Gaeco cumpre mandados em Cascavel em investigação sobre facção que trocava drogas por assinaturas
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Por Diego Cavalcante
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Cascavel está entre as cidades onde foram cumpridas ordens judiciais na segunda fase da Operação Umbra, deflagrada nesta quarta-feira (28) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná. A investigação apura a atuação regional de uma facção criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, comércio de armas e distribuição de entorpecentes em troca de assinaturas para um projeto de lei.
Batizada de Umbra II, a operação resultou no cumprimento de sete mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão. Além de Cascavel, as diligências ocorreram em Londrina, Cambé e Piraquara, no Paraná, e em Avaré e Marília, em São Paulo.
O foco da investigação está na atuação da organização criminosa em municípios abrangidos pelo DDD 43, na região Norte do Paraná. A presença de Cascavel entre os locais das diligências amplia o alcance territorial da operação, embora as informações divulgadas pelo Gaeco não detalhem qual seria a função específica dos investigados ou quais atividades teriam sido identificadas no município.
Campanha com drogas
Um dos pontos mais incomuns da investigação envolve a distribuição de entorpecentes como forma de incentivar a coleta de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular. A proposta buscava flexibilizar as regras para visitas íntimas e conjugais em estabelecimentos prisionais.
Segundo o Gaeco, a facção pretendia reunir 290 mil assinaturas em todo o país. Para estimular a participação, os responsáveis pelos pontos de venda de drogas forneciam porções a quem apresentasse assinaturas coletadas.
Os investigadores encontraram planilhas que relacionavam a quantidade de entorpecentes distribuída ao número de assinaturas obtidas. Em um dos registros, cada grama de cocaína correspondia a oito assinaturas.
A apuração também indica que a organização mantinha uma estrutura hierárquica, com integrantes responsáveis pela disciplina interna, pelo controle financeiro, pela distribuição de drogas e pela negociação de armas de fogo, inclusive fuzis.
Atuação mesmo dentro dos presídios
Outro aspecto investigado é a continuidade das atividades criminosas mesmo com parte dos suspeitos já recolhida ao sistema penitenciário do Paraná e de São Paulo. Conforme as apurações, alguns deles continuariam transmitindo ordens, negociando armamentos e administrando a distribuição de drogas.
O material reunido também aponta a possível participação de dois investigados em um duplo homicídio ocorrido em 2024, em Rolândia. Uma das vítimas era um homem que, segundo a linha investigativa, seria integrante de um grupo rival. Uma criança também morreu no crime.
Um dos suspeitos relacionados a esse caso teria fugido para o Paraguai e é considerado foragido da Justiça.
Em Cascavel, o cumprimento de mandados coloca o município no mapa das diligências desta nova fase da Operação Umbra. Até o momento, porém, não foram divulgados detalhes que permitam estabelecer a participação individual de eventuais alvos locais nos crimes investigados.
As investigações seguem sob responsabilidade do Gaeco, e a apuração das condutas individuais será fundamental para esclarecer a dimensão da atuação do grupo e a possível participação de cada suspeito.