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Ator e diretor Matheus Sabbá morre aos 30 anos

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A morte foi confirmada nesta quinta-feira (29) por instituições culturais e familiares.
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Foto: Reprodução/CGN

Por Diego Cavalcante

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O cenário artístico brasileiro perdeu um de seus jovens talentos. O ator e diretor teatral Matheus Domingues Sabbá morreu na noite de quarta-feira (28), aos 30 anos. Natural de Manaus, no Amazonas, o artista construiu uma trajetória marcada pelo trabalho no teatro musical, na ópera e no cinema, conquistando reconhecimento por produções que alcançaram diferentes regiões do país.

A morte foi confirmada nesta quinta-feira (29) por instituições culturais e familiares. A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, a Federação de Teatro do Amazonas (Fetam) e o Festival Internacional de Música de Santa Catarina (FEMUSC) manifestaram pesar pela perda.

Até as informações divulgadas nesta sexta-feira (30), a causa da morte não havia sido oficialmente esclarecida. O sepultamento está previsto para ocorrer em Manaus, cidade natal do artista.

Uma trajetória construída entre os palcos

Formado em Teatro pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Matheus Sabbá encontrou nas artes cênicas o caminho para desenvolver uma carreira que ultrapassou as fronteiras de seu estado.

Ao longo dos anos, trabalhou em importantes instituições culturais brasileiras, como o Theatro Municipal de São Paulo, o Theatro São Pedro, o Festival Amazonas de Ópera e o próprio FEMUSC.

Sua atuação não ficou restrita à interpretação. Matheus também se destacou na direção teatral, participando da construção de espetáculos que receberam reconhecimento nacional.

Entre os trabalhos de maior destaque está o musical A Caixa Mágica do Natal, que conquistou premiações no Prêmio Cenym de Teatro e no Prêmio Brasil Musical. A produção ajudou a consolidar seu nome no cenário do teatro musical brasileiro.

Em 2024, também chegou ao cinema, integrando o elenco do filme O Último Azul, dirigido por Gabriel Mascaro e protagonizado por Denise Weinberg e Rodrigo Santoro.

A passagem por diferentes linguagens artísticas demonstrava a versatilidade de um profissional que, mesmo ainda jovem, já havia construído uma trajetória expressiva.

Onheama marcou um dos momentos mais importantes de sua carreira

Um dos trabalhos mais recentes e significativos de Matheus foi a direção de cena da ópera Onheama, apresentada em janeiro de 2026, durante a 21ª edição do Festival Internacional de Música de Santa Catarina, em Jaraguá do Sul.

A montagem, realizada nos dias 23 e 24 de janeiro, entrou para a história do FEMUSC por ser a primeira ópera brasileira apresentada como atração principal do festival.

Com mais de 80 artistas em cena e aproximadamente 1h20 de duração, a produção levou ao palco elementos da mitologia amazônica, explorando temas como ancestralidade, pertencimento e conexão com a natureza.

A história acompanha Iporangaba, uma jovem guerreira indígena que parte em uma jornada para proteger sua comunidade. Durante o caminho, encontra personagens conhecidos das narrativas populares da região, como o Boto e a Yara.

Uma das escolhas artísticas de Matheus foi transformar o protagonista original, um guerreiro, em uma personagem feminina. A decisão buscou valorizar o protagonismo das mulheres amazônicas e destacar a força da personagem.

Em entrevista na época da apresentação, o diretor falou sobre o significado pessoal de conduzir o espetáculo.

“Dirigir Onheama é contar a história do meu povo. Falar da mitologia do lugar onde nasci e cresci e levá-la para um público que raramente tem contato com essas narrativas”, afirmou.

A relação com o FEMUSC, entretanto, havia começado antes. Em 2025, Matheus participou da equipe responsável pela montagem de Madama Butterfly, atuando como assistente de direção.

Colegas lamentam a perda do artista

A morte de Matheus provocou manifestações de pesar entre instituições e profissionais que acompanharam sua trajetória.

A Federação de Teatro do Amazonas destacou a contribuição do artista para o fortalecimento das artes cênicas no estado, ressaltando sua dedicação, talento e importância para o teatro musical amazonense.

A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas também lembrou sua participação em produções do Festival Amazonas de Ópera e em espetáculos natalinos promovidos pelo estado.

No FEMUSC, a notícia foi recebida com profunda tristeza. O diretor artístico do festival, Alex Klein, publicou uma homenagem na qual destacou a criatividade, a responsabilidade, a capacidade de liderança e a imaginação do jovem diretor.

“O Brasil perdeu um gênio, cuja genialidade estava só começando a se revelar”, declarou Klein.

O diretor artístico também ressaltou que Matheus tinha uma habilidade especial para envolver outras pessoas em seus projetos e conduzi-las na construção de suas histórias.

Um talento que ainda tinha muitos caminhos pela frente

Aos 30 anos, Matheus Sabbá já havia passado por importantes palcos brasileiros, participado de produções cinematográficas e dirigido espetáculos reconhecidos nacionalmente.

Sua trajetória também carregava uma ligação particular com a cultura amazônica. Ao levar histórias, personagens e elementos da mitologia de sua terra natal para grandes produções, ajudou a ampliar o espaço dessas narrativas no cenário artístico brasileiro.

A montagem de Onheama sintetizou parte dessa identidade. Mais do que dirigir um espetáculo, Matheus levou para o palco uma história ligada às suas origens, apresentando ao público elementos culturais que considerava importantes preservar e compartilhar.

A morte interrompe uma carreira que ainda tinha muito a construir. Ficam os trabalhos, as histórias contadas nos palcos e nas telas e a contribuição de um artista que encontrou na própria identidade cultural uma maneira de dialogar com o Brasil.

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