Apple lança iPod há 25 anos e muda a forma de ouvir música
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Por Redação
Em 23 de outubro de 2001, a Apple apresentou ao mundo um aparelho que parecia simples, mas ajudaria a transformar a indústria da música: o iPod. A promessa era ambiciosa para a época: colocar até mil músicas no bolso do usuário. Hoje, isso parece pouco diante dos celulares que armazenam milhares de arquivos e acessam catálogos inteiros pela internet. Mas, naquele momento, carregar uma coleção musical tão grande em um dispositivo compacto era quase como ter uma loja de discos particular, sem precisar contratar alguém para carregar as sacolas.
Mil músicas no bolso, por US$ 399
O primeiro iPod tinha um disco rígido de 5 GB, bateria com autonomia de até dez horas e uma roda de navegação que permitia percorrer listas de artistas, álbuns e faixas. O aparelho pesava cerca de 185 gramas e custava US$ 399 nos Estados Unidos. Sim, era um tocador de música pelo preço de um produto eletrônico premium. E havia outro detalhe: inicialmente, só funcionava com computadores Macintosh. Ou seja, além de desembolsar uma quantia considerável, o consumidor precisava estar no ecossistema da Apple.
A grande sacada não estava apenas na capacidade de armazenamento, mas na experiência de uso. Antes do iPod, muitos tocadores de MP3 tinham interfaces pouco práticas e espaço limitado. A Apple apostou em um aparelho fácil de navegar e que sincronizava automaticamente as músicas do iTunes com o computador. A transferência também era rápida para os padrões da época: segundo a empresa, mil músicas podiam ser copiadas em menos de dez minutos. Era o fim da obrigação de escolher um único CD para acompanhar o trajeto e o começo de uma biblioteca musical inteira à disposição.
O iPod também ajudou a mudar a relação do público com a música. Com a chegada da iTunes Store, em 2003, comprar faixas individualmente ganhou força e ofereceu uma alternativa à aquisição de álbuns completos. A combinação entre aparelho, programa e loja digital fortaleceu o modelo de consumo de música por arquivos e ajudou a Apple a se tornar uma potência também fora do mercado de computadores.
O iPod perdeu espaço para o próprio futuro
Depois vieram diferentes versões, como iPod mini, nano, shuffle e touch. O aparelho ganhou cores, telas maiores e novas funções, enquanto o mercado avançava para celulares capazes de tocar música, reproduzir vídeos e acessar a internet. Em 2007, o lançamento do iPhone acelerou essa mudança: aos poucos, carregar um aparelho exclusivo para ouvir música deixou de ser necessário para muita gente.
Em maio de 2022, a Apple anunciou o fim da linha iPod, com o último modelo, o iPod touch, disponível apenas enquanto durassem os estoques. A empresa justificou que a experiência musical do produto já estava incorporada a outros dispositivos, como iPhone e Apple Watch.
Vinte e cinco anos depois de sua apresentação, o iPod continua sendo um marco da tecnologia. Ele não inventou a música digital nem foi o primeiro tocador de MP3, mas mostrou como uma boa combinação de design, software e simplicidade podia transformar um produto em fenômeno cultural. Hoje, a gente reclama quando uma música demora três segundos para carregar. Em 2001, a grande revolução era conseguir levar mil delas no bolso. E ainda tinha que conectar o aparelho ao computador para abastecer a playlist.