Tiroteio, mortes brutais e disputa por território! Veja o que se sabe sobre a “noite de terror”
Publicado em

Por Allan Machado
Atualizado em
Uma sequência de assassinatos, ataques armados e suspeitas de disputa entre facções criminosas colocou o bairro Abranches, em Curitiba, no centro de uma investigação policial. O tiroteio registrado na noite de segunda-feira (2), que terminou com um homem morto e outro suspeito em óbito após confronto com uma equipe do Batalhão de Polícia de Rondas Ostensivas de Natureza Especial (RONE), da Polícia Militar do Paraná (PMPR), pode ter relação com uma disputa pelo controle de pontos de tráfico de drogas na região. Um dos nomes que aparece no centro das suspeitas é o de Kainan Wesley Batista Meira, conhecido como “Kainan Matador”.
A investigação aponta para possíveis conexões entre o ataque mais recente e outros homicídios registrados desde março deste ano. A Polícia Civil do Paraná apura se os crimes fazem parte de uma disputa entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV), com possível participação de criminosos ligados ao Cartel do Sul, organização com atuação no litoral paranaense.
Até o momento, porém, não há confirmação oficial de que Kainan tenha participado diretamente do ataque desta segunda-feira (2) ou ordenado os assassinatos. Ainda assim, o nome do foragido aparece entre os alvos de uma investigação que apura a possível ligação entre os crimes.” Tiroteio no Abranches termina com mortes e prisões.
Imagens de câmeras de segurança obtidas pela Banda B registraram o ocorrido na Rua Miguel Mafuz, no Abranches. Os vídeos mostram um Fiat Punto preto parando em uma esquina. Na sequência, homens armados descem do veículo, efetuam alguns disparos e ficam na espreita, até que um homem também armado surge nas imagens e é atingido pelo grupo.
Em uma das gravações, pelo menos três suspeitos aparecem desembarcando do carro. Outras imagens analisadas pelas autoridades indicam que até oito homens teriam participado da ação, que teria como objetivo tomar uma região conhecida pelo tráfico de drogas. A vítima foi atingida pelos disparos e caiu no chão. Mesmo depois disso, os criminosos passaram com o veículo por cima do corpo antes de fugir. Após a ação, o grupo deixou o local no Punto preto. Policiais da RONE, da Polícia Militar do Paraná (PMPR), localizaram o automóvel no bairro Cachoeira, também em Curitiba. Durante a tentativa de abordagem, houve confronto. Um dos suspeitos morreu, enquanto outros três foram presos. Procurada pela reportagem da Banda B nesta terça-feira (3), a Polícia Civil informou que os suspeitos se tratam de um homem de 19 anos autuado em flagrante e dois adolescentes, ambos de 17 anos, apreendidos. As buscas continuam para localizar os demais envolvidos. Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil do Paraná, um homem de 19 anos foi autuado em flagrante e dois adolescentes, ambos de 17 anos, foram apreendidos. As diligências continuam para localizar os demais envolvidos. No local do confronto, foram encontradas uma pistola, uma espingarda calibre 12 e uma submetralhadora. A ocorrência também mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros. Suspeita de disputa entre facções no Abranches Uma das principais linhas de investigação é a possibilidade de que o ataque tenha sido motivado por uma disputa territorial envolvendo o tráfico de drogas. A suspeita é de que criminosos ligados ao litoral do Paraná tenham ido até Curitiba para atacar integrantes de um grupo rival e tentar assumir um ponto de venda de entorpecentes. Segundo informações da Ric RECORD Curitiba, um dos presos teria relatado que saiu de Paranaguá, cidade onde há atuação do Cartel do Sul. A organização criminosa é apontada como um braço do Comando Vermelho no Paraná. A hipótese investigada é de que a vítima do ataque no Abranches tivesse ligação com o PCC. A possível disputa não estaria restrita ao bairro, mas também envolveria áreas da Barreirinha, Taboão, Cachoeira e parte de Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba. Rua onde homem foi morto em tiroteio já registrou outros assassinatos A Rua Miguel Mafuz voltou a ser cenário de um crime violento. Em março deste ano, dois homens foram mortos a tiros no mesmo endereço. Na ocasião, a investigação da Polícia Civil identificou indícios de que os assassinatos poderiam estar relacionados à disputa por um ponto de tráfico de drogas na Vila Saibreira.
Testemunhas relataram que uma das vítimas teria envolvimento com a comercialização de drogas e que o ataque poderia ter sido motivado por uma retaliação, a mando de Kainan. Os investigadores também identificaram características semelhantes na execução, como o uso de um veículo com placas clonadas e criminosos vestidos com roupas camufladas. Ainda em março, outro assassinato foi registrado a menos de 500 metros dali. Marcos Araújo Dias foi morto a tiros dentro do próprio carro enquanto deixava os filhos em uma creche. Durante o ataque, uma menina de 11 anos foi atingida de raspão e precisou de atendimento médico. Exames de confronto balístico apontaram compatibilidade entre munições utilizadas nos crimes. Para os investigadores, o resultado indica que os mesmos atiradores podem ter participado dos assassinatos. Quem é Kainan Matador e por que ele aparece na investigação? O nome de Kainan Wesley Batista Meira, conhecido como Kainan Matador ou Kainan Monstro, ganhou destaque nas apurações sobre a possível disputa entre facções na região de Curitiba. Relatórios da Polícia Civil analisaram conversas extraídas de celulares e a estrutura interna do Comando Vermelho. Em um grupo de WhatsApp chamado “Assunto PGCV”, Kainan apareceria identificado como “torre”, denominação que indicaria uma função de gerência regional dentro da organização criminosa. Segundo a análise policial, essa posição estaria relacionada ao controle de atividades criminosas em parte de Curitiba e à comunicação com integrantes da direção nacional da facção. Os documentos também mencionariam conversas sobre fornecedores de armas, encomendas de pistolas, explosivos e possíveis ações criminosas. Apreensão de drogas e armas também entrou no radar Outro episódio que pode ajudar a esclarecer a disputa ocorreu em uma operação policial no Abranches, quando uma caminhonete foi encontrada com grande quantidade de drogas e equipamentos utilizados por organizações criminosas. Na ocasião, foram apreendidos mais de 15 quilos de maconha, mais de três quilos de cocaína, munições de diferentes calibres, uma pistola, dois dispositivos de conversão de armas e dois coletes balísticos. Segundo informações policiais repassadas à Ric RECORD Curitiba, a carga seria ligada a Kainan Matador e ao Comando Vermelho. A suspeita era de que os entorpecentes seriam transportados para o litoral paranaense para abastecer pontos de venda de drogas antes da temporada de verão. “Nós tivemos aqui a apreensão de mais de 15 kg de maconha, mais de 3 kg de cocaína, muita munição de calibre 762, 556, munição de AK47, munição de 45, dois coletes balísticos, enfim, muito material destinado a abastecer organização criminosa. Com isso, nós esperamos […] esse veículo se encontrava ali no bairro Abranches, numa região dominada pelo tráfego” disse o delegado Rodrigo Brown da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO).
Banda B