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Menos acidentes, mais mortes: o que está acontecendo no trânsito de Cascavel?

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Foto: Reprodução/CGN

Por Redação CGN

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O trânsito de Cascavel apresenta um contraste preocupante em 2026. Enquanto os registros de acidentes com vítimas diminuíram, o número de mortes aumentou quase 40% nos primeiros nove meses do ano. Foram 50 vidas perdidas entre janeiro e setembro, contra 36 no mesmo período de 2025. Isso significa que 14 pessoas a mais morreram em ocorrências de trânsito no município.

Os números fazem parte de um levantamento que reuniu informações do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

A comparação chama atenção porque os indicadores seguem direções diferentes: as mortes aumentaram 38,9%, enquanto os registros classificados como acidentes com vítimas na base estadual utilizada pelo levantamento caíram 21,1%.

Mortes no trânsito: 2025 x 2026

  • 202536
  • 202650
Janeiro a setembro de cada ano. Fonte: Crime Brasil, dados Sinesp VDE (indicador estadual para Cascavel). Saiba mais em Crime Brasil. Valores absolutos de registros.

Mas o que esses números realmente mostram sobre a segurança de quem circula pelas ruas e rodovias de Cascavel?

Uma morte no trânsito a cada cinco dias

Entre janeiro e setembro de 2026, Cascavel registrou 50 mortes no trânsito, de acordo com os dados estaduais apresentados no Sinesp.

O número representa, em média, uma morte a cada 5,5 dias durante os 273 dias analisados.

Em 2025, no mesmo intervalo, foram 36 mortes. A diferença equivale a um crescimento de 38,9% de um ano para o outro.

A distribuição mensal mostra que agosto teve o maior número de mortes em 2026, com oito registros.

Mortes no trânsito mês a mês — 2026

  • Janeiro7
  • Fevereiro4
  • Março7
  • Abril4
  • Maio6
  • Junho2
  • Julho5
  • Agosto8
  • Setembro7
Janeiro a setembro de 2026. Fonte: Crime Brasil, dados Sinesp VDE. Saiba mais em Crime Brasil. Valores absolutos de registros.

Agosto, portanto, foi o mês com maior número de vítimas fatais no período, enquanto junho apresentou o menor total.

É importante destacar que os números do Sinesp utilizados nesta comparação representam o indicador de mortes no trânsito informado ao sistema nacional, conforme a classificação e os critérios da base.

Acidentes com vítimas diminuíram 21,1%

O levantamento também reúne dados estaduais classificados como acidentes com vítimas.

Foram 590 registros de janeiro a setembro de 2026, contra 748 no mesmo período do ano anterior.

Acidentes com vítimas registrados

  • 2025748
  • 2026590
Janeiro a setembro de cada ano. Fonte: Crime Brasil, base identificada no arquivo como DETRAN-PR/BATEU. Classificação e abrangência devem ser confirmadas com a fonte. Saiba mais em Crime Brasil. Valores absolutos de registros.

A diferença é de 158 ocorrências a menos, o equivalente a uma redução de 21,1%.

Já os acidentes sem vítimas passaram de 3.609 para 3.720 registros, aumento de 3,1%.

Acidentes sem vítimas registrados

  • 20253.609
  • 20263.720
Janeiro a setembro de cada ano. Fonte: Crime Brasil, dados DETRAN-PR/BATEU. Saiba mais em Crime Brasil. Valores absolutos de registros.

Veja a comparação:

  • Mortes no trânsito: 36 em 2025 e 50 em 2026 — aumento de 38,9%.
  • Acidentes com vítimas: 748 em 2025 e 590 em 2026 — redução de 21,1%.
  • Acidentes sem vítimas: 3.609 em 2025 e 3.720 em 2026 — aumento de 3,1%.

Embora os números indiquem tendências diferentes, eles não permitem concluir, isoladamente, que os acidentes ficaram mais graves.

Isso porque as estatísticas de mortalidade e os registros de acidentes são provenientes de sistemas com diferentes critérios de contabilização e abrangência.

