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Cascavel

‘Fura-fila do SUS’: análise de celular indica que Ganso tentou dificultar produção de provas

Ouça o áudio onde ele orienta paciente sobre o que responder caso seja chamada a depor

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Arquivo/Câmara

Foi juntado ao processo que investiga a realização de uma cirurgia irregular pelo SUS a análise do celular do ex-vereador e ex-assessor parlamentar Jeovane José Machado, o Ganso sem Limite. O aparelho foi apreendido em ação policial no dia 2 de setembro.

A análise mostrou que, depois que tomou conhecimento da ação policial, Ganso tentou orientar a familiar de uma pessoa que havia feito cirurgia em Cascavel a dar determinado endereço e que apagou conteúdo de mensagens.

Pelo relatório, a avaliação é que Ganso tentou dificultar a produção de provas sobre o esquema criminoso para furar a fila do SUS.

Um dos casos diz respeito a uma conversa que ele teve com a filha de uma paciente que foi operada no Hospital Nossa Senhora da Salete. No endereço fornecido pela mulher reside há anos uma outra pessoa e a paciente operada aqui mora na cidade de Verê.

“Chama atenção o fato de que o endereço de duas pacientes aparecem como sendo na Rua Vitória Régia, Bairro Guarujá, em Cascavel, e nenhuma delas reside lá. Ressaltamos que esta rua possui aproximadamente 200 metros em toda sua extensão e quem reside lá são os pais do investigado Jeovane José Machado”.

A outra paciente que indicou a rua como local de residência citou um numeral que não existe e, na rua, pessoas consultadas não a conhecem. Em dados públicos ela também consta como residente em Verê.

Nas mensagens do celular de Ganso, no dia 31 de agosto, ele mandou áudios onde faz orientações à paciente sobre qual endereço citar. A análise é de que ele “tentou se antecipar ao curso da investigação policial”.

Ouça o áudio:

O próprio investigado se confunde ao enviar o áudio para a filha de uma mulher operada, mas passar o número de endereço que havia sido citado por outra paciente.

“Salienta-se que o flagrante ocorreu dia 17 de agosto e Jeovane Machado enviou mensagem com orientações no dia 31 do mesmo mês, quando a investigação já estava em curso”.

Nos mandados na casa dele foram encontrados diversos documentos em nome de terceiros e receitas médicas, que ainda estão sendo analisadas.

Foi encontrada ainda uma conversa de uma mulher cujos documentos foram encontrados com Ganso no aparelho sendo que ela, ao ser ouvida anteriormente negou conhecê-lo.

“Ao que tudo indica o investigado Jeovane Machado se tornou uma pessoa ‘influente’ no que tange aos atendimentos médicos em Cascavel. Ele intermediava consultas, exames e até cirurgias. Verificamos que em várias conversas os pacientes pediam para que ele ajudasse a conseguir atendimento, o que justifica o fato de várias cópias de documentos pessoais de terceiros terem sido encontrados durante a busca e apreensão na residência de Jeovane Machado”.

A perícia apurou ainda que depois da prisão de um ex-assessor Jeovane ficou cauteloso com conversas no whatsapp. Em um momento uma pessoa a procura pedindo para falar com urgência e ele pergunta se ela pode escrever e depois pega um telefone de alguém emprestado para que ela possa ligar.

“Isso demonstra que após o flagrante de I. recebendo dinheiro de uma paciente, Jeovane Machado ficou temeroso pois sabia que também seria alvo de investigação em razão do esquema montado para “furar-fila” de cirurgias eletivas e recebimento de dinheiro por atendimentos realizados pelo SUS”, diz trecho do documento da análise.

Há ainda uma conversa com o ex-vereador a qual a polícia teve acesso pelo celular de uma mulher, mas que não constava no celular de Ganso, comprovando que ele excluiu o conteúdo.

Relembre o caso

Em uma uma ação do Gaeco e da Polícia Civil, em agosto, um ex-assessor da Câmara de Vereadores foi detido logo após receber R$ 1 mil da filha de uma paciente que foi operada pelo vereador Jorge Bocasanta pelo SUS. O detido havia saído poucos dias antes do gabinete do vereador Parra depois de ficar 3 anos e sete meses nomeado na Câmara. Na ocasião, Ganso estava nomeado do Gabinete do vereador Jorge Bocasanta, que também é médico e foi quem fez a cirurgia alvo de questionamento.

Tanto a filha da paciente, quanto o homem detido disseram que Jeovane José Machado estava envolvido na situação. A filha da paciente relatou que quem está fazendo a cobrança seriam Ganso e o ex-assessor da Câmara. Já o detida disse que foi até o local a pedido Jeovane José Machado e que o valor seria para pagar anestesista. O ex-assessor detido foi solto depois de pagar uma fiança de R$ 20 mil.

Ganso, foi exonerado do gabinete de Bocasanta no dia 17 de setembro, cerca de um mês depois do caso vir à tona. Ele foi vereador em 2012 e na época chegou a responder por um processo de compra de votos relacionada à fila do Cisop. Na apuração da Câmara ele foi perdoado enquanto na Justiça ele foi condenado a um ano de reclusão, pena que foi convertida no pagamento de uma cesta básica.

A investigação policial do caso que veio à tona em agosto ainda não foi concluída e é conduzida pela Divisão Estadual de Combate à Corrupção.


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