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Juros caem em reação a repasse do BC ao Tesouro e apetite ao risco no exterior

Agentes do mercado citam ainda uma trégua na tensão envolvendo o risco de saída do ministro Paulo Guedes do governo como fator de estímulo à retirada...

Publicado em

Por Agência Estado

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Os juros futuros fecharam a sessão regular desta sexta-feira, 28, em queda firme, mais acentuada nos vencimentos longos, que melhor captam as influências do cenário fiscal e externo. A principal delas veio da decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN), na quinta, de autorizar o repasse de R$ 325 bilhões do lucro do Banco Central para o Tesouro, o que deve dar maior conforto nas emissões de dívida. Somado a isso, o dia foi muito positivo para ativos de economias emergentes, ainda em função da decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano)de alterar sua política monetária, o que derrubou o dólar para perto dos R$ 5,40.

Agentes do mercado citam ainda uma trégua na tensão envolvendo o risco de saída do ministro Paulo Guedes do governo como fator de estímulo à retirada de prêmios. Apesar da queda das taxas, as apostas de alta da Selic ainda este ano seguem presentes na precificação da curva.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou em 2,82%, de 2,873% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2023 passou de 4,114% para 4,01%. O DI para janeiro de 2025 terminou com taxa de 5,82%, de 5,984% no ajuste anterior, e o DI para janeiro de 2027 encerrou com taxa na mínima, de 6,78%, de 6,963% na quinta.

Na avaliação dos players, mesmo não sendo os R$ 445 bilhões pretendidos inicialmente pelo Tesouro, o repasse dos R$ 325 bilhões do BC dá um respiro importante para a gestão da dívida, o que favoreceu hoje tanto o fechamento da curva do DI quanto a queda das taxas no mercado secundário de títulos. O aumento dos gastos com a pandemia elevou a necessidade de financiamento do Tesouro, que viu seu caixa pressionado, passando a emitir dívida mais curta e mais cara, em função da deterioração da percepção de risco fiscal.

Uma melhora mais consistente da percepção fiscal, porém, depende de como o governo vai encaminhar a pressão pelo aumento de despesas que coloca em risco o teto dos gastos. A informação, ainda não oficializada, de que o valor do auxílio-emergencial passará a ser de R$ 300 como queria o presidente Jair Bolsonaro foi bem recebida, na medida em que o mercado aposta que Paulo Guedes conseguirá acomodar o desejo do presidente de forma responsável. Quanto ao Renda Brasil, a expectativa é de que fique para outro momento, com a equipe econômica ganhando tempo para arrumar receitas.

Nesses acertos, o mercado percebe, ainda, uma certa acomodação do ruído em torno de uma eventual saída de Guedes do governo. “Não tivemos mudança em termos de fundamentos, mas o que mudou foi percepção sobre saída de Guedes. Parece que ele estava fazendo as malas, mas agora acalmou, e isso ajuda a distensionar a curva”, afirmou o operador de renda fixa da Terra Investimentos Paulo Nepomuceno.

Mesmo com a queda firme das taxas, a curva segue projetando alta para a Selic nos próximos meses, com precificação de 21 pontos-base até o fim do ano. Em setembro, há 20% de chance, e para outubro, 20% também. Para dezembro, a curva mostra 40% de chance de alta de 0,25 ponto porcentual, segundo números do Haitong Banco de Investimento.

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