De 'não sou bom o suficiente' ao topo do ranking: o caminho de Alexander Zverev ao número 1
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Por Agência Estado
Alexander Zverev ultrapassou Jannik Sinner no ranking da ATP e se tornou o novo número 1 do tênis. Após avançar às quartas de final do ATP 500 de Viena, nesta quinta-feira, 29, o alemão alcançou os 9.450 pontos, igualou o italiano e o ultrapassou pelo critério de desempate. É a primeira vez que Zverev chega a essa posição.
Com a lesão de Sinner, o alemão garantiu a liderança até o final de 2026. Nesta temporada, o atleta fez história ao vencer seus primeiros Grand Slams da carreira. Primeiro, o tenista conquistou Roland Garros, em junho, e, três meses depois, venceu o US Open, em setembro.
O alemão começou o ano em terceiro do ranking atrás de Sinner e Alcaraz. No decorrer da temporada, o atleta ganhou espaço em um cenário marcado também por lesões e questões físicas de seus adversários.
Apesar de já figurar há anos entre os principais nomes do circuito, Zverev precisou lidar com a concorrência de diferentes gerações e com a pressão por resultados nos maiores torneios. Ao longo da carreira, manteve-se entre os jogadores mais bem posicionados do ranking, mas a chegada ao topo marcou uma nova etapa no tênis.
Nascido em Hamburgo, Alemanha, em 1997, e filho de pais imigrantes da antiga União Soviética, Zverev não teve uma carreira meteórica desde o início. Foi apenas aos 19 anos que conquistou seu primeiro título da ATP, em São Petersburgo, em 2016, diante de Stan Wawrinka. No ano seguinte, aos 20, venceu seu primeiro Masters 1000, em Roma, ao superar Novak Djokovic.
Apesar da ascensão no circuito, Zverev precisou esperar até 2026 para conquistar seu primeiro Grand Slam, em Roland Garros, antes de levantar também o troféu do US Open, três meses depois. Em 2025, após perder sua terceira final de Grand Slam, contra Jannik Sinner no Aberto da Austrália de 2025, o tenista chegou a declarar que “não era bom o suficiente”.
A carreira do alemão também foi marcada por uma interrupção física. Em 2022, durante a semifinal de Roland Garros contra Rafael Nadal, Zverev rompeu três ligamentos do tornozelo direito e precisou passar por cirurgia. A lesão o afastou das quadras e interrompeu um período em que buscava seu primeiro de Grand Slam.
ACUSAÇÕES DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
Fora das quadras, o tenista enfrentou acusações de violência doméstica. Em 2020, sua ex-companheira Brenda Patea, mãe de sua filha, afirmou que ele a agrediu durante uma discussão. Em 2023, um tribunal de Berlim determinou o pagamento de uma multa de 450 mil euros. Zverev contestou a decisão e negou as acusações.
Em junho de 2024, o processo foi encerrado após um acordo entre as partes, com participação da promotoria. Não houve julgamento definitivo nem declaração de culpa. Como parte do acordo, o alemão concordou em pagar 200 mil euros, sendo 150 mil ao Estado e 50 mil a instituições de caridade. Seus advogados reiteraram que ele mantinha sua inocência.
Outra ex-namorada, a tenista Olga Sharypova, também o acusou de violência física e psicológica durante o relacionamento. Zverev negou as alegações. Em janeiro de 2023, a ATP encerrou uma investigação independente sobre o caso por considerar insuficientes as evidências para comprovar as acusações e não aplicou sanções esportivas ao jogador.
O tema voltou à tona em junho de 2026, após a conquista de Roland Garros. Questionado sobre as denúncias durante uma entrevista ao jornal francês LÉquipe, Zverev reagiu à pergunta, contestou as acusações e encerrou a conversa.