Após quase 40 anos, fundador deixa presidência do sindicato metalúrgico de Cascavel
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Por Redação CGN
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Uma história que começou na década de 1980 e acompanhou quase quatro décadas de transformações na indústria de Cascavel chega a um novo capítulo. Fundador e primeiro presidente do sindicato que representa as indústrias metalúrgicas, mecânicas e de material elétrico do município, Eliseu Avelino Zanella deixa a presidência da entidade e transmite o cargo a Marcos Flávio Frazão.
A mudança encerra um longo ciclo de liderança. Zanella participou diretamente da criação, organização e consolidação do sindicato, em uma época em que os empresários do setor precisavam recorrer a Curitiba para tratar de questões relacionadas à representação industrial.
Ao longo dos anos, enfrentou negociações trabalhistas, mudanças na economia e transformações na legislação, enquanto também ocupava posições de destaque em entidades representativas da indústria paranaense.
A trajetória é marcada por uma frase que resume o significado dessa transição:
“Quando começamos, tínhamos um projeto. Hoje, entregamos uma história.”
Como nasceu o sindicato metalúrgico de Cascavel
Para compreender a importância dessa mudança, é preciso voltar à década de 1980, quando Cascavel ainda buscava ampliar sua estrutura de representação empresarial.
Naquele período, as indústrias metalúrgicas do município eram representadas pelo Sindimetal de Curitiba. A distância da capital e a necessidade de acompanhar mais de perto as demandas locais incentivaram empresários a buscar uma organização própria.
O movimento recebeu o apoio de Gilberto Borges, então presidente do Sindimetal de Curitiba, que incentivou a criação de uma entidade regional.
O primeiro passo ocorreu em 18 de dezembro de 1986, com a fundação da Associação Profissional das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Cascavel.
Em 10 de agosto de 1988, foi fundado o sindicato, que obteve registro perante o Ministério do Trabalho em 13 de agosto de 1990.
Eliseu Avelino Zanella assumiu a presidência da primeira diretoria e permaneceu na liderança durante quase quatro décadas.
A formação inicial da entidade contou com empresários que participaram da organização do setor industrial. Entre os integrantes da primeira diretoria e do Conselho Fiscal estavam Rovilio Mascarello, Dércio Galafassi, Marcos Roberto Teixeira, Tranquilo Vanzin, Adelino Coelli, Altair Venturin da Silva, Arcimedes Pedro Pedrobon, Geni Lago, Francisco Renz, Agenor Tombini e Giovani Mattei.
O trabalho desenvolvido naquele período estabeleceu as bases da representação sindical patronal que seria mantida nas décadas seguintes.
Greves, negociações e mudanças na indústria
A presidência de Zanella atravessou diferentes momentos da economia brasileira.
Nas décadas de 1980 e 1990, o setor industrial conviveu com greves, mobilizações sindicais e negociações coletivas intensas.
Em Cascavel, parte dessas negociações envolvia representantes dos trabalhadores vindos de Curitiba e São Paulo, exigindo articulação dos empresários locais para defender seus interesses.
Ao longo desse período, a entidade também precisou se adaptar às mudanças econômicas, industriais e legislativas que alteraram as relações entre empresas e trabalhadores.
Apesar das divergências naturais entre representantes patronais e sindicatos de trabalhadores, Zanella adotou uma postura de diálogo.
Em sua trajetória, procurou tratar as entidades trabalhistas como interlocutoras nas negociações, e não como inimigas, reconhecendo a importância de empresários e trabalhadores para o desenvolvimento da indústria.
Essa convivência permitiu a construção de relações profissionais ao longo dos anos, mesmo diante de interesses diferentes nas mesas de negociação.
Uma liderança que ultrapassou Cascavel
A atuação de Eliseu Zanella não ficou restrita ao sindicato metalúrgico.
Ao longo de sua trajetória, também exerceu a função de coordenador da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) em Cascavel e ocupou a vice-presidência da federação em diferentes gestões.
A participação nessas estruturas ampliou sua atuação nas discussões sobre os interesses da indústria paranaense.
Outro capítulo importante ocorreu entre 2022 e 2024, quando assumiu a presidência do Sindicato da Indústria de Material Plástico no Estado do Paraná.
Durante esse período, acumulou a liderança da entidade estadual com a presidência do sindicato metalúrgico de Cascavel.
A experiência representou a passagem de um empresário com trajetória construída no interior para o comando de uma organização com abrangência estadual.
Mesmo diante das responsabilidades de administrar suas atividades empresariais e participar de diferentes entidades, Zanella manteve o envolvimento com a representação industrial.
Atualmente, permanece na diretoria do sindicato estadual do setor plástico, no cargo de vice-presidente.
Amizades construídas ao longo de décadas
A trajetória de quase 40 anos também foi marcada por relações pessoais que ultrapassaram as atividades sindicais.
Entre elas está a amizade com Francisco Carlos Strzalkowski, que ocupou durante muitos anos a vice-presidência do sindicato metalúrgico de Cascavel.
A convivência profissional entre os dois se transformou em uma amizade duradoura, construída ao longo de anos de trabalho e participação nas atividades da entidade.
Para Zanella, a atuação coletiva sempre esteve associada à necessidade de reunir empresários em torno de objetivos comuns.
Essa visão do associativismo esteve presente em sua participação em organizações regionais e estaduais, com a defesa da cooperação como instrumento para enfrentar desafios compartilhados pelas empresas.
Marcos Flávio Frazão assume a presidência
Com a saída de Eliseu Avelino Zanella, a presidência do sindicato metalúrgico de Cascavel passa a ser exercida por Marcos Flávio Frazão.
O novo presidente assume uma entidade fundada em 1988, cuja trajetória acompanha parte importante das transformações da atividade industrial no Oeste do Paraná.
A transmissão do cargo representa uma renovação na direção, mantendo a continuidade institucional de uma organização criada para aproximar a representação sindical das empresas da região.
Para Zanella, o encerramento da presidência não significa o afastamento completo das atividades associativas.
Sua atuação continua por meio da vice-presidência do sindicato estadual do setor plástico, preservando o vínculo com a representação da indústria paranaense.
Depois de participar da fundação de uma entidade, presidi-la durante quase quatro décadas e ocupar cargos de liderança em organizações estaduais, Zanella encerra um dos capítulos mais longos de sua trajetória profissional.
A história iniciada com a organização dos empresários metalúrgicos de Cascavel, na década de 1980, segue agora sob uma nova presidência.