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Com Fed, Bolsa acentua ganhos e fecha em alta de 2,95%

Assim, os ganhos nas bolsas se distribuíram nesta quinta-feira da Ásia à Europa e aos Estados Unidos, com a B3 aproveitando a onda de apetite por...

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Por Agência Estado

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Com alguns estados ainda sem apuração definida, as iniciativas jurídicas da campanha de Donald Trump nas regiões em que o adversário Joe Biden obteve vantagem por pequena margem, como Michigan e Wisconsin, bem como naquelas em que a contagem prossegue com Biden à frente, como Nevada, ou em que a liderança do republicano vem diminuindo, como a Pensilvânia, não parecem ter afetado a confiança dos mercados globais de que um resultado claro para a eleição americana venha a ser alcançado sem muito atraso.

Assim, os ganhos nas bolsas se distribuíram nesta quinta-feira da Ásia à Europa e aos Estados Unidos, com a B3 aproveitando a onda de apetite por risco no exterior para emendar o terceiro ganho, desta vez de 2,95%, aos 100.751,40 pontos, após avanços de 1,97% e 2,16% nas sessões anteriores, uma sequência como não se via desde junho. A redução da percepção de risco levou o CDS de 5 anos do Brasil nesta tarde ao menor nível desde 10 de março, a 190, comparado a 203,8 pontos no fechamento de ontem.

A provável vitória de Biden contribuiu para que o Ibovespa recuperasse hoje a marca dos seis dígitos, algo que não ocorria desde 27 de outubro no intradia e desde 26 de outubro, no encerramento. Na máxima da sessão, o índice da B3 foi hoje aos 100.921,63 pontos, saindo de mínima a 97.872,27 e buscando o seu melhor nível de fechamento desde o último dia 26, então a 101.016,96 pontos. Em Nova York, os ganhos ficaram em torno ou acima de 2% no fechamento. Na B3, o giro financeiro foi de R$ 29,7 bilhões na sessão, com o Ibovespa acumulando ganho de 7,24% nesta primeira semana de novembro e reduzindo as perdas do ano a 12,88%.

Nesta quinta-feira, as indicações de que o Banco da Inglaterra e o Banco Central Europeu permanecem engajados na concessão de estímulos também condicionaram o sentimento positivo dos mercados desde cedo – à tarde, o mercado acompanhou o fim da reunião do Federal Reserve com especial atenção, no dia seguinte a se consolidar o favoritismo de Biden à Casa Branca, o que reforçou a expectativa para os comentários de Jerome Powell. Não por acaso, durante a entrevista do presidente do Fed, o Ibovespa seguiu renovando máxima da sessão, em alta de 3,12% no pico do dia.

“A recuperação econômica será mais forte com mais apoio fiscal, que pode fazer o que não podemos: substituir renda perdida”, disse Powell, no momento em que o Ibovespa renovava picos da sessão, logo após o presidente do Fed ter observado que “mais apoio provavelmente será necessário” a partir das políticas monetária e fiscal. Os comentários da autoridade monetária parecem reforçar o apelo para que novos estímulos sejam concedidos, mesmo em um Congresso futuramente ainda dividido entre democratas e republicanos. “Discutimos (hoje no Fomc) como podemos ajustar o QE (afrouxamento quantitativo) para fornecer mais acomodação, se necessário”, disse também Powell, na coletiva.

“O Fed afirmou que a atividade e o emprego seguem bem abaixo dos níveis do começo do ano, e se mantém comprometido a apoiar a recuperação da economia, utilizando toda gama de ferramentas monetárias para atingir esse objetivo. Ou seja, o BC dos EUA ainda tem lenha para queimar e fortalecer ainda mais o mercado via compra de títulos e outras medidas monetárias para destravar o crédito”, aponta Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

“Mesmo que a mudança de presidente (nos EUA) seja uma realidade, o que naturalmente traz volatilidade, o mercado está focado em dois aspectos: novo pacote de estímulos será liberado e a maioria republicana no Senado deve dificultar os planos de Biden de implementar mudanças drásticas na taxação das empresas”, observa o analista. “Em outras palavras, as incertezas sobre mudanças expressivas do lado legislativo e sobre programas que colocariam em xeque a saúde fiscal dos EUA foram mitigadas”, acrescenta.

Para Scott Hodgson, gestor de renda variável na Galapagos Capital, a vitória de Biden acompanhada de Congresso dividido entre democratas (maioria na Câmara) e republicanos (maioria no Senado) foi o melhor resultado que poderia se esperar para a eleição americana. “Com uma onda azul (Biden na presidência e maioria democrata em ambas as casas), provavelmente haveria aumento de impostos e mais regulação, embora, no curto prazo, a perspectiva também fosse favorável, com a possibilidade de estímulos maiores. De qualquer forma, a história mostra que, nos dois meses seguintes à eleição, seja com vitória democrata ou republicana, o mercado costuma subir”, acrescenta o gestor, que mantém viés favorável para a B3 neste fechamento de ano.

Com os ventos favoráveis do exterior, os ganhos voltaram a se distribuir bem por empresas e setores nesta quinta-feira, como commodities (Vale ON +1,58%, Petrobras PN +0,86%), utilities (Eletrobras PNB +3,93%) e bancos (Itaú PN +2,36%). Na ponta do Ibovespa, Ultrapar subiu hoje 15,09%, à frente de Cosan (+10,12%), Gol (+9,89%) e Azul (+9,50%). No lado oposto, CSN fechou em baixa de 2,15%, mesmo após a empresa ter reiterado, em comunicado ao mercado, que está comprometida com a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) do seu segmento de mineração, mantendo o cronograma original, “observando unicamente as condições de mercado adequadas para sua realização” – após rumor de que poderia ficar para 2021.

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