Ibovespa estende perdas com petróleo e maior aversão ao risco pós-eleição
Publicado em
Por Agência Estado
Depois de registrar o pior desempenho desde março de 2020, o Ibovespa prosseguiu em ajuste negativo, em um movimento de acomodação após o tombo da véspera e acompanhando a baixa do petróleo, que trouxe pressão adicional à Petrobras. No fim da sessão, o principal índice da B3 cedeu 0,51%, aos 175.710,05 pontos, depois de tocar a mínima em 175.130,23 pontos perto do fim dos negócios. O índice segue nos menores níveis desde agosto.
Analistas e operadores continuam atribuindo a performance ao aumento do prêmio de risco para investir em ativos de risco em meio ao grande ceticismo com a agenda econômica do governo Lula a partir de 2027. Além disso, o dia também foi marcado pelo recuo de 1,20% do petróleo Brent – referência para a Petrobras -, para US$ 109,41 o barril. Na combinação de fatores, a estatal teve baixa de 2%.
Além da desconfiança sobre a agenda fiscal, há dúvidas também sobre os nomes que vão compor ministérios e a articulação política necessária com um Congresso muito mais alinhado à direita.
“A governabilidade é um tema relevante, é um processo delicado com o Congresso mais à direita e vai demandar aliança grande com o Centrão”, afirma o estrategista da Empiricus, Matheus Spiess. “O mercado ainda estará sensível e de olho nos novos sinais da nova equipe econômica. Isso faz com que negociemos de forma deslocada do exterior.”
Outras grandes ações além da Petrobras seguiram no campo negativo no dia, caso dos grandes bancos, como Itaú e Bradesco, que tiveram perdas acima de 1% no pregão. Profissionais reforçam que a queda desses papéis dão o tom do ajuste de carteiras que ainda está em curso, especialmente no caso dos estrangeiros, na renda variável local.
“O fluxo estrangeiro também continua sendo um ponto importante. Depois do movimento recente, esse capital não tende a sair de uma só vez, inclusive pela própria liquidez do mercado. Por isso, esse processo de reposicionamento pode acontecer de forma mais gradual”, afirma o analista de investimentos do Andbank, Fernando Bresciani.
O mercado de ações também não acompanhou o alívio visto no dólar e nos juros futuros porque um eventual cenário de política monetária mais restritiva, como eventual consequência de um cenário fiscal menos austero e de poucos sinais de melhora, leva o mercado a confiar menos numa recuperação das ações, avalia o fundador da Akros Consultoria, Glauber Sá.
“A bolsa não acompanhou o alívio do câmbio e dos juros, porque o investidor de ações passou a considerar juro alto por mais tempo e a queda de expectativa de crescimento de lucros. Depois de uma queda de quase 14%, o preço parece baixo, mas pode permanecer nesse patamar por bastante tempo, já que o cenário mudou”, diz.
Segundo o estrategista global da Avenue, Fernando Saad Benati, movimentos técnicos intensificaram as perdas da véspera e o encerramento de posições acaba forçando um efeito bola de neve. “Os próximos dias serão cruciais para entendermos qual será a nova aposta do mercado e qual cenário passará a ser precificado”, afirma.