Mais de 16 milhões de brasileiros vivem em favelas; data reforça luta por direitos e reconhecimento
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Por Redação
Mais de 16,3 milhões de brasileiros vivem em favelas e comunidades urbanas. São pessoas que trabalham, estudam, empreendem, produzem cultura e constroem diariamente a história de seus territórios. Neste 4 de novembro, o Dia da Favela chama atenção para a importância dessas comunidades e para uma realidade que vai muito além dos estereótipos frequentemente associados a esses lugares.
Uma palavra com mais de 120 anos de história
A escolha da data tem origem em 4 de novembro de 1900, quando o termo “favela” apareceu em um documento oficial do Rio de Janeiro, em referência ao Morro da Providência. A comunidade, localizada na região central da cidade, é tradicionalmente reconhecida como a primeira favela brasileira.
O nome tem relação com a planta faveleira, encontrada no sertão nordestino. A história está ligada à Guerra de Canudos e à chegada de soldados ao Rio de Janeiro no fim do século XIX. Em 2006, a data foi instituída no calendário oficial do município carioca, com a proposta de valorizar esses territórios e seus moradores.
Os números mostram a dimensão
O Censo Demográfico de 2022, do IBGE, identificou 12.348 favelas e comunidades urbanas distribuídas em 656 municípios brasileiros. Nesses locais viviam 16.390.790 pessoas, o equivalente a 8,1% da população nacional.
A Rocinha, no Rio de Janeiro, era a comunidade mais populosa, com 72.021 moradores. Na sequência apareciam Sol Nascente, no Distrito Federal, com 70.908 habitantes, e Paraisópolis, em São Paulo, com 58.527 pessoas.
Cultura, trabalho e desafios
As favelas são espaços de produção cultural, música, gastronomia, esporte e empreendedorismo. Ao mesmo tempo, muitas comunidades ainda enfrentam problemas relacionados à moradia adequada, saneamento básico, mobilidade, segurança e acesso a serviços públicos.
O Dia da Favela também propõe uma mudança de olhar: reconhecer a capacidade de organização, criatividade e transformação de quem vive nesses territórios. Afinal, a favela não precisa ser lembrada apenas quando aparece no noticiário policial. Existe uma cidade inteira funcionando, criando oportunidades e movimentando a economia muito antes de qualquer equipe de reportagem chegar.