam em risco todo o sistema de dados sensíveis que o Ministério da Saúde tem, com implicações sérias e graves a todos os brasileiros. As informações prestadas pelo ministério até o momento não explicam de forma satisfatória o ocorrido, muito menos a extensão dos vazamentos e falhas de segurança”, disse o parlamentar, no requerimento da audiência pública.

Participarão do encontro ainda um representante do Hospital Albert Einstein, que esteve envolvido com o primeiro vazamento de dados por um erro de um dos seus funcionários, além de instituições de direito e defesa do consumidor, como o Idec. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN