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Em debate, Boulos e França escancaram briga por vaga no segundo turno

Nas duas vezes em que pôde escolher para qual candidato iria direcionar a sua pergunta, Boulos selecionou França. Entre as farpas trocadas, o peessebista chegou a...

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Por Agência Estado

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Dois dos três candidatos que disputam – segundo as últimas pesquisas de intenção de voto – uma vaga no segundo turno das eleições municipais em São Paulo, Guilherme Boulos (PSOL) e Márcio França (PSB), protagonizaram alguns dos poucos momentos de críticas mútuas no debate realizado pela revista Veja nesta sexta-feira, dia 6. De acordo com a pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta, o prefeito e candidato à reeleição Bruno Covas (PSDB) se isolou na liderança na disputa, com 28% das intenções de voto, enquanto Boulos e França têm 14% e 13%, respectivamente. Celso Russomanno (Republicanos), que tem 16% e vem caindo nas pesquisas, não compareceu ao debate, alegando conflito de agenda. O candidato foi sabatinado pelo jornal Folha de S.Paulo no mesmo horário.

Nas duas vezes em que pôde escolher para qual candidato iria direcionar a sua pergunta, Boulos selecionou França. Entre as farpas trocadas, o peessebista chegou a mencionar uma controvérsia envolvendo o currículo do adversário do PSOL. “Vi aí no teu currículo a história de que você declarou que estava dando aula em uma escola em que não estava, negócio meio torto. Pensei assim: ‘Será que o (Jair) Bolsonaro leva ele para ser ministro?’ Porque o Bolsonaro tem mania de pegar uns caras que fazem uns currículos meio tortos”, disse França, em referência a membros do primeiro escalão do governo federal que “inflaram” seus currículos, como a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves; o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles; o ex-ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez e o professor Carlos Alberto Decotelli da Silva – que chegou a ser nomeado ministro da Educação mas não assumiu.

Boulos acusou o adversário de fazer fake news. “Essa questão da escola está muito bem respondida. Sou professor, dou aulas e tenho vínculo”, afirmou. O candidato havia incluído em seu currículo Lattes uma atuação profissional na Universidade de São Paulo (USP) desde 2014, mas não havia especificado o vínculo e enquadramento funcional. Ao ser questionado sobre isso na época da controvérsia, em agosto, a assessoria do candidato esclareceu que Boulos foi bolsista da Capes de 2014 a 2016 e concluiu mestrado em Psiquiatria na Faculdade de Medicina da USP. O campo que ele havia preenchido não era destinado a bolsas estudantis, apenas a vínculos profissionais. Por causa da confusão, chegou a circular a notícia falsa segundo a qual o candidato seria funcionário fantasma da universidade, informação desmentida pelas agências de checagem.

Além de Covas, França e Boulos, estavam também presentes no debate Arthur do Val (Patriota), Jilmar Tatto (PT) e Joice Hasselmann (PSL). O prefeito, que está isolado na liderança das pesquisas, foi alvo de todos os presentes. Os demais postulantes fizeram dobradinhas entre si – quando tanto o debatedor que pergunta quanto o que responde se alinham para criticar uma terceira pessoa ou para elogiar um projeto.

Temas

Boulos e Arthur discutiram sobre a situação de imóveis abandonados no centro de São Paulo. Para o candidato do Patriota, o problema é o excesso de tombamentos. Ele propôs “flexibilizar leis de tombamento para dar uso e vida para o local”. O candidato do PSOL falou em transformar esses imóveis em moradia popular. “Muitos imóveis abandonados devem mais imposto do que o valor dele próprio”, disse.

A situação da população em vulnerabilidade social foi debatida por Covas, França e Joice. O ex-governador disse que vai mandar pessoas em situação de rua para pousadas e hotéis bancados pela Prefeitura. “Justiça social não se faz com utopia”, respondeu o prefeito. Joice prometeu “fazer mais com o mesmo orçamento” no cuidado às famílias em vulnerabilidade. “Dá para fazer isso esganando as máfias. Com isso, sobre mais dinheiro para colocar mais dinheiro na saúde e na educação”. França respondeu criticando Covas, ao afirmar que o dinheiro de obras como a fonte Anhangabaú, no centro, e de reformas em calçadas poderia ser usado para dar oportunidades a pessoas que estão nas ruas.

Joice criticou o prefeito Covas sobre a gestão de educação durante a pandemia. “A Prefeitura tem que dar conta de levar a educação para a casa da criança se necessário”. Covas afirmou que reverteu a tendência de queda do município no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e prometeu investir em turno nas escolas e contraturno em casa “com tablets com internet”. “Engraçado que a compra de tablets ficou para a campanha eleitoral”, disse Joice.

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