Água-viva imortal e que rejuvenesce pode ajudar a combater o envelhecimento humano
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Por Luiz Haab
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Uma pequena criatura marinha está intrigando cientistas do mundo inteiro por uma habilidade que parece saída da ficção científica: ela consegue voltar a uma fase jovem da vida e recomeçar seu desenvolvimento.
Conhecida como água-viva imortal, a Turritopsis dohrnii pode transformar o próprio corpo quando enfrenta situações adversas. Em vez de simplesmente morrer, ela retorna a um estágio inicial, do qual podem surgir novas águas-vivas.
O fenômeno chamou a atenção de pesquisadores interessados em descobrir se os mecanismos biológicos desse animal podem ajudar a desenvolver tratamentos contra doenças relacionadas ao envelhecimento.
Durante o processo, a água-viva adulta perde sua forma característica e se transforma em uma estrutura de células. Em poucos dias, pode dar origem a um pólipo, que cresce e forma uma colônia capaz de produzir novos indivíduos.
O segredo está na capacidade de algumas células adultas de mudar de função e assumir características de outros tipos celulares. Esse processo, chamado transdiferenciação, permite que o animal reorganize o próprio organismo.
A descoberta pode abrir caminhos para a medicina regenerativa. Cientistas investigam se os mecanismos envolvidos nesse rejuvenescimento podem inspirar técnicas para reparar tecidos danificados, acelerar a recuperação de lesões e, futuramente, auxiliar no tratamento de doenças como Alzheimer e danos provocados por AVCs e infartos.
Estudos genéticos também identificaram características que podem contribuir para essa habilidade, incluindo mecanismos relacionados ao reparo do DNA e à manutenção dos telômeros, estruturas que protegem as extremidades dos cromossomos e tendem a diminuir com o envelhecimento.
Apesar dos resultados promissores, ainda não existe uma forma comprovada de reproduzir esse processo em seres humanos. Os pesquisadores precisam compreender melhor como esses mecanismos funcionam e se podem ser utilizados com segurança em células humanas.
E há um detalhe importante: o apelido de imortal não significa que a água-viva seja indestrutível. Ela ainda pode morrer por falta de alimento, ação de predadores, condições ambientais desfavoráveis ou outros fatores.
A própria capacidade de rejuvenescer também não parece funcionar em todos os indivíduos, e os cientistas ainda não sabem se existe um limite para esse processo.
Por enquanto, a pequena criatura dos oceanos não oferece uma fórmula para viver eternamente. Mas pode guardar pistas valiosas sobre como as células se renovam — e sobre novas possibilidades para enfrentar os efeitos do envelhecimento.