Flávio Bolsonaro deixa o Brasil rumo aos Estados Unidos após decisão de Moraes, dizem aliados
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Por Redação CGN
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais de domingo (25), deixou o Brasil e estaria viajando para os Estados Unidos nesta terça-feira (27). A informação foi divulgada pelo Metrópoles e pelo UOL, que ouviram fontes próximas à família Bolsonaro e aliados do parlamentar. A viagem ocorre um dia depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos passaportes do senador à Polícia Federal.
Segundo a coluna Grande Angular, do Metrópoles, publicada às 13h41, pessoas próximas à família confirmaram que Flávio deixou o país. O avião estaria em voo, com destino final previsto para a Flórida, nos Estados Unidos.
O UOL também informou, às 13h49, que aliados foram avisados de que o senador estava a caminho dos Estados Unidos. Entretanto, as fontes ouvidas pelo portal não souberam informar qual meio de transporte ele utilizou para deixar o território brasileiro. Até aquele momento, não havia confirmação oficial das autoridades sobre sua chegada ao exterior.
Último contato com aliados foi na manhã desta terça-feira
Flávio Bolsonaro não era localizado por aliados desde as primeiras horas desta terça-feira. De acordo com o Metrópoles, a última mensagem conhecida do senador foi enviada às 8h ao senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou sua campanha presidencial.
Na conversa, Flávio afirmou que estava “esfriando a cabeça”, mas não respondeu se havia deixado o Brasil.
A ausência de contato provocou dúvidas entre integrantes de seu grupo político. No início da manhã, Rogério Marinho chegou a negar que Flávio tivesse saído do país.
Em declaração à coluna de Igor Gadelha, também do Metrópoles, o coordenador da campanha respondeu: “Não saiu”.
Horas depois, no entanto, veículos de comunicação passaram a publicar relatos de fontes próximas ao senador confirmando a viagem.
Polícia Federal cancela passaportes após descumprimento de ordem judicial
A viagem ocorre em meio a uma investigação conduzida pelo STF.
Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes comum e diplomático à Polícia Federal no prazo de 24 horas.
A medida foi adotada em uma investigação que envolve o senador e o advogado Willer Tomaz, suspeitos de participação em um esquema de lavagem de dinheiro. Flávio nega as acusações.
Segundo o UOL, os documentos não foram entregues dentro do prazo estabelecido pela Justiça.
Diante do descumprimento, a Polícia Federal cancelou os passaportes comum e diplomático do parlamentar nesta terça-feira e decidiu comunicar formalmente a situação ao ministro Alexandre de Moraes.
O cancelamento ocorreu quando já circulavam informações de que Flávio poderia ter deixado o Brasil.
Apesar disso, não havia confirmação oficial de que o senador tivesse utilizado os documentos para sair do país, nem informação conclusiva sobre o trajeto adotado.
Informação sobre passagem pela Argentina surgiu durante a madrugada
As primeiras informações sobre uma possível saída de Flávio Bolsonaro do Brasil foram publicadas pelo site argentino Infobae, ainda durante a madrugada desta terça-feira.
Segundo o veículo, o parlamentar teria atravessado a fronteira entre Brasil e Argentina e seguido até Puerto Iguazú, cidade da província de Misiones, localizada na região da tríplice fronteira, próxima a Foz do Iguaçu, no Paraná.
A reportagem argentina apontou que o senador utilizaria um documento de identidade para cruzar a fronteira e embarcaria posteriormente em um avião particular com destino aos Estados Unidos.
O voo estaria previsto para as 2h desta terça-feira.
A aeronave mencionada era um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa de aviação executiva Baires Fly S.A.
Ainda segundo as informações publicadas pelo Infobae e repercutidas pelo UOL, a empresa teria solicitado procedimentos de Aduana e Migrações para quatro passageiros e três tripulantes.
Entretanto, os dados de monitoramento aéreo consultados pelos veículos brasileiros não confirmaram a partida desse avião para os Estados Unidos.
Avião apontado na denúncia continuava parado na Argentina
Uma das principais dúvidas envolve justamente a aeronave mencionada pelo veículo argentino.
Segundo registros de monitoramento de voos divulgados pelo Metrópoles, o Gulfstream G400 realizou uma viagem de Buenos Aires até Puerto Iguazú na noite de segunda-feira (26), pousando às 23h42.
