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Imagem referente a Liquidez e digitalização ajudaram setor de startups

Liquidez e digitalização ajudaram setor de startups

Em razão do distanciamento social, muitas empresas tiveram de aprender a lidar com tarefas complexas pela internet – como contratar funcionários a distância, por exemplo. É...

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Por Agência Estado

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Entender como um ano de pandemia se tornou candidato a ser o melhor da história para as startups passa por compreender diversos fatores que mudaram o mercado. Para especialistas, a digitalização acelerada durante o período de isolamento social e a onda de liquidez causada pela mínima histórica da taxa Selic são os principais pontos.

Em razão do distanciamento social, muitas empresas tiveram de aprender a lidar com tarefas complexas pela internet – como contratar funcionários a distância, por exemplo. É um problema que a startup Acesso Digital, que recebeu aporte de R$ 580 milhões há um mês, pode resolver com uso de assinaturas digitais e biometria facial para ter certeza de que está tudo correto.

A digitalização fez também empresas tradicionais perceberem que precisavam se digitalizar – e comprar startups foi um caminho para isso. Foi o caso de Gerdau, Tigre e Votorantim que, juntas, adquiriram a Triider, uma espécie de “Uber das reformas”.

O consumidor também teve de aprender a comprar pela internet – o que impulsionou o e-commerce. Segundo relatório do fundo Atlantico, a penetração do e-commerce no varejo saltou 5 pontos porcentuais entre março e maio – o mesmo crescimento, em termos absolutos, registrado de 2009 a 2019. O movimento também ajudou startups que prestam serviços para o setor, como o unicórnio Vtex e a novata Keestra, de comércio exterior.

Identidades digitais

Em 2007, em início de carreira, Diego Martins tinha um sonho: ser presidente executivo (CEO) de uma empresa. “Eu trabalhava numa firma de gestão de documentos. Montei slides e fui vender um plano para os sócios. Deu errado, mas ali percebi que devia empreender para poder ser um executivo”, conta. O sonho deu certo 13 anos depois: ele comanda a Acesso Digital, startup que cuida de identidades digitais na internet e recebeu este ano um aporte de R$ 580 milhões liderado pelo SoftBank e pela General Atlantic.

A empresa utiliza tecnologia para facilitar o processo de identificação pela rede, usando biometria facial para ajudar a validar assinaturas digitais, pagamentos e contratos.

Era algo ainda incipiente antes da pandemia. Depois do primeiro trimestre, virou um negócio importante: de março a setembro, a Acesso Digital ajudou seus clientes – que incluem varejistas como Carrefour e Pernambucanas – a fazerem mais de 75 mil contratações, todas online.

O faturamento da empresa também aumentou em 28%. O crescimento foi, na visão de Martins, o que atraiu os investidores. “O que os fundos viram é que nós vamos ser a principal infraestrutura de transformação digital das empresas”, diz.

Com os recursos do aporte, a Acesso Digital pretende crescer em duas frentes: contratando pessoas e comprando empresas. Antes do cheque, a empresa já havia comprado a Meerkat, startup gaúcha de análise de imagens. Outras aquisições devem vir em breve, diz Martins, que lidera 250 pessoas. “Temos mais de 100 vagas em aberto e a meta é chegar a cerca de 450 pessoas até o final do ano que vem. O maior desafio vai ser achar os talentos”, diz.

Informações financeiras

Quando olhou para a legislação europeia de open banking em 2015, o empreendedor Ricardo Taveira entendeu que era questão de tempo para o sistema – que facilita o compartilhamento de informações financeiras de clientes entre as instituições – chegar ao Brasil. Foi dessa aposta que nasceu em 2016 a Quanto, fintech que atua nos bastidores do mercado financeiro. Em vez de desafiar os bancos, ela quer unir todos os jogadores do setor em uma única infraestrutura. A plataforma poderá ser usada para trocar dados facilmente e com segurança para, por exemplo, cotar empréstimos em várias instituições com um só clique.

A antecipação de Taveira lhe dá frutos agora: em setembro, a fintech recebeu uma rodada de investimento de US$ 15 milhões, liderada por Bradesco e Itaú, os dois maiores bancos privados do País. Ambos estão de olho em como usar o open banking, já regulamentado pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional. A implementação, feita em quatro etapas, deve começar em novembro.

“O ano que vem é quando tudo deve acontecer no setor”, diz Taveira, que vê no cheque uma mensagem para o mercado: “Não é comum ver bancos concorrentes atuando como investidores minoritários. Normalmente, vemos notícias de bancos adquirindo startups”, afirma.

O novo cheque vai permitir que a Quanto dobre sua equipe de 45 pessoas até o final do ano. Para faturar, a empresa cobra uma licença das empresas que quiserem receber os dados dos usuários. É uma corrida contra o tempo: hoje, a empresa avança na criação de arquiteturas e protótipos para a inovação bancária a tempo da estreia. “Temos um desafio muito grande em termos de tempo de entrega”, diz Taveira.

Reformas

Fazer uma reforma pode melhorar muito a vida dentro de casa, mas é um processo cheio de dor de cabeça – burocracia, imprevisibilidade, falta de confiança em profissionais. São problemas que a startup gaúcha Triider, uma espécie de “Uber das reformas”, tenta resolver.

Com presença em cinco cidades do Rio Grande do Sul, a empresa oferece mais de 50 serviços e uma rede de profissionais parceiros. Assim como no app de transportes, todo o processo é feito de forma digital: contato, orçamento e pagamento acorrem online.

A proposta da startup, que fica com uma comissão de 16% para intermediar os serviços de obras, acabou chamando a atenção de gigantes: em agosto, a empresa fundada por Juliano Murlick foi adquirida pela Juntos Somos Mais, uma joint venture entre Gerdau, Tigre e Votorantim.

Com a aquisição, a empresa está crescendo: vai saltar de 36 funcionários para 120 em seis meses. “Eles adquiriram a Triider, mas agora somos sócios: sabemos como escalar o negócio, e eles têm conhecimento do mercado”, diz Murlick, que criou a startup após ter trabalhado em empresas como Sicredi e Amazon.

Comércio exterior

Ao começar a trabalhar com comércio exterior, nos anos 2000, Isabel Nasser teve de lidar com uma área pouco habitada por mulheres. Quase 20 anos depois, ao mudar de vida, reencontrou o mesmo desafio no setor de tecnologia, muito masculino.

Desde 2016, Isabel é a presidente da Kestraa, que tenta resolver com tecnologia problemas de exportações e importações – uma área ainda pouco digital. “Fazer comércio exterior hoje é como ir ao banco nos anos 1980”, diz Isabel, de 38 anos. Sua plataforma centraliza dados de transportadoras, seguradoras e Receita Federal, ajudando a saber se haverá atrasos, por exemplo em processos.

A empresa já tem clientes como Ambev, Leroy Merlin e Evino. Em agosto, levantou R$ 15 milhões em um aporte liderado pelo fundo Canary.

Os recursos vão ser usados em dois projetos: implementar novas tecnologias, como blockchain e big data, e expandir a equipe. Há dois meses, a Kestraa tinha 30 funcionários. Até o fim do ano, serão 70.

O processo será feito com cuidado, diz Isabel. “Pessoas importam. Já ouvi de muitas meninas que entrevisto que é legal estar numa startup liderada por uma mulher. Também acho.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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