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Pais protestam contra fechamento de CMEI no Santa Cruz e questionam transferência de crianças em Cascavel

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Em conversa com a CGN, pais relataram que a decisão exige a reorganização da rotina de dezenas de famílias, que precisarão encontrar novas unidades para matricular os filhos.
Pais protestam contra fechamento de CMEI no Santa Cruz e questionam transferência de crianças em Cascavel

Por Allan Machado

Atualizado em

O anúncio de mudanças no atendimento do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Geraldo Figueiredo, localizado no bairro Santa Cruz, em Cascavel, provocou preocupação e indignação entre pais de alunos. Durante uma reunião realizada na noite desta terça-feira (27), as famílias foram informadas de que a unidade deixará de funcionar como CMEI e deverá ser transformada em um centro de atendimento especializado para crianças com deficiência.

Em conversa com a CGN, pais relataram que a decisão exige a reorganização da rotina de dezenas de famílias, que precisarão encontrar novas unidades para matricular os filhos. Conforme as informações repassadas durante a reunião, as crianças do Infantil 4 serão encaminhadas para uma escola do bairro, enquanto os alunos do Infantil 1 e Infantil 2 deverão ser direcionados a outros CMEIs da região.

A principal reclamação dos responsáveis é a falta de tempo para organizar a transferência e preparar as crianças para a adaptação a um novo ambiente escolar. Segundo os pais, muitos alunos já estão acostumados com a rotina do CMEI Geraldo Figueiredo, além de morarem nas proximidades da instituição.

Uma mãe que preferiu não se identificar concedeu entrevista à CGN e relatou que as famílias foram comunicadas sobre a reunião e o possível encerramento das atividades da unidade como CMEI apenas nesta terça-feira.

“Eles vão abrir um centro para crianças com deficiência, crianças atípicas. Só que nós ficamos sabendo agora e temos que resolver a situação dos nossos filhos para que eles consigam se adaptar a outras escolas”, afirmou.

A mulher também questionou o prazo para que as famílias organizem a mudança e destacou as dificuldades enfrentadas por quem depende da proximidade da instituição para conciliar os horários de trabalho com a rotina dos filhos.

“Do mesmo jeito que não avisaram antes sobre o que ia acontecer aqui, agora, em cima da hora, estão avisando que temos que pegar as crianças e adaptar em outra escola. Só que as nossas crianças já estão acostumadas aqui, e aqui é perto para todo mundo”, relatou.

A preocupação também envolve a capacidade de atendimento das demais unidades da região. Os pais temem que a transferência provoque dificuldades na distribuição das crianças e questionam se haverá vagas suficientes para receber todos os alunos.

“E a superlotação? Não vai dar no Zildi e em outros colégios, em outros CMEIs. É uma revolta”, declarou a mãe.

Pais cobram explicações sobre atendimento após denúncia de agressão

Além das mudanças anunciadas para a unidade, alguns responsáveis também voltaram a falar sobre o caso envolvendo uma professora que teria agredido uma criança no CMEI Geraldo Figueiredo. A situação foi encaminhada ao Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria), conforme relatado anteriormente.

Um dos pais entrevistados pela CGN afirmou que percebeu mudanças no comportamento do filho após o episódio. Segundo ele, a criança passou a apresentar resistência para entrar na sala de aula e episódios de irritação no momento em que é deixada na instituição.

“Depois do acontecido, ele ficou bem agressivo, tanto com a minha esposa quanto na hora de deixar ele aqui na escola, de manhã cedo. Ele faz birra e não quer entrar na sala de jeito nenhum. A diretora precisa vir conversar com ele para que consiga entrar”, relatou.

O responsável também disse que a família não recebeu informações para esclarecer se o filho estaria entre as crianças que teriam sido vítimas de agressão. Segundo ele, não houve uma reunião específica para apresentar esclarecimentos aos pais sobre o episódio e os possíveis impactos sobre os alunos.

“Até hoje ninguém fez uma reunião para passar nada para nós. A gente não sabe se o nosso filho foi um dos que foram agredidos pelas professoras”, afirmou.

O pai questionou ainda a falta de orientação e de acompanhamento às famílias após a ocorrência. De acordo com o relato, ele considera que a criança precisa de apoio psicológico, mas não teria recebido o suporte que esperava por parte dos responsáveis pelo atendimento educacional.

“Meu menino precisava de um psicólogo, e ninguém veio dar atenção para a gente. Para fazer essa reunião para fechar o CMEI, elas marcaram. Por que, para falar sobre o ocorrido, não veio ninguém?”, questionou.

O entrevistado afirmou que os responsáveis gostariam de ter recebido orientações sobre como lidar com as mudanças de comportamento dos filhos e sobre os encaminhamentos adotados após a denúncia.

“Nós, os outros pais, ninguém teve suporte para ver como nossos filhos estavam se sentindo, como foi o caso, se estavam revoltados. Ninguém veio dar suporte para nós. É isso que gera mais revolta”, declarou.

Para as famílias, a possibilidade de encerramento das atividades do CMEI como unidade de educação infantil, anunciada no mesmo período em que ainda cobram esclarecimentos sobre a denúncia, aumentou as dúvidas sobre os motivos da decisão.

“De uma hora para outra, resolvem fechar a escola assim, do nada. A gente está cobrando uma explicação, porque é complicado”, disse o pai.

Ele também questionou a necessidade de transferir os alunos que já frequentam a instituição, considerando que o local atende famílias que vivem nas proximidades e que as crianças estão adaptadas à rotina escolar.

Portão aberto também preocupa as famílias

Outro ponto mencionado pelos pais durante a conversa com a CGN foi a segurança dentro da instituição. Segundo os relatos, um dos portões do CMEI tem permanecido aberto, situação que provoca preocupação entre os responsáveis.

As famílias temem que a falta de controle no acesso permita a entrada de pessoas sem autorização, aumentando a sensação de insegurança no ambiente em que as crianças passam parte do dia.

A CGN aguarda uma posição da Prefeitura mediante à situação.

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