Pancadaria, ameaça e destruição: jogo sub-20 em MG tem 51 expulsos e pode parar no Guinness
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Por Agência Estado
A partida entre Uberlândia x Mamoré, válida pela segunda divisão do Campeonato Mineiro e disputada no Estádio Parque do Sabiá, pode entrar para a história pelos motivos errados. O jogo realizado no domingo passado teve 51 expulsos, 43 deles jogadores, e superou a marca registrada no Guinness Book, o livro dos recordes.
O registro de partida com mais expulsos ocorreu na Argentina. Em 2011, o jogo entre Atlético Claypole e Victoriano Arenas, pela quinta divisão local, terminou com todos os 36 jogadores disponíveis das duas equipes expulsos, em virtude de uma “pancadaria generalizada”.
A partida entre as equipes mineiras já contava com três expulsões.
A primeira, ocorrida aos 7 minutos do segundo tempo, gerou uma enorme confusão e paralisou a partida por 40 minutos, devido à invasão de campo por parte de dirigentes da equipe da casa.
O árbitro Fernando Patrick Drosghic Modesto relatou uma “situação de extrema pressão e hostilidade” contra o time de arbitragem, especialmente por atos de Fábio Mineiro, proprietário do Uberlândia.
“Diversos dirigentes da equipe do Uberlândia, liderados por Fábio Mineiro, proprietário do clube, invadiram o campo de jogo e passaram a nos ofender, ameaçar e contestar insistentemente a decisão de expulsão”, escreveu o árbitro.
As ameaças de agressão, de acordo com a arbitragem, seguiram no decorrer da partida, em um tom ainda mais hostil com as invasões de Willer Francisco Silva, gerente de futebol, André Luiz Nascimento, gerente da base, e Junior Caetano, coordenador da base.
” (…) invadiram o campo de jogo e partiram em direção à equipe de arbitragem, com os dedos em riste, de forma extremamente agressiva e intimidatória, proferindo os seguintes dizeres: ‘Vocês não vão sair daqui hoje, vocês acham que vão conseguir sair da cidade, vamos pegar vocês, vieram aqui pra f… a gente!'”, noticiou o árbitro.
Ainda na súmula, o proprietário do Uberlândia é acusado de ameaçar o futuro da carreira de Fernando Patrick Drosghic Modesto, enquanto Willer Silva aumentou a agressividade no tom adotado.
“Vou te socar, você não vai sair daqui. Quero ver se você vai sair escoltado. Vem pra mão, vou pegar você lá fora, vai ser só eu e você, filho da p , vontade de te matar, seu m…”, diz o árbitro no relato.
As outras duas expulsões com a bola rolando envolveram o goleiro João Henrique, do Mamoré, e o camisa 10 Neto, do Uberlândia.
“Expulsei de forma direta, após ser informado pelo assistente 2 da partida, que o atleta número 10 da equipe do Uberlândia praticou conduta violenta desferindo um soco na região abdominal do goleiro da equipe do Mamoré, na tentativa de tomar a bola das mãos do goleiro”, relatou o árbitro Fernando Patrick Drosghic Modesto, que expulsou o goleiro por reclamação.
O clima tenso piorou aos 54 minutos do segundo tempo, quando Davi, do Mamoré, fez “gestos provocativos e inflamatórios em direção ao banco de reservas” do Uberlândia, antes de xingar os adversários.
“Aqui é Mamoré, vai tomar no c…, p…! Chupa! Vai se f… “, registrou o árbitro, que sequer conseguiu mostrar o cartão vermelho com o início imediato da briga entre as duas equipes.
A partir da confusão, outros 39 atletas foram expulsos, além de oito membros das comissões técnicas dos dois times. Na súmula, os gandulas também foram acusados de desferir socos e pontapés nos jogadores do Mamoré.
No encerramento do longo texto publicado na súmula, a arbitragem ainda reporta uma depredação no vestiário utilizado pela equipe visitante.
Fernando Patrick Drosghic Modesto, por fim, registrou um Boletim de Ocorrência contra Willer Francisco Silva pelas ameaças recebidas durante a confusão.