Não havia, porém, registro de decolagem às 2h da madrugada de terça-feira, horário inicialmente apontado para a suposta viagem de Flávio.
Na atualização publicada pelo UOL às 13h49, a aeronave permanecia parada em Puerto Iguazú.
Dessa forma, embora aliados tenham posteriormente informado que Flávio estava a caminho dos Estados Unidos, não foi possível estabelecer uma ligação confirmada entre o senador e o avião inicialmente citado.
Também não havia confirmação de que a viagem tivesse passado pela Argentina.
Fonte próxima ao governo Trump confirma ter conhecimento da partida
A reportagem do UOL ouviu uma fonte nos Estados Unidos com proximidade à administração do presidente Donald Trump e à família Bolsonaro.
Essa pessoa afirmou estar ciente da partida do senador brasileiro em direção aos Estados Unidos.
A fonte, entretanto, não confirmou se Flávio já havia chegado ao país, nem se o trajeto incluía passagem pela Argentina.
O Departamento de Estado norte-americano foi procurado oficialmente pelo UOL, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem.
Outra fonte ouvida pelo portal em Brasília relatou que uma das filhas de Flávio teria se despedido de duas colegas na segunda-feira, afirmando que iria para os Estados Unidos.
Essas informações reforçaram os relatos sobre uma viagem internacional, embora detalhes sobre o deslocamento e a eventual presença de familiares ainda não estivessem esclarecidos.
Eduardo Bolsonaro chegou a ironizar notícia sobre saída do irmão
Antes das confirmações publicadas por fontes próximas à família, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro havia negado, em tom de ironia, a informação sobre uma possível saída do irmão do Brasil.
Questionado pelo UOL sobre os relatos que circulavam durante a manhã, Eduardo respondeu:
“Sim. Foi o Elon Musk que mandou o foguete”.
A declaração foi dada antes de o próprio UOL e o Metrópoles publicarem novas informações atribuídas a aliados e pessoas próximas à família Bolsonaro.
Na segunda-feira, Flávio havia prometido permanecer no Brasil
A notícia sobre a viagem contrasta com uma declaração divulgada pelo próprio Flávio Bolsonaro na segunda-feira (26), depois de tomar conhecimento da decisão de Alexandre de Moraes.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o senador afirmou que não pretendia deixar o Brasil e que cumpriria a determinação judicial.
“Nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, declarou.
Flávio também questionou os fundamentos da decisão do STF.
Segundo o parlamentar, a medida teria sido motivada por declarações feitas por seu irmão Eduardo Bolsonaro, que havia recomendado que ele deixasse o Brasil caso perdesse as eleições presidenciais.
Flávio argumentou que nunca havia manifestado essa intenção e criticou a determinação de entrega de seus documentos.
Na ocasião, ele também havia divulgado uma mensagem indicando que permaneceria no Brasil para organizar a oposição ao governo Lula.
Polícia Federal busca esclarecer como o senador teria deixado o país
Desde as primeiras informações divulgadas pelo Infobae, a Polícia Federal passou a verificar se Flávio Bolsonaro havia atravessado a fronteira brasileira.
Segundo o Metrópoles, autoridades brasileiras entraram em contato com representantes argentinos para apurar se o parlamentar havia ingressado no país vizinho.
As primeiras verificações não identificaram registros formais de saída do senador pelos postos oficiais de migração do Brasil.
As autoridades também consideravam a possibilidade de uma travessia sem registro nos pontos regulares de fiscalização.
Mesmo com as informações divulgadas por aliados, permaneciam sem esclarecimento oficial o horário exato da saída, o local utilizado para deixar o Brasil e a aeronave responsável pelo deslocamento.
Saída ocorre dois dias após derrota para Lula
A possível partida de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos acontece em um momento de mudanças no cenário político brasileiro.
No domingo (25), o senador foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial de 2026.
Já na segunda-feira (26), um dia depois da votação, foi determinada a entrega de seus passaportes no âmbito da investigação conduzida pelo STF.
Nesta terça-feira (27), após o encerramento do prazo judicial e o cancelamento dos documentos, aliados passaram a confirmar à imprensa que Flávio havia deixado o Brasil.
Até as últimas informações verificadas nesta reportagem, o senador não havia apresentado publicamente detalhes da viagem, de sua localização ou de eventual previsão de retorno.
A CGN acompanha os desdobramentos do caso.