Depois das bruxas, é a vez dele: Dia do Saci valoriza personagens da cultura nacional
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Por Redação
Depois das bruxas, é a vez de um personagem que dispensa vassoura para fazer suas travessuras. Com gorro vermelho, uma perna só e fama de aparecer em redemoinhos, o Saci-Pererê é celebrado neste sábado (31), no Dia do Saci. A data foi criada para valorizar o folclore brasileiro e dar visibilidade às histórias e personagens que fazem parte da tradição popular do país.
A figura do Saci reúne influências de diferentes culturas. Suas características foram se transformando ao longo do tempo, a partir de narrativas transmitidas oralmente, especialmente entre comunidades indígenas, africanas e europeias. Em uma das versões mais conhecidas, ele é apresentado como um menino negro, de uma perna só, que usa um gorro vermelho e gosta de pregar peças. Entre as travessuras atribuídas ao personagem estão esconder objetos, assustar animais, fazer tranças nas crinas dos cavalos e provocar redemoinhos de vento.
A popularidade nacional ganhou força também por meio da literatura. Monteiro Lobato ajudou a levar o personagem a um público amplo com as histórias do Sítio do Picapau Amarelo, nas quais o Saci aparece ao lado de outras figuras do imaginário brasileiro. Posteriormente, adaptações para a televisão, livros infantis, desenhos e produções culturais mantiveram a lenda presente em diferentes gerações.
A escolha de 31 de outubro não foi por acaso. A data surgiu como uma alternativa simbólica ao Halloween, que ganhou popularidade no Brasil por influência da cultura norte-americana. Em 2003, entusiastas do folclore criaram a mobilização em torno do Dia do Saci, defendendo que as crianças também tivessem contato com as lendas nacionais. No ano seguinte, São Paulo instituiu oficialmente a comemoração por meio da Lei Estadual nº 11.669, de 13 de janeiro de 2004.
Mais do que colocar o Saci em oposição às bruxas, a celebração propõe aproveitar a data para contar histórias brasileiras, incentivar a leitura e apresentar às novas gerações personagens como Curupira, Cuca, Caipora e Matinta Pereira. Afinal, o imaginário popular brasileiro também tem mistérios, criaturas fantásticas e histórias capazes de atravessar gerações. E, convenhamos, nem precisa importar uma abóbora para encontrar uma boa história de assombração por aqui.