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Imagem referente a ‘Coronelismo’: Dívida milionária gerou processo que terminou em tiros contra trabalhadores na Fazenda São Domingos

‘Coronelismo’: Dívida milionária gerou processo que terminou em tiros contra trabalhadores na Fazenda São Domingos

Empresa arrematou área após processo contra família de Orlando Padovani; ação durou 14 anos...

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Por Mariana Lioto

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Imagem referente a ‘Coronelismo’: Dívida milionária gerou processo que terminou em tiros contra trabalhadores na Fazenda São Domingos

Há alguns dias, equipes policiais foram mobilizadas até a Fazenda São Domingos, área em Cascavel que fica às margens da BR-277, na saída para Curitiba. O relato é que trabalhadores da empresa Nortox foram recebidos a tiros no segundo dia de trabalho para cercar a área. O imóvel de 36 alqueires, que antes era da família de Orlando Padovani, passou a pertencer a empresa após um processo judicial. O relato é que os tiros atingiram a caminhonete dos trabalhadores que deixavam o local sob ameaças e ninguém se feriu. Para a Nortox nova proprietária da área, no entanto, o caso é um episódio que lembra antigo ‘coronelismo’, mas em pleno século XXI.

Após o ocorrido, a CGN buscou saber qual foi a ação judicial que culminou no caso de violência registrado no final de outubro.

O processo da Nortox foi movido contra Fabio José Padovani, Elen Janaína Bocardi Padovani, Orlando José Padovani e Vilma Letícia Padovani e começou ainda em 2006, quando a empresa buscou executar uma dívida.

Consta que em 2004 a empresa vendeu produtos para controle de pragas, que foram usados na safra. A Nortox alegou que deixou de receber R$ 1.158.053,62. A defesa dos executados disse que houve quebra da safra e chegou a pedir para prorrogar o pagamento por cinco anos, com prazo de carência de 2 anos.

A discussão judicial foi longa, com vários recursos. Por conta da execução ajuizada para cobrança do débito dos devedores, o imóvel foi avaliado e adjudicado pela própria Nortox em 10 de maio de 2019, sendo que a imissão de posse foi dada recentemente.

O imóvel foi avaliado em R$ 4,1 milhões. Já o valor da dívida atualizado, conforme o processo, passa de R$ 7 milhões. Assim, a fazenda, só quitará parte da dívida e ainda restará um saldo devedor em aberto. A diretoria da empresa diz que ainda está deliberando sobre como será feita a cobrança do saldo devedor.

Para a Nortox, o fato de o processo ter demorado 14 anos para ter um desfecho “decorre da possibilidade dos devedores protelarem o processo por meio da interposição de diversos incidentes e recursos previstos na legislação, aliado à morosidade da Justiça por conta do excessivo volume de trabalho do Poder Judiciário”.

Boletim de Ocorrência

O relato do Boletim de Ocorrência diz que os funcionários da empresa chegaram para fazer a demarcação da área com mourões de madeira e foram recebidos a tiros por dois homens em posse de uma arma longa. Dois disparos atingiram o veículo, sendo um no capô e outro na roda dianteira. Diversas viaturas foram mobilizadas até a área e uma máquina agrícola foi atravessada na via, impedindo inclusive a passagem das viaturas. Consta também que o material levado para a demarcação sumiu. 

Segundo o BO, após a chegada da polícia, dois funcionários disseram que foram orientados pelo Sr. Orlando Padovani a fechar a via de acesso e esconder os mourões de madeira no mato.

O funcionário da Nortox chegou a declarar a Polícia Civil que os ocupantes da caminhonete estavam mascarados, somente com os olhos de fora, e chegaram a mandar os funcionários saírem dizendo que “o patrão não quer que vocês entrem aqui”. Os disparos teriam ocorrido quando eles manobravam o veículo para sair.

Seguranças na área

Atualmente a Nortox afirma que “está exercendo a posse mansa e pacífica de toda a área rural adjudicada no mencionado processo”, com presença de funcionários e equipe de segurança designada para permanecer diuturnamente no local.

A Nortox avaliou a situação  como um crime grave cometido contra seus prepostos e prestadores de serviços, “idealizada de forma violenta por aqueles que tinham como único objetivo causar temor e impedir o devido cumprimento de uma ordem judicial concessiva de direitos à Nortox”.

“Esse ato criminoso muito lembra o quanto tratado em obras literárias que relatam os tempos do coronelismo brasileiro, o que jamais se imaginou presenciar em pleno século XXI. As providências adotadas pela Nortox foram a imediata comunicação dos fatos às autoridades policiais competentes, bem como ao Ministério Público e ao Juízo do processo, assim como estabelecer no local uma equipe de seguranças, que como já dito, permanecerá no local diuturnamente por tempo indeterminado”, disse a empresa em nota.

Outro lado

A defesa, representada pelos advogados Luiz Fernando Stoinski e Rubens Júnior, informa que, por ora, não se manifestará sobre o caso e aguardará o final das investigações.

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