Itália aprova medidas mais duras para reprimir protestos após tumultos em Milão
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Por Agência Estado
A Itália anunciou nesta terça-feira, 20, novas medidas de segurança destinadas a combater protestos violentos como os que causaram danos ao distrito comercial central de Milão. No fim de semana, manifestantes saquearam lojas e incendiaram propriedades na cidade.
Um decreto do governo prevê o envio de mais 500 soldados para Milão até o final do ano, obriga os pais a arcarem com os custos dos danos causados por menores de idade e facilita o processo judicial contra adolescentes com mais de 14 anos.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse que a presença de tantos jovens manifestantes violentos era “dolorosa e assustadora”.
“Os jovens foram à praça para quebrar coisas, roubar e se filmar fazendo isso”, disse Meloni. “Este é um fenômeno que devemos abordar com seriedade, também para evitar que essas imagens se tornem um modelo a ser imitado por outros.”
O decreto também cria um novo crime de participação violenta em manifestação, punível com até cinco anos de prisão e multa de até 20 mil euros. As penas aumentam se os infratores cobrirem o rosto ou se alguém ficar ferido.
Os manifestantes serão responsáveis pelo pagamento dos danos materiais, sendo os pais responsáveis pelos danos causados por menores de idade, disse Meloni.
O decreto, que deve ser convertido em lei pelo Parlamento no prazo de 60 dias, também presume automaticamente que qualquer pessoa com mais de 14 anos é capaz de compreender suas próprias ações, a menos que se prove o contrário. Até agora, cabia a um juiz determinar isso.
Meloni também afirmou que o governo aumentaria o número de vagas nos centros de detenção e de juízes no sistema de justiça juvenil.
A polícia utilizou canhões de água e gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes, muitos com o rosto coberto, que entraram em confronto com as forças de segurança, saquearam lojas e incendiaram propriedades no centro de Milão no sábado, 17. Os saques e a violência continuaram no domingo, 18, com as autoridades informando que mais de 100 policiais ficaram feridos nos dois dias.
A polícia de Milão informou que 2 mil jovens participaram dos distúrbios na noite de sábado, incluindo uma grande presença de italianos naturalizados, filhos de pais estrangeiros, bem como de cidadãos estrangeiros. Das cerca de 50 pessoas presas no fim de semana, mais de 30 são menores de idade.
Os distúrbios coincidiram com manifestações em todo o país na vizinha França contra o aumento do custo de vida e em apoio às reivindicações dos estudantes do ensino médio. A polícia francesa utilizou gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar manifestantes violentos que se juntaram aos protestos.
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