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Projeto em penitenciária de Foz do Iguaçu transforma resíduos em arte e oportunidade de renda

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Integrando as disciplinas de Ciências, Biologia, História, Artes e Sociologia, a ação visa capacitar mulheres em privação de liberdade por meio do empreendedorismo e da educação ambiental.
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Foto: Reprodução/CGN

Por Diego Cavalcante

Atualizado em

As custodiadas da Penitenciária Feminina de Foz do Iguaçu – Unidade de Progressão (PFF-UP) participam do projeto interdisciplinar “Transformando Resíduos em Oportunidades: Reciclagem, Artesanato e Geração de Renda”, realizado pelo Centro Estadual de Educação Básica de Jovens e Adultos (Ceebja) Helena Kolody.

Integrando as disciplinas de Ciências, Biologia, História, Artes e Sociologia, a ação visa capacitar mulheres em privação de liberdade por meio do empreendedorismo e da educação ambiental. Ao aplicar a técnica de decoupage em vidros, o projeto converte resíduos descartáveis em produtos de valor comercial, impulsionando a conscientização ecológica e a autonomia financeira.

O projeto é estruturado em etapas práticas que abrangem desde a conscientização sobre o descarte correto até a confecção de produtos. Potes e garrafas de vidro higienizados são personalizados por meio da técnica de decoupage, transformando-se em vasos decorativos, organizadores, luminárias e peças para presentes. Paralelamente, o óleo de cozinha usado é recolhido e reutilizado para a fabricação artesanal de sabão ecológico, seguindo rígidas normas de segurança e química responsável.

Para o coordenador regional da Polícia Penal do Paraná (PPPR) em Foz do Iguaçu, Cássio Rodrigo Pompeo, o trabalho da instituição vai muito além da custódia e da segurança. “Nossa missão é criar um ambiente propício para a humanização e a reintegração social. Quando viabilizamos ações como essa dentro da unidade, oferecemos dignidade e ferramentas reais de transformação por meio de projetos educativos que preparam as custodiadas para uma nova história do lado de fora”, destacou.

Para a professora Maria de Lurdes, responsável pelo projeto, a proposta vai muito além de ensinar uma técnica artesanal ou um processo químico. “Queremos que as participantes percebam que a sustentabilidade pode se conectar diretamente com o mundo do trabalho. Ao verem um pote de vidro ou o óleo usado virarem um produto bonito e útil, elas descobrem a própria capacidade de criar, aprender e se reinventar”, ressaltou.

Além do aprendizado prático e da preservação do meio ambiente, o projeto destaca-se pelo pilar de educação financeira e empreendedorismo. Nele, as alunas aprendem a elaborar fichas de custos, calcular a margem de lucro, definir preços de venda, criar embalagens atrativas e planejar estratégias de divulgação para feiras, bazares e redes sociais. O modelo ensina conceitos cruciais para a futura criação de pequenos negócios e iniciativas de economia solidária.

Ao alinhar preservação ambiental, formação humana e preparação para o mercado de trabalho, o projeto reforça o papel da escola como ponte para a reintegração social e garantia do direito à remição de pena pelo estudo.

Para a pedagoga Josiane Kojo, a iniciativa fortalece a missão da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no sistema penitenciário. “A educação prisional precisa oferecer ferramentas reais para o futuro. Trabalhar o empreendedorismo com as custodiadas garante que, ao conquistarem a liberdade, elas tenham em mãos uma profissão, visão de mercado e condições de gerar renda própria com dignidade”, avaliou.

“Acredito que iniciativas como essa demonstram o poder transformador da educação. O projeto une sustentabilidade, qualificação e empreendedorismo, proporcionando às mulheres privadas de liberdade novas perspectivas de autonomia, geração de renda e reintegração social. Parabenizo todos os profissionais envolvidos por mais essa importante ação”, finalizou a diretora da PFF-UP, Helena Maria Almeida Pasin.

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