Mix Brasil vai além da diversidade

Se é para celebrar a diversidade, que não sejam apenas a sexual e a comportamental. Outras mídias também são destaques na programação, e toda essa diversidade...

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Por Agência Estado

Começa mais um festival em tempos de pandemia, e a novidade é que o Mix Brasil de 2020 será híbrido – embora predominantemente remoto, terá sessões presenciais no Cinesesc, espetáculos teatrais no Centro Cultural da Diversidade e exposições em vários centros culturais espalhados por São Paulo. A abertura, nesta quarta, 11, terá show de Linn da Quebrada e a apresentação do longa As Mil e Uma, da argentina Clarissa Navas. No total serão apresentados 101 filmes de 24 países, mais as demais manifestações artísticas que acompanham o festival.

Se é para celebrar a diversidade, que não sejam apenas a sexual e a comportamental. Outras mídias também são destaques na programação, e toda essa diversidade poderá ser acompanhada de todo o Brasil – de graça – no endereço www.mixbrasil.org.br. Curadora, com André Fischer, Josi Geller diz: “Sentiremos falta do calor humano, do reencontro antes das sessões, mas o lado bom é a democratização do conteúdo do festival, que este ano estará acessível para todos, em todo o País”.

E Fischer: “A edição deste ano busca trazer uma mensagem de força e sorte como estímulo, para lembrar que tudo que está acontecendo vai passar e que sairemos mais fortes”. E ele acrescenta: “Encontramos essa potência na imagem da figa, símbolo-gesto europeu apropriado pelas religiões brasileiras de matriz africana. A comunicação visual deste ano surge a partir de trabalho original de Felippe Moraes, que o reproduziu especialmente para o festival, nas mãos de diversas pessoas”.

Diversidade

Mais de 100 títulos e alguns destacam-se desde logo como atrações muito especiais. Caru Alves de Souza, que há muito deixou de ser simplesmente a filha da cineasta Tata Amaral para se firmar como uma autora de personalidade, mostra no programa o filme que já levou ao Festival de Berlim, em fevereiro, Meu Nome É Bagdá. Garotas no universo do skate, tendo de enfrentar e superar o machismo que até há pouco fazia do esporte uma espécie de Clube do Bolinha.

Desde a sua estreia no longa com Gotas d Água em Pedras Escaldantes, o francês François Ozon tem abordado com frequência os temas ligados à comunidade LGBTQIA+. Amizade e morte permeiam seu cinema, como no recente Frantz. Ele conta agora, em Verão de 85, a história da atração de dois garotos. De cara, uma frase do diálogo refere-se a um deles como “futuro cadáver”. Até onde o amor e o sexo podem ser leves e livres? Quando começa a tentativa de apropriação e o afeto deixa de ser escolha para ser imposição? Há uma enquete criminal na trama, mas o xis da questão é o que faz um desses rapazes, o sobrevivente, dançar no túmulo do outro?

Nove títulos integram a competição brasileira, incluindo o já citado Meu Nome É Bagdá. Para Onde Voam as Cegonhas, de Eliane Caffé, Carla Caffé e Beto Amaral, e Valentina, de Cássio Pereira dos Santos, premiado na recente 44ª Mostra. Na seleção internacional, com curadoria de João Federici, estão filmes como o de François Ozon e outros que já passaram com êxito por outros festivais – I Carry You With Me, de Heidi Ewing, venceu o prêmio do público em Sundance; Língua Franca, de Isabel Sandoval, venceu o Queer Lisboa; Cured, de Bennett Singer e Patrick Sammon, eleito o melhor documentário pelo público no Frameline; A Morte Virá e Levará Teus Olhos, do chileno José Luis Torres Leiva, que ganhou uma menção em Mar Del Plata, e o novo Bruce LaBruce.

Baseado em Toronto, ele se tornou uma lenda do underground como ator, diretor, roteirista e fotógrafo. Seus filmes via de regra provocam escândalo, como Gerontofilia, de 2013, sobre um garoto, jovem e belo, que se dedica a cuidar de idosos terminais, com os quais faz sexo. Saint Narcisse é sobre homem que sempre pensou ser órfão de mãe. Ao descobrir que ela está viva, parte numa viagem de autoconhecimento. Encontra-a numa cabana na floresta, mas quem é esse garoto com quem ela vive em aparente intimidade?

A grande contribuição do Mix Brasil, ao longo desses 28 anos, tem sido questionar a tal normalidade. Neste ano atípico, o tema tende a render mesas-redondas bem instigantes. Todo ano o Mix presta uma homenagem. Quem a recebe agora é Márcia Pantera, que foi atriz de Marcelo Caetano em Corpo Elétrico.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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