Para identificar as causas do aumento das mortes, seria necessário analisar os boletins das ocorrências fatais, suas circunstâncias, os tipos de veículos envolvidos e outros fatores.

Nas rodovias federais, acidentes aumentaram 26%

Acidentes nas rodovias federais

  • BR-277145
  • BR-16351
  • BR-36932
  • BR-46724
Janeiro a agosto de 2026, trechos de Cascavel. Fonte: Crime Brasil, dados PRF. Saiba mais em Crime Brasil. Valores absolutos de registros.

Outro dado que chama atenção está nas rodovias federais que passam por Cascavel.

Segundo as informações da Polícia Rodoviária Federal reunidas no levantamento, foram 252 acidentes entre janeiro e agosto de 2026, contra 200 no mesmo período de 2025.

O aumento foi de 26%.

Entretanto, o número de mortes nessas rodovias apresentou uma pequena redução: passou de 12 para 11.

Esse indicador utiliza um período diferente dos dados municipais anteriores, pois considera somente janeiro a agosto.

BR-277 concentra o maior número de acidentes

Entre as rodovias federais analisadas, a BR-277 aparece com a maior quantidade de acidentes no trecho de Cascavel.

Confira os registros de janeiro a agosto de 2026:

  • BR-277: 145 acidentes e 2 mortes.
  • BR-163: 51 acidentes e 5 mortes.
  • BR-369: 32 acidentes e 4 mortes.
  • BR-467: 24 acidentes e nenhuma morte registrada.

Embora a BR-277 tenha o maior número de acidentes, a BR-163 lidera a quantidade de mortes entre as quatro rodovias apresentadas.

A comparação reforça que a quantidade de acidentes e o número de vítimas fatais nem sempre seguem a mesma tendência.

Avenida Brasil lidera registros de acidentes com vítimas

Nas vias urbanas de Cascavel, a Avenida Brasil aparece na primeira posição do levantamento de acidentes com vítimas, com 28 registros entre janeiro e setembro de 2026.

Na sequência estão a Avenida Carlos Gomes, com 16, a Avenida Tancredo Neves e a Rua Presidente Kennedy, ambas com 15 ocorrências.

Vias com mais acidentes com vítimas

  • Avenida Brasil28
  • Avenida Carlos Gomes16
  • Avenida Tancredo Neves15
  • Rua Presidente Kennedy15
  • Rua Cuiabá13
  • Rua Paraná13
  • Avenida Tito Muffato11
  • Avenida Piquiri11
  • Rua São Paulo11
  • Rua General Osório10
Janeiro a setembro de 2026. Fonte: Crime Brasil, base identificada como DETRAN-PR/BATEU. Confirme classificação e cobertura dos registros com a fonte. Saiba mais em Crime Brasil. Valores absolutos de registros.

Os números representam a quantidade absoluta de registros atribuídos a cada via e não significam, necessariamente, que esses locais apresentem maior risco proporcional de acidentes.

O fluxo de veículos, a extensão das vias e as características do trânsito são fatores que precisam ser considerados nessa avaliação.

O que explica o aumento das mortes?

O levantamento revela uma mudança relevante nos indicadores do trânsito de Cascavel, mas não identifica uma causa única para o aumento das mortes.

Entre as questões que precisam ser investigadas estão as circunstâncias dos acidentes fatais, os locais onde aconteceram, os veículos envolvidos e as condições de circulação.

Os dados também mostram que não é possível tratar o trânsito urbano e as rodovias federais como se fossem um único conjunto estatístico.

Enquanto o indicador municipal de mortes cresceu 38,9% de janeiro a setembro, as ocorrências nas rodovias federais tiveram aumento de 26% entre janeiro e agosto, mas com redução de 12 para 11 no número de mortes.

A análise exige atenção aos diferentes períodos e critérios utilizados pelas instituições responsáveis pelas informações.

O levantamento foi elaborado pelo Crime Brasil, com base em informações de órgãos oficiais, e permite acompanhar a evolução dos registros de trânsito em Cascavel.

Os números reforçam a importância de acompanhar não apenas a quantidade de acidentes, mas também as consequências dessas ocorrências para motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.

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