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Mãe que matou três crianças havia recebido alta de atendimento psiquiátrico seis dias antes

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As vítimas eram Fares Bash, de 7 anos, Joury Bash, de 3 anos, e Mohammed Bash, de apenas 9 meses.
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Foto cedida pela família/Rede Sudanesa do Sudoeste

Por Redação CGN

Atualizado em

Uma mulher de 44 anos que admitiu ter matado os três filhos em Bristol, na Inglaterra, recebeu nesta sexta-feira (23) uma ordem judicial de internação por tempo indeterminado em uma unidade psiquiátrica de segurança. Yasmeen Ali foi responsabilizada pelas mortes das crianças, ocorridas em fevereiro de 2024, mas a Justiça britânica considerou que um grave transtorno mental comprometeu sua responsabilidade pelos atos.

As vítimas eram Fares Bash, de 7 anos, Joury Bash, de 3 anos, e Mohammed Bash, de apenas 9 meses. Os três foram encontrados mortos dentro da residência da família, no bairro de Sea Mills, em 18 de fevereiro de 2024.

Durante audiência no Tribunal da Coroa de Bristol, Yasmeen admitiu três acusações de homicídio na modalidade conhecida no direito britânico como manslaughter, com reconhecimento de responsabilidade diminuída.

A defesa apresentou evidências de que a mulher enfrentava um episódio de psicose aguda quando as mortes ocorreram.

O juiz Linden determinou a internação psiquiátrica por tempo indeterminado após analisar os laudos médicos e concluir que os atos estavam quase inteiramente relacionados ao transtorno mental apresentado pela ré.

Crianças foram encontradas mortas dentro de casa

Segundo as informações apresentadas ao tribunal, a própria Yasmeen telefonou para o serviço de emergência antes da chegada da polícia.

Durante a ligação, feita em árabe, ela demonstrava dificuldade para falar e afirmou que estava indo ao encontro de Deus.

Quando os policiais chegaram à residência, encontraram as três crianças mortas e a mãe em estado de intensa perturbação, com ferimentos que ela própria havia provocado.

A investigação apontou que as crianças morreram em decorrência de ferimentos causados por arma branca. O filho mais velho também apresentava possíveis sinais de asfixia.

Yasmeen, que trabalhou como enfermeira no Sudão antes de se mudar para o Reino Unido, chorou durante a audiência, enquanto eram apresentados detalhes sobre as mortes.

O pai das crianças, Alfil Bash, deixou a sala do tribunal durante a exposição das informações.

Mulher havia recebido alta psiquiátrica seis dias antes

Um dos pontos abordados no julgamento foi o acompanhamento de saúde mental recebido por Yasmeen antes da tragédia.

O tribunal foi informado de que ela havia recebido alta dos serviços de saúde mental em 12 de fevereiro de 2024, apenas seis dias antes das mortes.

O juiz apontou deficiências na avaliação realizada pelos serviços responsáveis, em um momento em que não havia disponibilidade de leito para atendimento psiquiátrico de casos agudos.

O serviço de saúde Avon and Wiltshire Mental Health Partnership NHS Trust pediu desculpas pelas falhas no atendimento prestado à mulher.

De acordo com a defesa, dois psiquiatras que a avaliaram identificaram um transtorno esquizoafetivo, condição que pode envolver sintomas psicóticos e alterações significativas de humor.

A Justiça também examinou informações sobre dificuldades familiares e financeiras enfrentadas por Yasmeen.

Durante o processo, foram relatados episódios anteriores de conflitos conjugais e denúncias de violência doméstica. Essas informações integraram o histórico analisado pelo tribunal.

Pai das crianças relata sofrimento após as mortes

Em uma declaração apresentada à Justiça, Alfil Bash descreveu o impacto da perda dos três filhos e afirmou que as crianças representavam tudo em sua vida.

Ele disse que a dor provocada pelas mortes permanecerá pelo resto de sua vida.

Ao comentar o caso, o juiz destacou o sofrimento enfrentado pela família e considerou que Yasmeen não teria cometido os atos se estivesse em condições adequadas de saúde mental.

Após as mortes, moradores de Sea Mills realizaram vigílias em homenagem às crianças.

A escola frequentada pelos dois filhos mais velhos também manifestou pesar e destacou o impacto da perda para colegas, professores e funcionários.

Yasmeen permanece sob cuidados em uma unidade psiquiátrica de segurança. A determinação judicial não estabelece uma data para o encerramento da internação.

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