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Flávio Bolsonaro se declara presidente eleito do Brasil em carta divulgada nos EUA

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Derrotado por Lula no segundo turno, senador volta a alegar fraude eleitoral sem apresentar provas e afirma que comandará a oposição dos Estados Unidos.
Imagem referente a Flávio Bolsonaro se declara presidente eleito do Brasil em carta divulgada nos EUA
Fernando Frazão/Agência Brasil

Por Redação CGN

Atualizado em

O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, se declarou o verdadeiro presidente eleito do Brasil em uma carta divulgada nesta quarta-feira (28), após sua chegada aos Estados Unidos. No documento, ele voltou a questionar o resultado da votação de domingo (25), alegou fraude eleitoral sem apresentar provas e anunciou que pretende liderar a oposição brasileira do exterior.

A declaração foi compartilhada pelo influenciador Paulo Figueiredo, aliado do senador. O documento é dirigido à população brasileira e à comunidade internacional.

“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”

afirma Flávio logo na abertura da carta.

O texto foi divulgado depois que o parlamentar deixou o Brasil, passou pela Argentina e desembarcou nos Estados Unidos acompanhado da família.

Carta divulgada

Flávio Bolsonaro volta a acusar fraude eleitoral

Na carta, o senador contesta a vitória de Lula e acusa o Supremo Tribunal Federal (STF) de interferir no processo eleitoral em benefício do presidente.

Flávio questiona especialmente a extensão do horário de votação em determinadas localidades, medida que, segundo ele, teria provocado diferenças entre as condições de votação dos eleitores.

O parlamentar também atribui ao Judiciário a responsabilidade pelo aumento de mais de 10 milhões de votos recebidos por Lula entre o primeiro e o segundo turno.

Entretanto, a carta não apresenta provas de manipulação das urnas ou de fraude na apuração.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), divulgados após a votação, indicam que 34.393 votos foram registrados depois das 17h em todo o país, número muito inferior aos milhões de votos mencionados pelo senador.

Outro ponto é que a própria campanha de Flávio Bolsonaro solicitou a prorrogação da votação em 17 cidades, argumentando que as chuvas haviam dificultado o deslocamento dos eleitores.

No domingo, após a divulgação do resultado, Flávio havia declarado que não reconheceria a vitória de Lula e pediria a anulação da eleição. No dia seguinte, porém, sua campanha informou que havia desistido de sustentar essa tese após consultar a equipe jurídica.

Senador nega fuga e anuncia que liderará oposição dos EUA

Em outro trecho, Flávio Bolsonaro rejeita a classificação de sua saída do Brasil como uma fuga e afirma que decidiu permanecer no exterior para continuar sua atuação política.

O senador se apresenta como vítima de perseguição política e acusa integrantes do Judiciário de tentar impedir a atuação de opositores do governo.

Ele também compara sua situação à de personagens históricos que viveram no exílio ou atuaram contra governos de seus países, entre eles Rui Barbosa, Charles de Gaulle e opositores venezuelanos.

Flávio afirma que pretende se comunicar regularmente com seus apoiadores e apresentar uma estratégia de mobilização política.

Segundo o documento, essa atuação deverá ocorrer por meios pacíficos e legais, com o objetivo de impedir o que ele descreve como a consolidação de um regime autoritário no Brasil.

O senador também mencionou Rogério Marinho (PL-RN) como seu candidato à Presidência do Senado.

Flávio agradece a Trump e Milei

A carta contém agradecimentos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei.

Flávio elogia os dois governantes e afirma ter encontrado acolhimento nos Estados Unidos, país onde pretende continuar sua atuação política.

O documento ainda chamou atenção por uma alteração no brasão utilizado em seu cabeçalho.

Na primeira versão divulgada, aparecia a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, denominação histórica adotada após a Proclamação da República, em 1889. Posteriormente, Paulo Figueiredo compartilhou outra versão, desta vez com a inscrição “República Federativa do Brasil”.

A autodeclaração de Flávio Bolsonaro não altera o resultado das eleições presidenciais. Conforme a apuração oficial, Luiz Inácio Lula da Silva venceu o segundo turno realizado em 25 de outubro de 2026.

A carta representa uma manifestação política do senador e não possui efeito jurídico sobre o resultado anunciado pela Justiça Eleitoral.

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