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Golpe do falso advogado: casal de Cascavel vai à Justiça para reaver R$ 181 mil enviados por Pix e juiz manda Sicoob guardar provas

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Criminosos se passaram por advogado e promotor e usaram dados de processo real; gerente aumentou limite pelo WhatsApp, segundo o casal. Juiz negou devolução imediata do dinheiro
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Imagem Ilustrativa / Depositphotos.com

Por Redação CGN

Atualizado em

Um casal de Cascavel foi à Justiça para tentar reaver R$ 181,7 mil transferidos por Pix depois de cair no golpe do falso advogado. Segundo o processo, os criminosos se passaram pelo advogado do marido e por um promotor de justiça, usaram informações de um processo judicial real e mantiveram a família ao telefone durante as operações.

A ação é contra a Cooperativa de Crédito Sicoob Credicapital, onde o casal tinha conta. O juiz Nathan Kirchner Herbst, da 5ª Vara Cível de Cascavel, negou o pedido de devolução imediata do dinheiro, mas mandou a cooperativa preservar todos os registros ligados à transferência.

Como funcionou o golpe do falso advogado

De acordo com a ação, o golpe ocorreu nos dias 29 e 30 de setembro. Orientado pelos golpistas, o marido pediu ao gerente da cooperativa, pelo WhatsApp, o aumento do limite para transações.

Em seguida, as aplicações financeiras do casal foram resgatadas por completo, nos valores de R$ 131.686,65 e R$ 50.021,99. Logo depois, um Pix de R$ 181,7 mil foi enviado para um desconhecido. O casal afirma que não autorizou a transferência.

Limite liberado quase na hora, diz casal

Os autores sustentam que a cooperativa elevou o limite praticamente de imediato, sem respeitar o prazo de 24 horas previsto nas regras para esse tipo de pedido. Também apontam informações de saldo inconsistentes no aplicativo depois da transação.

Para o casal, houve falha na prestação do serviço. Eles pedem a devolução do valor e indenização por danos morais.

Juiz nega devolução imediata

Em decisão de 20 de outubro, o juiz entendeu que, neste momento, não há elementos suficientes para mandar devolver o dinheiro antes da defesa da cooperativa.

Segundo ele, a análise depende de esclarecer como o golpe aconteceu, principalmente a participação dos próprios correntistas nas operações, inclusive se forneceram dados pessoais, senhas ou outras informações bancárias aos criminosos.

O magistrado também negou o pedido alternativo para que a cooperativa devolvesse ao menos R$ 50 mil. Os autores recorreram com embargos de declaração e, em nova decisão, de 27 de outubro, o juiz também negou que a cooperativa depositasse o valor em juízo enquanto o processo corre.

Cooperativa terá de guardar provas

Por outro lado, a cooperativa foi obrigada a preservar todos os registros da conta relacionados ao caso: o pedido de aumento de limite, os resgates das aplicações, o Pix, os acessos, as autenticações e os aparelhos usados.

Segundo a decisão, se esses dados forem apagados, alterados ou não guardados sem justificativa, isso poderá pesar contra a cooperativa no processo. Pelo Código de Processo Civil, o juiz pode considerar verdadeiros os fatos que os documentos deveriam comprovar.

O juiz ressaltou que a preservação dos dados não significa reconhecer que houve fraude, falha no serviço ou responsabilidade da cooperativa.

O que acontece agora

O processo segue na 5ª Vara Cível de Cascavel. A cooperativa será citada para se defender, e o caso pode passar antes por uma tentativa de conciliação. Somente depois o juiz vai decidir se a instituição tem ou não de devolver o dinheiro.

O espaço permanece aberto para manifestação da Sicoob Credicapital.

Como se proteger do golpe do falso advogado

  • Desconfie de ligações ou mensagens de supostos advogados, promotores ou servidores da Justiça que pedem transferências, pagamentos ou movimentações bancárias.
  • Os golpistas costumam usar dados públicos de processos para parecer confiáveis. Saber o número do processo não prova que a pessoa é quem diz ser.
  • Antes de qualquer pagamento, desligue e procure o advogado ou o escritório por um contato que você já conhece.
  • Não peça aumento de limite nem resgate aplicações sob orientação de alguém ao telefone.
  • Em caso de golpe, avise o banco imediatamente e registre boletim de ocorrência.

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