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De cada 5 crianças examinadas em Cascavel, quase uma precisava de óculos

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Hospital de Olhos avaliou 161 crianças e identificou 30 com indicação para uso de óculos, além de um caso de glaucoma congênito.

Por Redação CGN

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Uma campanha de saúde ocular realizada pelo Hospital de Olhos, em Cascavel, revelou um dado que merece a atenção dos pais: das 161 crianças examinadas, 30 receberam indicação para usar óculos. Isso representa 18,6% dos atendimentos, ou seja, quase uma em cada cinco crianças avaliadas.

Os exames foram realizados nos dias 18 e 25 de setembro e 2 e 9 de outubro, durante a campanha De Olho nos Olhinhos. A iniciativa, que recebeu 240 agendamentos, atendeu crianças de zero a oito anos e teve como principal objetivo conscientizar as famílias sobre a importância do diagnóstico precoce do retinoblastoma, um tipo de câncer que atinge os olhos, principalmente na infância.

Além das crianças que receberam indicação para usar óculos, os médicos identificaram um caso de glaucoma congênito, encaminhado para atendimento especializado.

O resultado reforça um alerta: nem sempre uma criança percebe que está enxergando mal. Muitas vezes, ela convive com a dificuldade sem conseguir explicar o problema aos pais.

Problemas de visão podem passar despercebidos

Segundo a oftalmologista Ameline Nishizima, do Hospital de Olhos, as alterações mais frequentes encontradas durante os atendimentos foram os chamados erros refrativos, como miopia, hipermetropia e astigmatismo.

Essas condições podem dificultar a formação de imagens nítidas e comprometer o desenvolvimento da visão quando não são identificadas e corrigidas adequadamente.

“Durante os atendimentos, identificamos 30 crianças com indicação para o uso de óculos e um caso de glaucoma congênito, que encaminhamos a um serviço de referência. O número de crianças avaliadas superou nossas expectativas e mostrou a importância de oferecer essas oportunidades às famílias”, destaca a médica.

A identificação precoce é especialmente importante na infância, período em que a visão ainda está em desenvolvimento.

Câncer nos olhos: diagnóstico precoce pode salvar a visão

A campanha também chamou a atenção para o retinoblastoma, um câncer ocular raro que atinge principalmente crianças pequenas.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a doença ocorre em aproximadamente um a cada 20 mil nascidos vivos. Quando identificada precocemente e tratada de maneira adequada, as chances de cura podem ultrapassar 95%.

Um dos sinais mais conhecidos é o aparecimento de um reflexo branco na pupila, que pode ser percebido principalmente em fotografias tiradas com flash.

O estrabismo, caracterizado pelo desalinhamento dos olhos, também pode ser um sinal de alerta e precisa ser investigado.

Durante a campanha, os profissionais atenderam uma criança que já havia passado por tratamento contra o retinoblastoma e segue em acompanhamento especializado em São Paulo.

Segundo a oftalmologista, o paciente havia recebido diagnóstico tardio da doença em um dos olhos. No outro, o tratamento possibilitou preservar a visão.

“Recebemos um paciente que teve o diagnóstico tardio de retinoblastoma em um dos olhos. No outro, após o tratamento, foi possível preservar a visão. Esse caso mostra como o diagnóstico precoce pode fazer diferença no sucesso do tratamento e na preservação da capacidade visual”, explica Ameline.

O relato demonstra a importância de procurar avaliação médica diante de qualquer alteração suspeita nos olhos da criança.

Mãe levou filha para primeira consulta

Entre as famílias atendidas estava a de Isadora Guerreiro Mazzuco, de dois anos e oito meses.

A menina passou pela primeira avaliação oftalmológica acompanhada da mãe, Claudiane Aparecida Guerreiro.

A consulta já fazia parte dos cuidados planejados pela família, mas a campanha permitiu antecipar o exame.

Nenhuma alteração foi identificada na visão da criança, o que trouxe tranquilidade para a mãe.

“O atendimento foi muito bom, todos foram muito atenciosos. O que mais me chamou a atenção foi a quantidade de crianças com problemas de visão. Agradeço todos os dias pela visão da minha filha e vou continuar cuidando dos olhinhos dela”, conta Claudiane.

Quando uma criança deve fazer exame de vista?

A recomendação dos especialistas é que os cuidados com a visão comecem logo após o nascimento.

Segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP), o teste do olhinho deve ser realizado nas primeiras 72 horas de vida.

Para crianças saudáveis, também é recomendado um exame oftalmológico completo entre seis e 12 meses de idade, além de uma nova avaliação entre três e cinco anos, preferencialmente aos três.

A oftalmologista Ameline Nishizima explica que não é necessário esperar a criança apresentar alguma dificuldade para procurar atendimento.

“É importante que toda criança passe por uma avaliação oftalmológica completa entre seis e 12 meses de vida. Muitas alterações podem ser identificadas nessa fase, permitindo que o acompanhamento e, quando necessário, o tratamento comecem o quanto antes”, orienta.

Os pais também devem ficar atentos a alguns sinais que podem indicar problemas de visão:

  • Criança que aproxima muito os objetos ou brinquedos do rosto;
  • Dificuldade para acompanhar objetos em movimento;
  • Olhos que apresentam desvio ou desalinhamento;
  • Reflexo branco na pupila, especialmente em fotografias com flash;
  • Mudanças na aparência dos olhos.

A presença desses sinais não significa necessariamente que a criança tenha uma doença grave, mas indica a necessidade de avaliação oftalmológica.

O principal recado da campanha é que a saúde dos olhos precisa fazer parte dos cuidados de rotina desde os primeiros meses de vida, mesmo quando a criança aparentemente enxerga bem.

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