“Esses aviões não cai, pq Deus gosta muito da gente”: mensagem vem à tona após tragédia da Voepass
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Por Redação CGN
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Uma perícia realizada no celular de uma comissária de bordo morta na queda do avião da Voepass revelou conversas sobre problemas em aeronaves da companhia antes da tragédia que matou 62 pessoas em 9 de agosto de 2024. O voo 2283 havia decolado de Cascavel, no oeste do Paraná, com destino a Guarulhos (SP), mas caiu em Vinhedo, no interior paulista. As novas informações foram divulgadas pelo g1 nesta quarta-feira (4).
Entre as mensagens identificadas está uma conversa de 22 de novembro de 2022 entre o mecânico Alex de Souza Leandro e a comissária Rúbia Silva de Lima, uma das vítimas do acidente.
Na ocasião, aproximadamente 21 meses antes da queda, o mecânico escreveu: “Esses aviões não cai, pq Deus gosta muito da gente”. A mensagem foi reproduzida pelo g1 com a grafia original.
Alex está entre as 12 pessoas que se tornaram rés no processo criminal relacionado à tragédia. As conversas foram localizadas em uma análise pericial do celular da comissária, recuperado no local do acidente.
O conteúdo veio a público após a Justiça levantar o sigilo do processo. O g1 teve acesso aos documentos nesta quarta-feira, 4 de novembro de 2026.
Conversas apontavam preocupação com manutenção dos aviões
Além da mensagem enviada pelo mecânico, a perícia identificou diálogos de Rúbia com outros profissionais da companhia que relatavam problemas técnicos e demonstravam preocupação com as condições das aeronaves.
As mensagens foram registradas em diferentes períodos, incluindo novembro de 2022, julho de 2023 e julho de 2024, semanas antes da tragédia.
Em uma conversa de junho de 2024, uma tripulante relatou que uma aeronave havia realizado um voo com problemas no ar-condicionado, deixando o ambiente excessivamente quente.
De acordo com o relato, o comandante teria tentado evitar a viagem, mas a empresa teria pressionado pela realização do voo.
Outras mensagens descreviam panes e questionavam a manutenção dos aviões. Em um dos diálogos, um funcionário afirmou que a companhia não realizava os serviços necessários e colocava passageiros em risco.
Conforme o relatório policial divulgado pelo g1, as conversas foram consideradas relevantes por indicarem que a preocupação com a manutenção das aeronaves não estaria restrita a um único setor da empresa.
O Ministério Público Federal (MPF) sustenta que a queda do avião foi resultado de um processo prolongado de falhas e omissões na manutenção e no gerenciamento da segurança operacional.
As mensagens integram o conjunto de elementos analisados na investigação. Entretanto, não demonstram, isoladamente, que os participantes conheciam os defeitos específicos da aeronave envolvida no acidente.
Mecânico negou irregularidades e Justiça analisa responsabilidades
Durante a investigação, Alex de Souza Leandro negou ter realizado ou aceitado procedimentos irregulares de manutenção.
Segundo os depoimentos apresentados, ele reconheceu que havia pressão para acelerar a liberação de aeronaves e evitar atrasos, mas afirmou não ter liberado nem presenciado a liberação de aviões sem condições adequadas de voo.
Procurada pelo g1 para comentar a conversa encontrada no celular da comissária, a defesa informou que está na fase de apresentação da defesa no processo e que se manifestará nos autos.
A Justiça Federal recebeu a denúncia do MPF contra 12 pessoas ligadas à Voepass, incluindo integrantes da direção, responsáveis por áreas operacionais e funcionários da companhia.
Os réus respondem a acusações relacionadas à segurança do transporte aéreo e ao desastre que matou todos os 62 ocupantes do avião.
As investigações apontaram problemas na manutenção e na operação de aeronaves da empresa. O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado em julho de 2026, identificou falhas técnicas e operacionais, além de problemas na cultura de segurança da companhia.
A Voepass afirmou, em manifestação anterior, que seguirá colaborando com a Justiça e com as autoridades competentes, disponibilizando documentos e informações solicitados durante o processo.
A empresa também declarou que mantinha procedimentos de manutenção, operação e treinamento orientados pelas normas da aviação civil.
O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024, quando o ATR 72-500 da Voepass caiu em uma área residencial de Vinhedo (SP), após partir de Cascavel. Morreram 58 passageiros e quatro tripulantes.
O processo criminal continua em andamento, e as responsabilidades individuais dos réus ainda serão analisadas pela Justiça.
Fonte: g1, com informações de documentos periciais e do processo judicial, além de investigações da Polícia Federal, do MPF e do Cenipa.