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'A própria mãe tem medida protetiva contra um deles', diz delegado sobre irmãos que aterrorizaram colégio

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Segundo Marcos Fontes, além dos dois irmãos de 13 e 15 anos, um terceiro jovem pode estar envolvido na onda de violência dentro da escola.
‘A própria mãe tem medida protetiva contra um deles’, diz delegado sobre irmãos que aterrorizaram colégio

Por Luiz Haab

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Socos, pontapés e medo de procurar a polícia. A investigação sobre agressões contra estudantes de um colégio estadual no bairro Esmeralda, em Cascavel, ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira (29). Segundo o delegado Marcos Fontes, da Delegacia do Adolescente, os dois irmãos investigados admitiram envolvimento em episódios de violência, e um deles apontou a participação de um terceiro adolescente, ainda não ouvido.

Em entrevista à CGN, o delegado também corrigiu uma informação divulgada inicialmente: o irmão mais velho tem 15 anos e completará 16 nos próximos meses, e não 17. Ele se apresentou pela manhã em uma unidade de acolhimento, acompanhado do pai, e posteriormente foi levado à delegacia. O irmão de 13 anos havia sido apreendido na quarta-feira (28).

Os dois estão em acolhimento por determinação judicial. A polícia encaminhou as informações ao Ministério Público e ao Poder Judiciário e solicitou medidas mais gravosas. A decisão sobre os próximos encaminhamentos caberá à Justiça.

Famílias teriam medo de registrar as agressões

Um dos pontos que mais preocupam a investigação é a possibilidade de haver vítimas que ainda não procuraram as autoridades. Conforme Fontes, professores ouvidos na quarta-feira relataram agressões anteriores e disseram que algumas famílias temem registrar ocorrência, especialmente por receio do adolescente mais velho.

Esse silêncio dificulta dimensionar a extensão do caso. Até o momento da entrevista, a polícia não tinha informações suficientes para estabelecer quantos estudantes foram agredidos nem a gravidade das lesões.

“Nós não sabemos quantos, não sabemos a extensão das lesões e quem são”, afirmou o delegado.

Segundo Fontes, os relatos envolvem violência física, com socos e pontapés. As agressões inicialmente admitidas pelo adolescente de 13 anos teriam ocorrido na área externa do colégio onde ele estuda.

Irmão mais velho teria agredido estudante por vingança

De acordo com o delegado, o adolescente de 15 anos admitiu ter agredido um colega de turma do irmão. Como justificativa, alegou que o estudante teria atacado o mais novo anteriormente. A versão apresentada por ele ainda integra a apuração policial.

O adolescente também disse que foi ao colégio para conversar com outros jovens, embora não seja aluno da instituição. Segundo Fontes, ele reconheceu agressões e indicou outro possível participante.

A polícia conta com o apoio da direção para identificar esse terceiro adolescente, que deverá ser ouvido até a próxima semana.

Também são investigadas supostas ameaças contra uma professora e um inspetor de alunos. Conforme o delegado, o irmão mais velho negou essas ameaças e alegou que houve uma interpretação equivocada da situação.

Investigação também envolve ameaça contra a mãe

Antes dos desdobramentos relacionados aos estudantes, o adolescente de 15 anos já havia sido encaminhado a uma unidade de acolhimento após um episódio de suposto descumprimento de medida protetiva concedida à mãe.

Segundo Fontes, a determinação judicial foi motivada por uma ameaça atribuída ao adolescente. Ele teria entrado na residência mesmo estando impedido de frequentar o local e acabou conduzido pela Polícia Militar à Central de Flagrantes.

O delegado informou que o jovem deixou a unidade de acolhimento sem autorização. Ao ser ouvido nesta quinta-feira, contou que passou um período circulando por Cascavel e viajou de ônibus a Guaraniaçu, onde permaneceu por aproximadamente seis ou sete dias.

Sobre a medida protetiva, o adolescente negou o descumprimento, embora, segundo Fontes, tenha reconhecido que entrou na casa.

Resposta exige atuação além da investigação policial

Ao avaliar o caso, o delegado defendeu uma atuação conjunta entre Justiça, educação, saúde, assistência social e famílias. Na avaliação dele, o acompanhamento dos adolescentes precisa alcançar também o ambiente para o qual eles retornarão.

Fontes ressaltou que intervenções isoladas encontram limites quando não há adesão ao acompanhamento proposto. Por isso, defendeu a participação da rede de proteção e da comunidade na prevenção de novos episódios.

Enquanto a investigação prossegue, a polícia busca identificar outras possíveis vítimas, esclarecer a participação do terceiro adolescente e reunir elementos sobre as agressões e ameaças relatadas.

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