“Talvez seja algo premeditado”, afirma delegado sobre feminicídio de Dirlei Rodrigues da Silva
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Por Fábio Wronski
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A Polícia Civil de Cascavel detalhou, na manhã desta quarta-feira (21), a prisão do suspeito de cometer o feminicídio de Dirlei Rodrigues da Silva, de 52 anos, encontrada morta em sua residência, na Rua Altemar Dutra, no bairro Floresta, região Norte da cidade, na tarde de 20 de outubro de 2026. A vítima foi assassinada com um golpe de faca no pescoço, dentro do quarto anexo ao brechó que mantinha.
Em entrevista coletiva, o delegado Ian Leão explicou que o suspeito, um homem de 46 anos, foi detido após diligências ininterruptas realizadas pela Polícia Militar, que envolveram equipes do 6º Batalhão de Cascavel e do 31º Batalhão de Assis Chateaubriand. “A Polícia Militar apresentou na 10ª Central Regional de Flagrantes o suposto autor do fato. Ele foi ouvido em sede policial, mas se manteve em silêncio durante o interrogatório”, afirmou o delegado.
Segundo as investigações, câmeras de segurança mostraram que o suspeito deixou a residência cerca de 40 minutos após a saída do filho da vítima. “Era uma pessoa que já estava na residência. Ninguém entrou nesse período, então isso foi um dos elementos que corroboraram a ratificação da prisão em flagrante”, explicou o delegado Ian Leão.
Durante as buscas na área rural de Assis Chateaubriand, foram encontrados objetos que podem ter relação com o crime, incluindo roupas lavadas e uma possível faca, que será periciada pela Polícia Científica. “No local havia uma fogueira com alguns objetos, e um dos itens arrecadados era uma lâmina, que pode ter sido utilizada para lesionar a vítima e causar o óbito”, detalhou o delegado.
O suspeito, que reside em Assis Chateaubriand, teria mantido um relacionamento esporádico com Dirlei. “Informalmente, ele disse que se relacionava esporadicamente com a vítima”, relatou o delegado Ian Leão, ressaltando que o filho da vítima reconheceu o suspeito pela voz e confirmou que ambos estavam juntos na residência antes do crime.
Sobre a possibilidade de o crime ter sido premeditado, o delegado afirmou: “Uma pessoa que sai da residência após a saída do filho, provavelmente não foi algo que surgiu no momento. Talvez seja algo premeditado, isso vai ser avaliado a partir das demais diligências”.
Até o momento, não foi comprovado se houve subtração de bens da vítima, mas cartões, bolsas e outros objetos foram apreendidos para análise. “O que está sendo analisado nesse momento são os elementos arrecadados pela Polícia Militar”, destacou o delegado.
O delegado Ian Leão também ressaltou que o investigado não possui antecedentes criminais e que o caso segue em inquérito policial, com respeito às garantias constitucionais. “Estamos numa análise sumária, ainda preliminar. Esses elementos foram suficientes para a lavratura da prisão em flagrante”, afirmou.
O delegado informou ainda que, em 2026, todos os casos de feminicídio registrados em Cascavel foram solucionados. “Estamos com cinco casos em tese e cinco casos solucionados. 100% de resolução dos feminicídios”, disse.
A investigação segue em andamento, com novas perícias e oitivas de testemunhas, incluindo amigas próximas da vítima, que relataram momentos de desgaste no relacionamento. O suspeito poderá responder por feminicídio, além de outros crimes, como ocultação, fraude processual ou crime patrimonial, dependendo do avanço das diligências.
O caso será submetido à avaliação do Poder Judiciário e do Ministério Público, que decidirão sobre a manutenção da prisão preventiva ou eventual concessão de liberdade mediante condições. “A prisão em flagrante vai ser submetida à avaliação do Poder Judiciário junto com o Ministério Público”, concluiu o delegado Ian Leão.