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Discrição e patrocinadores explicam como São Paulo ‘tirou’ a Fórmula 1 do Rio

O Estadão conversou com fontes ligadas ao projeto do novo autódromo do Rio e à organização da prova paulista para entender os bastidores da negociação. A...

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Por Agência Estado

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A espécie de “Torneio Rio-São Paulo” travado entre as duas maiores cidades do País para receber a Fórmula 1 durou quase dois anos e ficou marcada por uma reviravolta nas últimas semanas até chegar ao anúncio desta quinta-feira, feito pelo governador paulista João Doria. Antes de São Paulo divulgar que assegurou a manutenção por mais cinco anos, era o Rio de Janeiro quem despontava como o preferido do grupo dono da categoria, o Liberty Media.

O Estadão conversou com fontes ligadas ao projeto do novo autódromo do Rio e à organização da prova paulista para entender os bastidores da negociação. A Fórmula 1 também foi procurada e disse que não poderia confirmar o acerto com São Paulo nem comentar o assunto por questões de sigilo comercial. Embora adversárias, as duas candidaturas brasileiras convergem em um mesmo relato: a categoria conversou com as cidades ao mesmo tempo.

Na última segunda-feira, a reportagem informou que a Fórmula 1 divulgaria o calendário de 2021 com a presença de São Paulo e a ressalva de que a prova em Interlagos dependeria de contrato. Na terça houve a divulgação oficial do cronograma e entre quarta e quinta as duas partes avançaram na finalização do acordo. Ainda não há informação sobre o valor proposto pela capital paulista para pagar a taxa de promoção.

“Eu nunca tive dúvida de que o GP Brasil de Fórmula 1 permaneceria em São Paulo e disse isso diversas vezes. Interlagos tem uma longa história. Esse know-how de quatro décadas é o que o evento em São Paulo apresenta de mais valioso”, disse o promotor do GP, Tamas Rohonyi. A partir de agora, a prova vai se chamar GP de São Paulo. A próxima corrida está marcada para 14 de novembro do próximo ano.

Mas se hoje São Paulo comemora o anúncio de Doria, há algumas semanas o cenário era diferente. O consórcio Rio Motorsports, responsável pelo projeto do autódromo carioca, despontava como favorito. Em junho, como contou o Estadão, a empresa encaminhou um acerto com a Fórmula 1, porém precisava resolver uma última pendência para concluir todo o trâmite. A liberação ambiental do empreendimento de R$ 700 milhões demorou bem mais do que o previsto. A negociação com as duas cidades foi levada durante os dois últimos anos.

Inicialmente, uma audiência pública presencial em março serviria para discutir o tema. O encontro acabou adiado por causa da pandemia do novo coronavírus e só foi realizado de forma virtual em agosto. O assunto não foi encaminhado rapidamente e em setembro o chefe da Fórmula 1, Chase Carey, resolveu agir. Em carta ao governador em exercício do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, o dirigente afirmou que para confirmar a prova só faltava a liberação ambiental. “Os acordos estão prontos para execução e anúncio por parte da Fórmula 1 assim que todas as licenças (ambientais) necessárias forem expedidas pelas autoridades relevantes”, escreveu.

Antes dessa carta, o Rio de Janeiro perdeu parte da força política na concorrência com o afastamento do governador Wilson Witzel do cargo. Ele era um dos principais apoiadores da projeto. Em dezembro do ano passado, Witzel liberou cerca de R$ 302 milhões em renúncia fiscal para ajudar no pagamento da taxa de promoção da corrida.

Mesmo com o prazo cada vez mais apertado para viabilizar o autódromo do Rio de Janeiro, em outubro a Fórmula 1 continuou confiante no projeto por mais um tempo. Tanto é que em reunião com dirigentes de equipes após o GP de Portugal, o calendário prévio de 2021 mostrava a prova no Rio, porém com a ressalva de que estava sujeita à finalização do contrato. Depois disso a negociação teve uma virada.

São Paulo nunca deixou de conversar com a Fórmula 1 ao longo dos meses. A postura foi de discrição. Representantes foram enviados à sede da categoria, em Londres, para várias reuniões e sempre ouviram o aviso de que havia também negociações com o Rio de Janeiro. No entanto, quem passou a ficar com mais pressa para definir logo o impasse foi a própria categoria.

A Fórmula 1 vive um ano difícil financeiramente. A diminuição na quantidade de provas causou em uma receita bem menor com taxas de promoção e vendas de ingressos. Então, os dirigentes passaram a se preocupar em compensar o impacto. A insegurança com o tempo para construir o autódromo de Deodoro pesou. A previsão inicial era de necessitar de 12 a 14 meses de trabalhos.

Junto disso, a categoria avaliou que deixar de lado o Brasil por causa da demora no Rio de Janeiro causaria ter menos provas no calendário de 2021. Com um cronograma menor, cotas de transmissão de televisão e verbas de patrocínio também despencariam. A Fórmula 1 admite o sufoco e no início do mês divulgou que teve no terceiro trimestre um prejuízo de R$ 570 milhões.

Agora em novembro a situação se encaminhou de vez para São Paulo por causa desse contexto. Vários patrocinadores de peso da Fórmula 1 têm o Brasil como um mercado importante para negócios e fazem questão de que a categoria tenha uma passagem pelo País. Pressionada pelas perdas financeiras e insegura sobre os prazos com o Rio de Janeiro, a F-1 intensificou as conversas com São Paulo.

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