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Detalhes de um crime: polícia refez os passos dos sequestradores de Tamires

Trabalho da Polícia Rodoviária Federal foi fundamental para identificar criminosos...

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Por Mariana Lioto

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deu mais detalhes, nesta manhã (23), sobre o desfecho do sequestro da médica Tamires Regina Gemeli da Silva, que uniu as forças de segurança do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A jovem de Laranjeiras do Sul ficou cinco dias como refém.

Pelo relato dos delegados João Paulo de Abreu e Sander Ribas Cajal, é possível perceber o intenso trabalho policial para identificar os sequestradores. Aos poucos, cada passo foi sendo refeito. De início três pessoas foram presas. O mentor intelectual era o vigilante de um banco de Laranjeiras do Sul, onde o pai de Tamires é prefeito. Também houve participação de uma dona de casa.

Os sequestradores pressionaram a família com ligações para saber se eles estavam providenciando o dinheiro do resgate, solicitado em R$ 2 milhões. A jovem foi sequestrada na sexta-feira em Erechim. Quando o pai falou com a filha, no começo desta semana, o sequestrador chegou a dizer que a próxima ligação seria a última.

Para a Polícia Civil o grupo tinha um plano, mas não se tratava de uma quadrilha especializada neste tipo de crime.

A mulher que ficou com Tamires nos cativeiros foi identificada logo no início do sequestro.

Uma das primeiras vitórias foi identificar o veículo que os criminosos usaram seguindo de Laranjeiras do Sul para o Rio Grande do Sul. O veículo foi ao Rio Grande do Sul com cerca de dois dias de antecedência. O carro foi descoberto graças a um trabalho de análise de dados por parte da Polícia Rodoviária Federal.

Rapto

Todos os passos dos sequestradores foram refeitos nos momentos anteriores ao sequestro, até que a jovem foi raptada na saída do trabalho. Foi usado um canivete e não arma de fogo. A vítima foi levada para uma área de mata, amarrada e amordaçada. O veículo da vítima foi abandonado em outro local.

Primeiro cativeiro

O primeiro cativeiro foi em Itá-SC, onde um imóvel foi alugado por 30 dias, na área rural. Houve preocupação em trocar de veículo e em Chapecó-SC um Voyage foi alugado. O veículo não tinha vidros escuros e um lençol foi usado para ocultar a refém, que veio na parte traseira.

A polícia soube que quando deixaram o local houve a limpeza para evitar que pistas fossem deixadas, mas este cativeiro ainda não foi localizado.

As equipes acredita que no dia 19, quando os sequestradores trouxeram a vítima para Cantagalo-PR, o que houve foi uma readequação dos planos, pois os sequestradores perceberam que o cerco policial estava se fechando.

Em Cantagalo, o imóvel alugado era uma casa em estado de abandono. Apesar de o imóvel ser grande, Tamires ficou em uma cômodo pequeno, com cerca de dois metros quadrados. Diariamente os alimentos eram deixados na porta, para evitar contato visual.

A abordagem

Quando a locação do veículo Voyage foi identificada, dezenas de policiais em viaturas descaracterizadas estavam a postos na região para tentar identificar o sequestrador. Quando o veículo foi visto em Cantagalo houve a tentativa de abordagem. No carro estava o mentor intelectual do crime que tentou fugir, mas foi preso e não colaborou para indicar o cativeiro.

O cativeiro

Pela movimentação havia uma região que a polícia acreditava estar o cativeiro. Houve a suspeita ao imóvel e as equipes decidiram então decidiram arrombar o imóvel. O local foi arrombado e a vítima começou a gritar pelo socorro.

No momento que foi encontrada, Tamires ficou extremamente feliz e de imediato começou a contar os detalhes ao policiais.

A mulher que a acompanhava no cativeiro tentou fugir, mas foi encontrada pela polícia escondida em um terreno baldio. Esta sequestradora tinha filhos que estavam sendo cuidados por uma outra pessoa. A movimentação da mulher devido a esta preocupação com os filhos ajudou a polícia e elucidar o crime.

Motivação

O ideia do sequestro tendo como alvo esta família teria surgido há dois anos. No passado, os sequestradores chegaram a marcar uma consulta com o marido de Tamires, que é dentista, mas na ocasião o sequestro não foi concretizado.

O sequestrador teria planejado o crime para ‘deixar de ser empregado’. A ideia dele era lavar o dinheiro criando uma empresa.

Resgate

Com o desfecho, não houve pagamento do resgate. A Polícia articulou a investigação buscando que o pagamento não ocorresse, mas se fosse necessário, para garantir a segurança de Tamires, o valor seria pago.

Envolvimento

A Polícia Civil considera que todo o crime foi planejado e executado pelo vigilante e pela mulher que ficava no cativeiro. Um taxista e a mulher do mentor chegaram a ser detidos, mas a princípio não foram autores do crime. Até o momento não há provas contra eles e é possível que eles sejam colocados em liberdade já na manhã de hoje.

Em breve veja mais informações.

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