“Transparência não pode ser pela metade”; Deltan vai ao TSE analisar documentos entregues por Lula
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Por Fábio Wronski
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O ex-procurador Deltan Dallagnol esteve no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na manhã desta quinta-feira (22) para começar a análise dos documentos entregues pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa faz parte de um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que indicou Deltan para examinar informações fiscais, bancárias e empresariais relacionadas a Lula, seus filhos e pessoas próximas.
Segundo Deltan, o objetivo é identificar eventuais irregularidades e resgatar fatos apurados durante a Operação Lava Jato. “Lula é especialista em ocultar patrimônios e eu sou especialista em encontrar as irregularidades”, afirmou o ex-procurador, relembrando imóveis e bens que, segundo ele, foram localizados em nomes de terceiros durante investigações anteriores.
A equipe de Flávio Bolsonaro destacou que pretende analisar não apenas os documentos privados, mas também despesas públicas, incluindo movimentações com cartão corporativo e visitas ao Palácio do Planalto. “Queremos uma transparência real, não apenas documentos parciais”, ressaltou a advogada da campanha, ao defender que o sigilo das informações não se limite aos últimos oito anos, mas abranja todo o período em que Lula esteve no poder.
Deltan também mencionou nomes como João Vaccari Neto, Paulo Okamotto, os irmãos Batista e a Odebrecht, citando que os personagens das investigações continuam os mesmos, embora os percentuais e circunstâncias possam ter mudado. Ele afirmou que a análise dos documentos pode trazer à tona novos elementos sobre o patrimônio e as relações do presidente.
A defesa de Flávio Bolsonaro disse ter aceitado o desafio lançado pela equipe de Lula e prometeu apresentar todos os documentos solicitados, desde que haja reciprocidade e transparência total. “Se ele trouxe os documentos que a gente pediu, a gente vai trazer os nossos. O desafio é a transparência não pode ser pela metade”, concluiu a advogada.
A campanha de Flávio acredita que o desafio de Lula seja uma cortina de fumaça, apresentando documentos e celulares que não, nos últimos oito anos, foram usados já sabendo de possíveis investigadores. Deltan pede que o sigilo seja aberto desde a época que Lula entrou no poder e, inclusive, foi alvo a Lava Jato.
A entrega e análise dos documentos seguem sob acompanhamento do TSE, que poderá solicitar novos esclarecimentos caso considere necessário.