Flávio Bolsonaro diz que terá de entregar passaporte e anuncia pedido de cassação da chapa de Lula
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Por Redação CGN
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O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, na tarde desta segunda-feira (26), que foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes e que está proibido de deixar o Brasil. Em vídeo divulgado após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial, ele também anunciou que pretende pedir a cassação da chapa vencedora e organizar a oposição no Congresso Nacional.
O pronunciamento ocorreu um dia depois do segundo turno das eleições de 2026. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 48,21%.
Na gravação, o senador agradeceu aos quase 60 milhões de eleitores que votaram nele e afirmou que continuará atuando politicamente contra o governo petista.
“Não foi eu que perdi, foi o sistema que ganhou”, declarou.
Flávio Bolsonaro relata intimação da PF e critica Alexandre de Moraes
Um dos principais pontos do pronunciamento foi o relato de que o senador teria sido abordado por agentes da Polícia Federal após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
Segundo Flávio, a abordagem ocorreu quando ele deixava a residência. Ele afirmou que foi intimado, em via pública, a entregar seus passaportes e que não poderá sair do território nacional.
O senador atribuiu a determinação ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e questionou os fundamentos da medida.
De acordo com Flávio, a decisão estaria relacionada a uma declaração feita por seu irmão, Eduardo Bolsonaro, em 23 de outubro, sobre uma eventual saída do país caso o candidato do PL perdesse a eleição.
A declaração de Eduardo foi dada durante uma entrevista a um podcast norte-americano. Na ocasião, ele defendeu que Flávio deixasse o Brasil em caso de derrota.
O senador, entretanto, negou que tivesse manifestado essa intenção.
“Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, afirmou.
Ele também criticou o momento da determinação, que, segundo seu relato, foi tomada na noite de domingo (25), após o anúncio do resultado eleitoral.
“Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça?”, questionou.
A intimação foi relatada publicamente pelo senador. Os fundamentos completos da decisão judicial precisam ser considerados na análise sobre a legalidade da medida.
Senador anuncia pedido de cassação da chapa de Lula
Durante a manifestação, Flávio Bolsonaro também questionou a prorrogação do horário de votação no segundo turno, realizada no domingo.
A votação, inicialmente prevista para terminar às 17h, foi estendida até as 19h por determinação do ministro Cristiano Zanin, do STF.
A decisão foi tomada após pedidos relacionados a dificuldades de deslocamento de eleitores. A campanha de Lula solicitou a ampliação do horário em todo o país, enquanto a equipe de Flávio também havia pedido a prorrogação em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina atingidos por problemas climáticos.
A extensão foi aplicada às seções eleitorais que ainda estavam abertas. Urnas que já haviam sido encerradas não foram reabertas.
Flávio criticou a alteração do horário e afirmou que os efeitos da medida deveriam ser esclarecidos. Ele também alegou que a decisão provocou desequilíbrio na disputa.
“O que aconteceu nesse intervalo de tempo ninguém consegue entender. Isso precisa ser esclarecido”, declarou.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou após o resultado que a medida não comprometeu a segurança do processo eleitoral.
No pronunciamento, Flávio também acusou Lula de utilizar recursos públicos para obter vantagens eleitorais. O senador citou um valor próximo de meio trilhão de reais, sem apresentar, na declaração, comprovação de compra de votos nesse montante.
A acusação foi feita pelo candidato derrotado e não representa uma irregularidade comprovada pela Justiça Eleitoral.
“Então eu vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu”, anunciou.
O pronunciamento não detalhou os fundamentos jurídicos nem apresentou confirmação de que o pedido de cassação já tenha sido protocolado. Eventuais acusações precisam ser analisadas pelas instâncias judiciais competentes.
Flávio Bolsonaro promete organizar oposição no Congresso
Na parte final do vídeo, o senador afirmou que pretende reunir deputados e senadores eleitos para definir uma estratégia de oposição ao próximo mandato de Lula.
Ele disse que a atuação parlamentar será uma das prioridades do grupo político após a eleição presidencial.
“Eu vou reunir os deputados, senadores eleitos, para organizar a nossa estratégia e fazer da Câmara e do Senado a nossa fortaleza”, declarou.
Flávio também fez previsões negativas sobre o desempenho da economia brasileira, mencionando câmbio, mercado financeiro, inflação e insegurança jurídica. As declarações representam avaliações e projeções políticas do senador, não resultados econômicos futuros confirmados.
Ao encerrar o pronunciamento, ele reafirmou que pretende continuar sua atuação política e que não aceitará o que considera tentativas de intimidação.
“Não vão me calar. Não vão me intimidar”, afirmou.
O senador concluiu a gravação pedindo que seus apoiadores continuem mobilizados: “Não vamos desistir do nosso Brasil”.