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Vídeos com ataques a petistas e pessoas LGBTQIA+ levantam debate sobre intolerância nas redes

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Gravações compartilhadas em lista do Instagram contêm ofensas contra eleitores do PT, pessoas LGBTQIA+ e praticantes de religiões de matriz africana; caso reacende debate sobre intolerância política e responsabilidade nas redes sociais.
Vídeos com ataques a petistas e pessoas LGBTQIA+ levantam debate sobre intolerância nas redes

Por Redação

Atualizado em

Uma denúncia encaminhada à reportagem da CGN reuniu três vídeos publicados nos Stories do Instagram de uma mulher apontada pela denunciante como moradora de Medianeira, no Oeste do Paraná. Nas gravações, ela faz declarações ofensivas contra eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT), pessoas LGBTQIA+ e praticantes de religiões de matriz africana. Em um dos vídeos, também dirige insultos à deputada federal Erika Hilton.

Segundo a denúncia, os vídeos foram publicados na lista de “Melhores Amigos”, recurso do Instagram que permite restringir a visualização dos Stories a seguidores selecionados. Uma pessoa que tinha acesso ao conteúdo teria gravado as publicações e encaminhado o material à reportagem.

Declarações incluem ataques a grupos sociais

Nas gravações, a mulher utiliza xingamentos contra eleitores petistas e faz declarações hostis a pessoas LGBTQIA+ e a praticantes de religiões de matriz africana. Em um dos vídeos, ela também dirige ofensas à deputada federal Erika Hilton, incluindo expressões que atacam sua identidade de gênero.

As declarações levantam questionamentos sobre intolerância política, discriminação e os limites da liberdade de expressão. A eventual caracterização de ilícitos depende da análise do conteúdo integral e das circunstâncias em que as manifestações ocorreram.

Boicote promovido pelo nazismo marcou início de perseguição econômica

O episódio também permite recordar um dos momentos sombrios da história europeia. Em 1º de abril de 1933, poucos meses após Adolf Hitler chegar ao poder na Alemanha, o regime nazista organizou um boicote nacional a estabelecimentos comerciais de propriedade judaica. Integrantes do movimento bloquearam entradas de lojas, exibiram cartazes e incentivaram a população a não comprar desses comerciantes.

Segundo o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, a campanha foi a primeira ação coordenada nacionalmente pelo regime contra os judeus e marcou o início de uma política de exclusão econômica que se ampliaria nos anos seguintes.

O contexto histórico é diferente do atual, e os episódios não devem ser tratados como equivalentes. A referência, porém, ajuda a compreender os riscos de campanhas que transformam a identidade, a religião ou as convicções de um grupo em justificativa para sua exclusão da sociedade.

Denúncias de assédio eleitoral continuam após as eleições

O caso surge em meio a denúncias de discriminação política e ameaças de demissão relacionadas às eleições de 2026. Em 27 de outubro, o Ministério Público do Trabalho no Paraná informou ter recebido 198 denúncias de assédio eleitoral até as 14h daquele dia, incluindo relatos de ameaças de demissão e outras formas de intimidação relacionadas ao posicionamento político.

No dia seguinte, o governo federal anunciou medidas conjuntas de órgãos públicos para combater o assédio eleitoral no ambiente de trabalho e ampliar a apuração de possíveis práticas discriminatórias.

Os dados se referem a denúncias recebidas pelos órgãos competentes e não significam que todos os casos tenham sido comprovados. Da mesma forma, as declarações contidas nos vídeos não caracterizam automaticamente assédio eleitoral no trabalho, cuja avaliação depende das circunstâncias específicas.

Internet não elimina a responsabilidade pelas publicações

A possibilidade de compartilhar conteúdo apenas com seguidores selecionados não impede que as gravações sejam registradas e divulgadas por pessoas que tiveram acesso a elas. A liberdade de expressão é um direito fundamental, mas não afasta eventual responsabilidade quando há violação de direitos de terceiros.

A identidade da mulher e o nome da empresa em que, segundo a denunciante, ela trabalharia não são divulgados nesta publicação. O espaço permanece aberto para eventual manifestação da pessoa citada.

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