Uso de melatonina em fitas ou em gomas NÃO é autorizado no Brasil
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Por Diego Cavalcante
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Ela está nas prateleiras, nos anúncios das redes sociais e na conversa de quem passa a noite olhando para o teto: a melatonina, o famoso hormônio do sono. Nas redes sociais, ganharam espaço versões em fita ou filme e goma mastigável, vendidas como solução rápida para a insônia. Mas cuidado: essa promessa NÃO tem aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ou seja, não houve avaliação de segurança e eficácia para verificar como funcionam estas formas de uso, sua quantidade de absorção e efeito no organismo.
O que é a melatonina?
É um hormônio que o próprio corpo produz, principalmente no cérebro. Quando anoitece, o organismo aumenta sua produção e avisa que é hora de desacelerar. A melatonina também aparece em pequenas quantidades em vegetais, como morango, cereja, uva, banana e tomate, alguns cereais, carnes, leite de vaca e derivados.
Melatonina pode ser vendida como suplemento?
Pode, desde que sejam cumpridas as regras regulatórias. Desde 2021, a Anvisa permite o uso da melatonina em suplementos alimentares, mas APENAS para adultos a partir de 19 anos e com limite de 0,21 mg por dia. Essa quantidade é compatível com a ingestão por meio de uma alimentação saudável e próxima ao que o corpo produz.
O rótulo dos suplementos alimentares à base de melatonina deve conter alertas de que o produto NÃO deve ser consumido por gestantes, lactantes, crianças e pessoas que exercem atividades que exigem atenção constante, como dirigir.
E tem um detalhe importante: NÃO há evidência de que a quantidade autorizada produza efeitos diretos na regulação do sono. Para fazer este tipo de alegação, é preciso que a empresa fabricante do produto à base de melatonina comprove à Anvisa, por meio de estudos científicos que, ao consumir esta quantidade da substância, são observados efeitos benéficos.
E a pastilha sublingual de melatonina?
No contexto dos suplementos, as formas sublingual e em filme sob a língua de melatonina NUNCA passaram por avaliação de segurança, qualidade e eficácia na Anvisa. Estes estudos devem ser apresentados pela indústria e são importantes para prevenir que a suplementação não vai incorrer em riscos de superdosagem, por exemplo.
Por isso, a Agência já agiu. Em fevereiro de 2026, a Resolução 758 da Anvisa determinou o recolhimento e suspendeu a fabricação, a venda, a distribuição, a importação, a propaganda e o uso do produto “Melatonina Sublingual em Gotas Sabor Maracujá”, da empresa Vita Be Cosméticos Ltda. (Renova Be).
Os motivos foram o uso de um ingrediente não avaliado para a via sublingual e a divulgação de promessas terapêuticas não aprovadas, como prevenir insônia e regular o ciclo do sono.
O entendimento da Anvisa é de que suplementos de melatonina sublinguais precisam de avaliação específica de segurança. Sem ela, esses produtos podem ser alvos de medidas sanitárias.
Como se proteger
- Desconfie de produto que promete “acabar com a insônia” ou “dormir em minutos”
- Confira se o rótulo informa “suplemento alimentar” e respeita o limite de 0,21 mg por dia
- Evite produtos importados ou vendidos sem procedência, que costumam ter doses muito acima do permitido no Brasil
- Se o sono vai mal há bastante tempo, procure um profissional de saúde. Insônia persistente pode ter várias causas e cada uma delas exige abordagens diferentes
Dormir bem é importante, mas sem cair em promessa milagrosa. Na dúvida, consulte o Portal da Anvisa antes de comprar.