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Prematuridade transforma a rotina de famílias atendidas no HUOP

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História de mãe de gêmeas prematuras revela os desafios da internação neonatal, enquanto dados do hospital mostram a demanda por cuidados especializados.
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Foto: Reprodução/CGN

Por Diego Cavalcante

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A expectativa de voltar para casa depois de uma consulta médica deu lugar ao medo e à incerteza para Hermine Bordotte, mãe atendida pela ala de prematuridade do Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP). No dia 16 de março, após realizar exames, ela recebeu a notícia de que precisaria permanecer internada. A orientação médica foi direta: não poderia comer e deveria ficar no hospital. O que parecia ser mais uma etapa do acompanhamento da gestação se transformou em um momento decisivo para a mãe de duas meninas que ainda estavam por nascer.

“Eu imaginava que iria à consulta e voltaria para casa. Quando o médico disse que eu ficaria internada, foi um choque muito forte”, recorda Hermine. A possibilidade de enfrentar uma situação diferente da que havia planejado já despertava preocupação durante as consultas anteriores. Com a internação, o receio aumentou, mas a fé se tornou um dos principais pontos de apoio para atravessar aquele período.

A chegada das gêmeas prematuras trouxe novos desafios para a família. O nascimento antes do tempo esperado exigiu cuidados especializados e acompanhamento das equipes da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) e da Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal (UCI) do HUOP. Para a mãe, além da preocupação com a saúde das filhas, a experiência foi marcada pela necessidade de confiar nos profissionais responsáveis pela assistência às recém-nascidas.

Durante a internação, Hermine destaca o cuidado recebido pela equipe do hospital. “A equipe cuidou muito bem de mim. Não tenho palavras para contar o quanto todos se esforçaram por mim. É um momento que não tem preço”, relata.

A recuperação das meninas também foi um processo acompanhado de perto pelos profissionais da neonatologia. Em momentos de preocupação e na expectativa pela evolução clínica, a mãe encontrou na assistência prestada às filhas uma forma de enfrentar as dificuldades. Ao recordar o período, ela reconhece o trabalho dos profissionais que acompanharam as gêmeas até a alta hospitalar. “Primeiro, Deus. Depois, Deus usa cada enfermeira da UTI e da UCI Neonatal e os médicos para cuidar das minhas gêmeas até a alta delas”.

A história de Hermine representa uma das experiências vividas por famílias que passam pela prematuridade. A internação neonatal modifica a rotina dos pais, que precisam lidar com a preocupação em relação à saúde dos filhos, adaptar-se ao ambiente hospitalar e acompanhar uma etapa da vida que, muitas vezes, exige semanas ou meses de cuidados especializados.

O nascimento antes do tempo

Um bebê é considerado prematuro quando nasce antes de completar 37 semanas de gestação. Como o desenvolvimento ainda está em andamento, o nascimento antecipado pode exigir assistência especializada, dependendo das condições clínicas do recém-nascido.

Entre as situações que levam bebês à internação neonatal estão a prematuridade, os distúrbios respiratórios, as malformações, as intercorrências durante o nascimento e os distúrbios circulatórios e cardíacos.

Para esses recém-nascidos, um dos desafios é continuar o desenvolvimento fora do útero, em um ambiente com características muito diferentes daquelas às quais estavam habituados durante a gestação. A exposição à luz e aos ruídos, a necessidade de manipulação para procedimentos e a realização de intervenções dolorosas fazem parte dos desafios enfrentados durante o período de internação.

A separação entre mãe e bebê também pode tornar essa fase mais difícil. Ao mesmo tempo em que os recém-nascidos precisam de cuidados contínuos, os familiares precisam compreender a nova rotina e encontrar maneiras de participar da recuperação dos filhos.

Acolhimento que aproxima pais e bebês

No HUOP, o atendimento às famílias começa já no primeiro contato com a unidade neonatal. A equipe recebe os pais, procura compreender o que sabem sobre as condições de nascimento do bebê e explica o funcionamento do setor, os equipamentos utilizados e os cuidados necessários durante a internação.

O acolhimento também inclui orientações sobre a higienização das mãos, a paramentação para entrar na unidade e a importância da presença dos familiares ao longo do tratamento. Conhecer o ambiente e entender a função dos equipamentos ajuda os pais a compreenderem o que acontece com os filhos e a participarem desse processo.

A equipe destaca que a internação é desafiadora tanto para os recém-nascidos quanto para os familiares. O impacto do nascimento e a necessidade de encaminhamento à UTI Neonatal podem representar um dos momentos mais difíceis para a família, especialmente no início, quando ainda há muitas dúvidas e incertezas.

Por isso, a participação dos pais é incentivada durante todo o período. A unidade permite a entrada livre dos responsáveis, sem horário restrito de visitas, possibilitando que acompanhem os filhos e recebam informações sobre o estado de saúde deles.

O contato também é estimulado por meio do toque, do colo, do Método Canguru, das conversas e das canções. Essas práticas favorecem a aproximação entre pais e bebês durante a internação. A voz dos familiares, especialmente a dos pais, é familiar para a criança desde a gestação, mesmo quando o nascimento acontece antes de completar as 40 semanas.

O cuidado é compartilhado por uma equipe multiprofissional, formada por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, nutricionistas e residentes de diferentes áreas. Os familiares também recebem acompanhamento específico da psicologia e do serviço social da unidade, conforme suas necessidades.

Além de acompanhar a evolução clínica dos recém-nascidos, os profissionais enfrentam situações delicadas, como a instabilidade dos pacientes, a necessidade de vigilância constante e os momentos de perda. A complexidade da assistência exige atenção contínua e profissionais com experiência no atendimento neonatal.

A estrutura do HUOP no atendimento neonatal

O HUOP dispõe de 10 leitos de Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) e outros 10 leitos de Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal (UCI), totalizando 20 leitos destinados ao atendimento de recém-nascidos que necessitam de acompanhamento especializado.

Em média, a UTI Neonatal atende de 20 a 25 recém-nascidos por mês, enquanto a UCI recebe entre 35 e 40. Os dados do hospital mostram que, em 2024, foram atendidos 236 recém-nascidos na UTIN e 385 na UCI. Em 2025, os números chegaram a 282 e 417, respectivamente.

No primeiro semestre de 2026, foram registrados 112 recém-nascidos atendidos na UTI Neonatal e 188 na Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal. Os números demonstram a demanda por assistência especializada aos recém-nascidos e a importância da estrutura neonatal no atendimento hospitalar.

Depois da internação, a importância da família

Para Hermine, a presença da família foi fundamental para enfrentar os momentos difíceis vividos durante a internação e acompanhar a evolução das filhas. Ao olhar para a experiência, ela também deixa uma mensagem para outros pais que passam por uma situação semelhante. “Eu vivi muitos momentos difíceis, mas considero minha família uma bênção de Deus. Para cada família que está passando por um momento difícil, a primeira coisa é confiar em Deus”, aconselha.

A trajetória da mãe e das gêmeas evidencia que a prematuridade envolve muito mais do que os cuidados médicos necessários nos primeiros dias de vida. É também um período de adaptação para os familiares, que precisam lidar com expectativas diferentes das planejadas e aprender a conviver com a rotina hospitalar.

No HUOP, o acompanhamento neonatal reúne assistência clínica, orientação e acolhimento aos pais durante a internação. A participação da família, o contato com os recém-nascidos e o suporte dos diferentes profissionais integram o cuidado oferecido aos bebês que precisam de atenção especializada desde os primeiros momentos de vida.

Assessoria

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