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In vino veritas – Por Caio Gottlieb

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Estremeceu as bases do mundo do vinho, especialmente as esferas mais sofisticadas que envolvem a degustação e a avaliação das safras, a revelação de uma história que traz de volta antigas dúvidas sobre a suposta capacidade dos ditos conhecedores da bebida saberem realmente o que estão ingerindo.

Renomada jornalista especializada no tema, Suzana Barelli relata assim o rumoroso caso:

“Em uma noite no Balthazar, um dos restaurantes mais badalados de Nova York, quatro empresários de Wall Street pediram um Château Mouton Rothschild 1989, o vinho mais caro da carta, vendido a US$ 2.000. Na mesa ao lado, um jovem casal escolheu o rótulo mais barato da lista, um pinot noir, disponível por US$ 18.

Os dois vinhos foram decantados e, por um erro de serviço, foram servidos trocados.

Os investidores, sem saber que estavam degustando um vinho baratinho, elogiaram o “frescor” do Mouton Rothschild, um dos cincos únicos Premier Cru de Bordeaux.

Sem a influência da marca, eles não perceberam que estavam degustando um pinot noir (que é a uva tinta da Borgonha) de uma safra recente e não um vinho elaborado com cabernet sauvignon, merlot e cabernet franc (as variedades desse Bordeaux) com seus esperados aromas de evolução”.

O fato ocorreu no longínquo ano 2000, mas só foi trazido a público agora por Keith McNally, dono da casa onde se deu o “incidente”.

Ele conta que, quando o equívoco foi descoberto, não havia o que fazer. Sua decisão foi não cobrar pelas garrafas, o que deixou as duas mesas felizes – principalmente o casal que esperava degustar um vinho barato.

Como era de se prever, o episódio vem causando enorme constrangimento à enologia na medida em que expõe a dificuldade do paladar e do olfato humanos de serem suficientemente refinados para julgar vinhos e descrever seus aromas e sabores, uma prática normalmente acompanhada de comentários rebuscados e esnobes.

Aliás, para aumentar ainda mais a polêmica, a questão reavivou o debate sobre os estudos da psicologia do gosto, iniciados nos anos 60 por Rose Marie Pangborn, que já naquela época provocaram abalos na reputação da indústria vinícola.

Ela mostrou que bastava adicionar um pouco de corante a vinhos brancos para deixar os especialistas completamente perdidos.

Logo na sequência, outros trabalhos provaram que, em copos escuros, estudantes de enologia não conseguem mais distinguir vinhos brancos de tintos e que basta trocar os rótulos das garrafas para que especialistas rasguem elogios a vinhos “objetivamente” medíocres.

A conclusão a tirar de tudo isso é uma só: vinho bom é o vinho que você gosta.

E, além do mais, gosto não se discute.

(Leia e compartilhe outras postagens acessando o site: caiogottlieb.jor.br)


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