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Imagem referente a UFRJ: primeira e maior universidade do Brasil completa 100 anos
Coppe/UFRJ – Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

UFRJ: primeira e maior universidade do Brasil completa 100 anos

Para comemorar a data, instituição lança documentário ...

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Por Fábio Wronski

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Imagem referente a UFRJ: primeira e maior universidade do Brasil completa 100 anos
Coppe/UFRJ – Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A primeira universidade do país, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), completa 100 anos nesta segunda-feira (7).

Criada em 1920 com o nome de Universidade do Rio de Janeiro, a instituição surgiu da fusão de três escolas criadas depois da vinda da família real portuguesa para o Brasil, em 1808: a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, da área de engenharia, a Faculdade Nacional de Medicina e a Faculdade Nacional de Direito. Na década seguinte, se somaram a Escola Nacional de Belas Artes e a Faculdade Nacional de Filosofia, sob o nome de Universidade do Brasil.

Para comemorar a data, a instituição lança o documentário Centenária: a Universidade do Brasil entre duas pandemias, a partir das 17h de hoje, na página da universidade no YouTube. A abertura da cerimônia contará com a apresentação da Orquestra Sinfônica da UFRJ. Para amanhã (8), estão programadas, a partir das 8h40, mesas de debates, apresentações e intervenções artísticas de diversos departamentos.

Produção científica

Em um século de história e produção científica, os números alcançados pela instituição impressionam. A UFRJ é considerada a 2ª melhor universidade do Brasil e a 3ª da América Latina, tem cinco áreas de estudo entre as 100 melhores do mundo (antropologia, arqueologia, arquitetura/ambiente construído, estudos de desenvolvimento e línguas modernas), oferta 176 cursos de graduação, sendo 24 cursos noturnos e quatro a distância.

No total, são oferecidas, por ano, 9 mil vagas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), com as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Atualmente, a UFRJ conta com 53,5 mil estudantes de graduação.

Na pós-graduação são 15,7 mil estudantes, em 200 cursos de especialização lato-sensu, 130 de mestrados acadêmico e profissional e 94 de doutorado. O corpo de profissionais conta com 4.218 docentes, 3.611 técnicos-administrativos que atuam em hospitais e 5.542 técnicos-administrativos nas demais unidades da UFRJ. Na área de extensão universitária, são 1.863 projetos pedagógicos, atividades artísticas e cursos para a população.

A UFRJ conta com 14 prédios tombados como patrimônio histórico, 1.456 laboratórios, 45 bibliotecas, 13 museus e nove unidades de saúde. A instituição abriga o maior centro de ensino e pesquisa em engenharia da América Latina, o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), e o tanque oceânico mais profundo do mundo para testes de equipamentos da área de petróleo e gás offshore.

Pandemia

Uma das principais instituições científicas do país, a UFRJ se adaptou rapidamente para responder às demandas urgentes da sociedade com a pandemia de covid-19.

A reitora, Denise Pires de Carvalho, explica que a capacidade de pesquisa e adaptação vem da longa jornada em busca da excelência científica pela instituição.

“Nós não tínhamos nenhum grupo de pesquisa trabalhando com coronavírus na UFRJ. Nenhum. E temos agora mais de 120 projetos de pesquisa em coronavírus em menos de 6 meses. Isso é a característica de uma instituição de pesquisa, ela responde rapidamente às demandas da sociedade. Um grupo que trabalhava com zika, com HIV, agora está trabalhando também com coronavírus. Se esse grupo não existisse, era praticamente impossível termos os novos teste sorológicos”, avalia.

Um desses grupos de pesquisa é o do professor Jerson Lima, do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis, que trabalha com proteínas envolvidas no câncer e proteínas de vírus como o Zika e o da Influenza. Com a pandemia, o foco se voltou para o SARS-CoV-2, vírus que causa a covid-19, e o resultado é um soro produzido por cavalos com cem vezes mais anticorpos do que o de pacientes da doença.

O material pode auxiliar no tratamento da covid-19, assim como o soro antiofídico funciona para picada de cobra e o soro antirrábico para mordida de animais.

“A vacina é uma imunização ativa, usa o vírus ou pedaço do vírus e vai gerar a resposta imune, os anticorpos. O soro é uma imunização passiva. Nós estamos imunizando os cavalos, para nossa surpresa, eles estão produzindo muito anticorpo. Esse material é processado para ficar só com uma parte do anticorpo, que reage com o vírus. Provavelmente, ele vai servir para tratar aquele paciente que foi para a enfermaria, está recebendo um pouco de oxigênio suplementar e o soro vai ter um efeito importante de combater a infecção”, explica o professor.

O potencial do tratamento foi verificado em testes pré-clínicos, feitos em laboratório, e, no momento, a equipe dialoga com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar os testes clínicos, com pacientes, onde será verificada a eficácia, dosagem e recomendação do tratamento.

Presente

Em meio a enormes desafios, principalmente, a pandemia de covid-19, e inúmeras contribuições para as ciências e a pesquisa no país, em todas as áreas de conhecimento, a UFRJ enfrenta cortes de orçamento e dificuldades para manter a infraestrutura de pesquisa conquistada e consolidada neste século de história.

Segundo a reitora, os cortes orçamentários dos últimos anos fizeram o déficit da UFRJ alcançar R$ 150 milhões no ano passado, com perspectivas de a universidade receber R$ 65 milhões a menos em 2021.

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