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Imagem referente a Em dois anos, ‘onda laranja’ vira frustração para o Novo; Amoêdo pede ‘reflexão’
O candidato do Partido Novo, João Amoêdo, é o primeiro da série de entrevistas que a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) fará com os candidatos à Presidência da República.

Em dois anos, ‘onda laranja’ vira frustração para o Novo; Amoêdo pede ‘reflexão’

O clima da sigla neste pós-eleições contrasta com o de dois anos atrás, quando o partido lançou 414 candidatos e elegeu 21 parlamentares, além do governador...

Publicado em

Por Agência Estado

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Imagem referente a Em dois anos, ‘onda laranja’ vira frustração para o Novo; Amoêdo pede ‘reflexão’
O candidato do Partido Novo, João Amoêdo, é o primeiro da série de entrevistas que a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) fará com os candidatos à Presidência da República.

A “onda laranja” ensaiada pelo partido Novo em 2018, com a estreia da sigla nas eleições gerais, chegou às disputas deste ano como uma marolinha. Nem a principal liderança do partido, o ex-presidenciável João Amoêdo, escondeu a frustração pelos 29 vereadores e um prefeito eleitos em 2020, número considerado por ele “aquém” das expectativas.

O clima da sigla neste pós-eleições contrasta com o de dois anos atrás, quando o partido lançou 414 candidatos e elegeu 21 parlamentares, além do governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Na corrida pela Presidência daquele ano, Amoêdo surpreendeu: terminou o 1º turno à frente de Marina Silva (Rede), Henrique Meirelles (MDB) e Alvaro Dias (Podemos), que participavam dos debates, e menos de três pontos porcentuais atrás de Geraldo Alckmin (PSDB). Neste ano, das 620 candidaturas, o Novo elegeu 29 vereadores e um prefeito, o de Joinville (SC), Adriano Silva.

“O nosso desempenho em 2020 ficou aquém daquilo que se esperava do Novo. Isso não tira o mérito e os parabéns aos eleitos, mas deve servir como alerta e reflexão”, diz Amoêdo. “É importante valorizar os resultados, porém é mais importante identificar e aprender com os erros, só assim continuaremos a crescer e ser de fato uma instituição que represente a esperança de mudança para o País.”

O ano foi marcado por disputas internas no Novo. A principal delas envolveu Filipe Sabará, que tentou disputar a Prefeitura de São Paulo, mas foi suspenso pela própria sigla e teve sua candidatura indeferida. Sabará afirmou ter sido alvo de uma perseguição promovida por Amoêdo e por uma suposta ala “esquerdista minoritária” dentro do partido, que tem viés liberal. A situação expôs a divisão entre um grupo mais alinhado ao presidente Jair Bolsonaro, que inclui Sabará, Zema e alguns deputados; e críticos do Planalto, como Amoêdo. Um grupo de WhatsApp chamado “Tentando Salvar o Novo”, que reuniu desafetos de Sabará durante a pré-campanha, contribuiu para acirrar os ânimos no diretório estadual da sigla.

Candidata a vereadora em São Paulo e alinhada a Sabará, Wafá Kadri usou as redes sociais para criticar a direção da sigla. “Jamais deixei de acreditar nas ideias do partido, mas tudo tem limite”, escreveu. “Cada vez mais faz sentido apoiar candidaturas independentes. Isso acabaria com as panelinhas e caciquismo.”

Imagem em conflito

Para o cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Mackenzie, os conflitos internos ajudam a entender o mau desempenho do Novo em 2020, mas a pandemia também é uma explicação. “O partido se constituiu numa perspectiva liberal, mas em 2018 essa ideia foi associada a Bolsonaro. Nos anos seguintes, ficou conflagrado por uma dificuldade de estabelecer uma identidade por causa disso. Além disso, não faz sentido falar em diminuir o Estado num momento de pandemia, em que se não fosse o Estado intervindo com auxílio emergencial e outras ações a situação estaria mais crítica. O discurso liberal perdeu espaço neste momento.”

A imagem no Novo pode sair prejudicada, de acordo com Cris Monteiro, vereadora eleita em São Paulo, onde a bancada do partido passou de um para dois representantes. “O partido está com uma imagem difusa na cabeça do eleitor. Afinal, apoiamos o governo Bolsonaro ou somos oposição? Essa falta de posicionamento pode ter feito o partido perder dos dois lados.”

O prefeito eleito pela sigla em Joinville (SC), Adriano Silva, exemplifica a falta de posicionamento claro de algumas lideranças do partido. Primeiro prefeito eleito pelo Novo, ele foi questionado pelo Estadão sobre o desempenho da sigla em 2020, o efeito das disputas internas e sobre como avalia os governos estadual catarinense e federal. Adriano se definiu como liberal na economia e conservador nos costumes e afirmou ter se dedicado tanto à campanha municipal que ficou “totalmente alheio” às questões internas do Novo, e não quis comentar sobre Bolsonaro ou Carlos Moisés. “Uma coisa é verdade. Romper a política atual no Brasil é ir contra o mecanismo”, disse.

O presidente da sigla, Eduardo Ribeiro, reconheceu que o imbróglio com Sabará em São Paulo prejudicou o desempenho na cidade e vê os conflitos internos como parte de um processo de crescimento a sigla. Ele aponta o aumento das bancadas do Novo em Belo Horizonte, onde agora são três vereadores do partido, e em São Paulo, como bons resultados neste ano. Em Curitiba (PR), a vereadora mais votada, Indiara Barbosa, é do Novo.

“O saldo foi bom, mas poderia ser melhor. Sabíamos das dificuldades de conjuntura, mas existia expectativa”, diz Ribeiro. “(Os conflitos) têm impacto grande. Mas a longo prazo, a coerência do partido vai prevalecer. Era um partido pequeno, que agora tem bancada na Câmara, um governador, um prefeito de capital.”

Número do Partido Novo nas eleições:

Em 2020: 620 candidatos (30 para prefeito e 560 para vereador); eleitos: um prefeito (Joinville/SC) e 29 vereadores.

Em 2018: 414 candidatos (presidente, cinco para governador, seis para senador, 228 para deputado federal, 125 para deputado estadual e 331 para deputado distrital); eleitos: um governador (Minas Gerais) e 21 parlamentares.

Em 2016: 144 candidatos (um para prefeito e 142 para vereador); eleitos: quatro vereadores.

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