Em tempos de tanta divisão, Dia do Ecumenismo lembra que a fé não precisa virar disputa
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Por Redação
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Celebrado em 21 de outubro, o Dia do Ecumenismo convida à reflexão sobre respeito, diálogo e convivência entre pessoas de diferentes crenças. Em uma sociedade na qual a religião faz parte da identidade de milhões de brasileiros, a data lembra que acreditar em algo não deveria ser motivo para transformar o outro em adversário.
A proposta é simples de explicar, mas nem sempre fácil de praticar: respeitar quem pensa diferente, reconhecer a liberdade de consciência e buscar pontos de encontro sem exigir que todos professem a mesma fé. Afinal, se a convivência depende de concordar em tudo, talvez o problema não esteja na religião, mas na dificuldade humana de lidar com diferenças.
Os números do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ajudam a dimensionar essa diversidade. Entre os brasileiros com 10 anos ou mais, 56,7% se declararam católicos, 26,9% evangélicos e 9,3% disseram não ter religião. Também foram registradas pessoas de outras tradições religiosas, mostrando que a experiência espiritual no país não cabe em uma única definição.
A data está ligada à inauguração do Templo da Boa Vontade, em Brasília, em 21 de outubro de 1989. O monumento foi idealizado por José de Paiva Netto e se tornou um símbolo da proposta de acolher pessoas de diferentes religiões, filosofias e também aquelas que não seguem uma crença religiosa.
É importante distinguir os conceitos: ecumenismo, em seu sentido mais específico, busca a aproximação entre diferentes tradições cristãs. O diálogo inter-religioso, por sua vez, envolve também religiões distintas. Embora tenham alcances diferentes, as duas iniciativas compartilham a valorização do respeito e da convivência pacífica.
Em uma época em que divergências religiosas podem virar motivo de ofensa, intolerância e até violência, o Dia do Ecumenismo oferece uma oportunidade para pensar sobre os limites entre defender a própria convicção e desrespeitar a do outro. Ter fé não exige vencer uma discussão, assim como respeitar alguém não obriga ninguém a mudar de crença.
No fim das contas, a convivência não pede que todos rezem da mesma maneira, frequentem o mesmo templo ou cheguem às mesmas conclusões. Pede algo menos complicado na teoria e bastante desafiador na prática: que as diferenças não retirem de ninguém o direito à dignidade, à liberdade e à paz.