Indicado à Anvisa assinou contrato suspeito de irregularidade na Saúde
Roberto Ferreira Dias é diretor do Departamento de Logística em Saúde da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde. Nomeado na gestão de Luiz Mandetta, por indicação...
Publicado em
Por Agência Estado
Um dos novos nomes indicados pelo presidente Jair Bolsonaro para compor a Diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Roberto Ferreira Dias assinou um contrato de R$ 133,2 milhões do Ministério da Saúde que está sob suspeita de irregularidade e pode ser cancelado pela pasta. O ministério avalia abrir um procedimento interno para apurar a responsabilidade dos envolvidos no contrato.
Roberto Ferreira Dias é diretor do Departamento de Logística em Saúde da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde. Nomeado na gestão de Luiz Mandetta, por indicação do ex-deputado do DEM Abelardo Lupion, Dias assinou, em 21 de agosto, o contrato 250/2020 com a empresa Life Technologies Brasil Comércio e Indústria de Produtos para Biotecnologia Ltda, para a compra de 10 milhões de kits de materiais utilizados em testes de covid-19.
A suspeita de irregularidade no contrato foi informada ao Tribunal de Contas da União (TCU) pela Diretoria de Integridade (Dinteg) do próprio Ministério da Saúde. O tribunal está acompanhando as negociações e execuções de contratos relacionados à pandemia de covid-19. “Conforme explanado por um dos integrantes da Dinteg, a partir da documentação relacionada à contratação, é possível verificar a existência de indícios de irregularidades na contratação”, escreveu a equipe técnica do TCU em um relatório de acompanhamento das ações do Ministério da Saúde.
À reportagem, o ministério confirmou que a Diretoria de Integridade acionou os órgãos de controle, após ter identificado irregularidades no processo de aquisição dos kits para testes de covid-19, seguindo orientação do gabinete do ministro. “Cabe ressaltar que o contrato encontra-se em processo de anulação, visto que se deve observar os procedimentos administrativos, tais como contraditório e ampla defesa. Vale lembrar que, no momento, estão sendo apurados os fatos para possível abertura do processo de responsabilidade”, acrescentou a pasta.
Para ser confirmado diretor da Anvisa, Ferreira Dias precisa ter a nomeação aprovada pelo Senado. Ainda não há data prevista para a votação. Na última segunda-feira, dia 19, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou duas outras indicações feitas por Bolsonaro à Anvisa, do diretor-presidente Antonio Barra Torres e da diretora Cristiane Rose Jourdan Gomes.
No relatório do TCU, técnicos apontaram outros problemas no contrato, como, por exemplo, em relação à análise de um pedido de reconsideração da contratação, feito por outra empresa concorrente. “Chamou a atenção, ao longo do processo de aquisição, as diversas alterações na especificação do objeto a ser contratado, o que provocou diversas idas e vindas do projeto básico entre a área demandante e a área responsável pela compra para modificação desse documento, o que evidencia a falta de planejamento e coordenação por parte do Ministério da Saúde para a aquisição”, diz o TCU.
Além disso, TCU apontou ineficiência do Ministério da Saúde no planejamento e na articulação com os Estados e municípios para a realização de levantamentos sobre a necessidade de testagem da população, medida fundamental no enfrentamento da pandemia.
Roberto Ferreira Dias disse à reportagem que ele mesmo sugeriu, em 18 de setembro, a nulidade do contrato diante de “vícios” identificados. O contrato foi assinado cerca de um mês antes.
“Diante do questionamento sobre a habilitação técnica da empresa vencedora, que apresentou proposta 50% mais vantajosa para administração que a segunda colocada, o Diretor de Logística questionou a área técnica responsável pela habilitação, qual seja, CGLAB/SVS, que ao se manifestar através do parecer técnico 24/2020-CGLAB/DAEVS/SVS/MS ratificou ter habilitado de forma precária todas as propostas do certame com fins de aproveitar o que era mais necessário naquele momento de emergência, diferente do projeto básico publicado”, declarou Roberto Ferreira Dias. “Assim, diante deste posicionamento, não restou alternativa senão exercendo o poder de autotutela propor a nulidade do processo com consequente nulidade do contrato conforme Despacho DLOG/SE/MS datado de 18 de Setembro de 2020, cujo assunto era ‘Anulação do Contrato número 250/2020’.”
Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação
Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.
Participe do nosso grupo no Whatsapp
ou