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Doce de graça é a coisa mais cara que existe para quem tem Diabetes

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O governo oferece açúcar porque sabe que você gosta. O problema é o que vem depois da última mordida
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Foto: Reprodução/CGN

Por Redação CGN

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Toda mãe conhece a cena. Fila do caixa do supermercado, a criança cansada, o choro começando. Ali, na altura dos olhos dela, estão as balas, os chocolates, os pirulitos coloridos. Ninguém coloca doce na fila do caixa por acaso. Coloca porque sabe que, naquele momento, a criança não vai pensar na cárie, na dor de barriga ou no jantar que vai ficar no prato. Vai pensar só no gosto.

O governo Lula montou a fila do caixa da eleição.

Repare no que apareceu na prateleira justo agora. O Bolsa Família, que passou quase quatro anos parado no mesmo valor, ganhou reajuste anunciado a 17 dias do primeiro turno, com o dinheiro novo caindo na conta a partir de 19 de outubro, seis dias antes do segundo. A gasolina ficou sem impostos federais até 9 de novembro. Vieram perdão de dívidas de microempreendedores, renegociação de dívidas, promessas para estudantes. Tudo colorido, tudo ao alcance da mão, tudo na hora exata em que você está na fila.

Doce é bom. Ninguém nega. O tanque mais barato alivia a semana do motorista de aplicativo. Os R$ 91 a mais no piso do Bolsa Família viram arroz, feijão e um botijão de gás na casa de quem precisa. É justamente por ser bom que funciona. Quem oferece doce não aposta na sua ignorância; aposta na sua vontade.

Mas o açúcar tem uma regra que todo mundo conhece: a energia vem rápido e vai embora mais rápido ainda. E depois dela vem a queda.

A gasolina sem imposto tem data para acabar, e a data cai duas semanas depois do voto. No dia 10 de novembro, o frentista não vai perguntar em quem você votou antes de cobrar o preço cheio. O reajuste do Bolsa Família, que deveria ter vindo aos poucos ao longo de quatro anos, chegou de uma vez, como quem esquece de dar comida ao filho a semana toda e oferece um banquete no sábado. Quem passou fome na terça não se alimenta no sábado.

E tem a parte que ninguém mostra no comercial: o doce não é presente. Ele vem na sua conta. Funciona como aquela compra na mercearia do bairro, no fiado, anotada no caderninho. Você leva hoje, sorrindo, e o dono do mercadinho anota. O governo está pendurando a conta do país no caderninho, e a dívida pública já subiu mais de dez pontos nesse mandato. Quando a conta do caderninho cresce demais, o mercadinho aumenta o preço de tudo para todo mundo. É assim que a inflação entra pela porta da cozinha.

O problema é que o doce chega a uma casa que já está passando mal. Oito em cada dez famílias brasileiras devem alguma coisa, o maior nível já registrado. É o cartão de crédito que virou extensão do salário, a parcela da geladeira que ainda não terminou, o rotativo que cresce enquanto a gente dorme. Dar açúcar a quem está com a glicose no teto não é carinho. É descuido. Ou coisa pior.

Perguntado na TV Globo por que o reajuste só veio às vésperas da eleição, Lula disse que não sabia que o Bolsa Família estava congelado. É o pai que jura nunca ter reparado que o filho estava sem lanche, mas descobre tudo no dia da foto da escola. Foi assim no mensalão, quando se disse traído. Foi assim no petrolão. O presidente nunca sabe. Ou sabia e esperou a fila do caixa para abrir a embalagem. Escolha a hipótese que preferir: nenhuma das duas é boa notícia para quem depende dele.

E quando alguém avisa que a dieta do país está errada, logo aparece quem chame o alerta de “nervosismo”. Vale lembrar que, na mesma semana, o maior grupo de comunicação do país demitiu o executivo que comandava seus jornais depois que mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostraram uma relação considerada inadequada pela própria empresa com Daniel Vorcaro, o ex-dono do Banco Master. Quem descreve o paciente também precisa mostrar de quem recebe o salário.

Quem tem dinheiro sabe ler a bula. Troca de investimento, guarda em dólar, se protege. Quem vive do salário não tem para onde correr. É o primeiro a sentir quando o doce acaba: na feira que encarece, na parcela que aperta, na vaga de emprego que some do mural.

Doce dado na fila do caixa não é cuidado. É estratégia de venda. Cuidado é o médico que diz o que você não quer ouvir, porque quer você vivo daqui a quatro anos, e não só satisfeito daqui a quatro dias.

No domingo, recuse a bala da fila do caixa.

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