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Aliado de premiê japonês dá 1º passo para liderar o país

Suga, de 71 anos, foi secretário-chefe de gabinete durante os quase oito anos do mandato de Abe e já declarou que dará continuidade à política monetária,...

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Por Agência Estado

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Em uma eleição restrita a pouco mais de 500 representantes partidários, que excluiu a base do Partido Liberal Democrata (PLD), que governa o país, Yoshihide Suga, aliado de longa data do atual primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, venceu a disputa interna nesta segunda-feira, 14. A vitória abre o caminho para que Suga seja eleito o novo premiê em votação que deve ser realizada entre esta quarta, 16, e sexta-feira, 18, no Parlamento.

Suga, de 71 anos, foi secretário-chefe de gabinete durante os quase oito anos do mandato de Abe e já declarou que dará continuidade à política monetária, ao controle de gastos e à linha diplomática voltada para a aliança com os EUA – todas iniciativas que marcaram o governo do atual primeiro-ministro.

Conselheiro de Abe, Suga recebeu 377 votos, contra 89 do ex-ministro das Relações Exteriores Fumio Kishida e 68 do ex-ministro da Defesa Shigeru Ishiba. A eleição de ontem foi restrita 393 legisladores do PDL e 141 representantes da legenda em províncias. A vitória de Suga já era antecipada havia vários dias, levando em consideração o apoio recebido de diferentes grupos da sigla.

Uma votação mais ampla, com a participação das bases do partido, foi descartada pelos líderes do PLD, que alegaram que não haveria tempo de organizar uma disputa. O formato reduzido beneficiou Suga – a cúpula do partido o vê como sinônimo de estabilidade e continuidade da política de Abe.

“Um vácuo político não pode ser tolerado em meio à expansão da pandemia do coronavírus e da crise nacional. Temos de herdar e continuar os esforços do primeiro-ministro Abe”, declarou Suga, antes de destacar, em uma mensagem aos líderes políticos que o elegeram, que tem como “missão” prosseguir com o programa de governo do primeiro-ministro.

Abe, o premiê mais longevo da história do Japão, anunciou que deixaria o cargo por motivos de saúde no fim de agosto, faltando um ano de mandato. A renúncia formal deve ocorrer nesta quarta, 16.

Com 65 anos, Abe bateu recordes de permanência no cargo de primeiro-ministro – mais de oito anos em dois mandatos – e se recusou apoiar qualquer candidato. Após a votação de ontem, porém, expressou “apoio total” a Suga, que, segundo ele, “trabalhou de maneira dura e discreta pela nação e pelo povo” em seu cargo anterior no governo. “Vamos construir um Japão que brilhe e supere a crise do coronavírus com Suga como líder”, disse Abe.

Desafios

O próximo chefe do governo japonês terá de administrar uma série de desafios complexos. O Japão já estava em recessão antes da pandemia e muitas conquistas da política econômica do atual primeiro-ministro, cujas medidas ganharam o apelido de “Abenomics”, estão em risco.

Suga declarou que a recuperação da economia do país será uma prioridade absoluta, assim como a contenção do vírus, essencial para a celebração dos Jogos Olímpicos de Tóquio, que foram adiados para o ano que vem.

Os desafios diplomáticos também são importantes, sobretudo na preservação da aliança com os EUA e a condução das relações com a China – Pequim passou a ter de conviver com uma opinião pública mundial mais crítica após a propagação do coronavírus e os distúrbios políticos em Hong Kong.

“É um período difícil para o Japão, pois o governo americano está exercendo pressão sobre a China”, disse Makoto Iokibe, professor de história política e diplomática na Universidade de Hyogo. “Ao Japão não interessa simplesmente seguir o caminho de Washington e aumentar as tensões com os chineses.”

Futuro

Ainda não há informações se Suga convocará eleições legislativas antecipadas para consolidar sua posição e evitar que seja considerado um primeiro-ministro interino até a celebração da disputa, prevista para 2021, quando terminaria o mandato de Abe.

Várias autoridades governamentais mencionaram a possibilidade de uma votação antecipada para o Parlamento, talvez a partir do mês que vem, mas Suga não falou nada sobre o assunto.

Grande parte da oposição japonesa, que está fragmentada, estabeleceu um novo bloco na semana passada, em um sinal de que vai desafiar o Partido Liberal Democrata, que passou a maior parte das últimas seis décadas no poder. No caso de novas eleições, o partido governista será favorito, apesar de Suga não ser considerado um político muito carismático. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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